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Início » Queiroz: uma defesa de betão e a interferência política na seleção iraniana
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Queiroz: uma defesa de betão e a interferência política na seleção iraniana

RedaçãoPor Redação01/12/20177 Mins Leitura
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Antigo selecionador nacional vai liderar o Irão no segundo Mundial seguido, após qualificação praticamente imaculada

Caso Portugal chegue à última jornada da fase de grupos do Mundial’2018 a discutir o apuramento, vai ter de fazê-lo frente a uma cara bem conhecida: Carlos Queiroz. O antigo selecionador nacional, que conduziu Portugal no Mundial’2010, na África do Sul, levou o Irão ao Mundial pela segunda vez consecutiva e procura, agora, a qualificação para os oitavos-de-final pela primeira vez na história do país. Isto perante um clima bastante complicado no futebol iraniano, quer seja pelos interesses de agentes desportivos, que já levaram mesmo Queiroz a apresentar a demissão, quer pela intromissão do poder político, que já pretendeu castigar dois dos melhores jogadores da equipa.

Ainda assim, mesmo perante as dificuldades vindas do exterior, Queiroz foi conseguindo trilhar um caminho de sucesso no Irão. Fez uma qualificação irrepreensível, sem qualquer derrota, e na fase final, a mais complicada, apresentou uma defesa de betão, que só foi batida no último jogo, já “a feijões”. Nos últimos dois anos apenas o Iraque conseguiu bater o Irão, mas num particular, que foi disputado já em 2017. No entanto, o técnico português não é a única cara conhecido no Irão, pois Alireza Haghighi, que estava no Marítimo na última época, é uma das opções para a baliza.

Uma das razões para o sucesso de Carlos Queiroz no Irão é a forte geração que começa a surgir, com vários jovens já a integrarem a equipa principal. O caso de maior sucesso é o de Serdar Azmoun. O avançado do Rubin Kazan tem apenas 22 anos, mas já leva 22 golos em 30 jogos pelo Irão. Já Ehsan Haji Safi e Masoud Shojaei são dois dos jogadores mais experientes – o primeiro tem 87 internacionalizações e o segundo 71. Foram eles os intervenientes de um episódio que demonstra bem a mentalidade do poder político por estes lados do globo. Os dois jogadores do Panionios, da Grécia, enfrentaram uma equipa de Israel na Liga Europa e tiveram o Ministério do Desporto iraniano à perna.

“Nos últimos 38 anos [desde a criação da República Islâmica], nenhum dos nossos atletas concordou em defrontar representantes de Israel. Até mesmo nos Jogos Olímpicos”, disse em agosto último o ministro-adjunto dos Desportos, Mohammad Reza Davarzani, depois dos jogadores terem alinhado na segunda mão da eliminatória, na Grécia – na primeira mão em Israel rejeitaram jogar. Uma situação que não agradou a Queiroz e o levou a agir, exigindo o fim do castigo aos dois jogadores. Foi só mais uma prova de que a ação do técnico no Irão não se limita apenas ao trabalho de relvado.

Já no início de 2017 o selecionador tinha batido com a porta, dessa vez por outras razões. “No fim da reunião foi concluído não existirem condições para a implementação do plano de preparação para o Campeonato do Mundo, plano esse já apresentado e aprovado pela federação iraniana, Liga e clubes, mas permanentemente minado devido à oposição sistemática movida contra a federação e contra o selecionador iraniano, por parte de agentes desportivos não interessados no sucesso da seleção nacional”, podia ler-se no comunicado divulgado por Carlos Queiroz, que acabou por voltar atrás com a decisão. Um hábito por aquelas bandas.

Perante um cenário tão tempestuoso resta perceber se Queiroz chegará a marcar presença no Mundial. Por agora parece estar tudo resolvido, mas há que lembrar que o técnico não participou no Mundial’2010 com a África do Sul, depois de se ter demitido antes da competição, em desacordo com a federação local. Por fim, há ainda a recente revelação de que está a ponderar o final de carreira após o Mundial. E fazê-lo após conseguir uma qualificação histórica do Irão e/ou uma vingança frente a Portugal, depois do conturbado fim de relação com a federação em 2010, seria um guião interessante para o fim de um trajeto que começou com os títulos mundiais de Sub-20 ao serviço da equipa das quinas.

Alguém sabe o que é a Taça da Independência?

Este é um adversário de boas memórias para Portugal. Enfrentar o Irão é sinónimo de sucesso e também de chegar longe na competição. No Mundial’2006, portugueses e iranianos enfrentaram-se na Alemanha, na fase de grupos. Terminou 2-0, a Seleção Nacional acabou por seguir em frente e os asiáticos ficaram pelo caminho. E Cristiano Ronaldo até sabe como marcar ao Irão, pois fê-lo nessa partida, a par de Deco. A caminhada portuguesa terminou apenas nas meias-finais. Mas esse não foi caso único…

Portugal e Irão enfrentaram-se apenas duas vezes na história. Além do jogo no Mundial’2006 houve ainda um encontro em 1972 na… Taça da Independência. O que é mesmo a Taça da Independência, perguntam vocês… Foi uma prova que serviu para comemorar os 150 anos da Independência do Brasil. Durante quase um mês 20 seleções lutaram pelo triunfo final, incluindo a seleção de África e a da CONCACAF. Portugal entrou numa primeira fase de 15 equipas e venceu o Grupo 2 frente a Chile, Irlanda, Equador e Irão. Na partida com os iranianos a Seleção Nacional venceu por 3-0, com Eusébio, Dinis e Humberto Coelho a marcarem os golos.

Já agora, aproveitamos a boleia para explicar o resto desta “exótica” competição. Os três vencedores dos grupos da primeira fase – a Portugal juntou-se Jugoslávia e Argentina – juntaram-se às cinco seleções apuradas diretamente para a segunda fase – Brasil, Uruguai, União Soviética, Escócia e Checoslováquia. A equipa portuguesa venceu novamente o grupo, desta feita à frente de Argentina, União Soviética e Uruguai, avançando para a final. No jogo decisivo, disputado no Maracanã, Jairzinho marcou o único golo do encontro para o Brasil, aos 89 minutos. Portugal ficou como vice-campeão, embora poucos saibam disso. Resta esperar que o Irão continue a dar a mesma sorte.

Irão

Posição no ranking: 32.º

Selecionador: Carlos Queiroz

Resultados na qualificação:

1.º no Grupo D da 1.ª fase (6 vitórias e 2 empates)

Turquemenistão-Irão, 1-1
Irão-Guam, 6-0
Índia-Irão, 0-3
Omã-Irão, 1-1
Irão-Turquemenistão, 3-1
Guam-Irão, 0-6
Irão-Índia, 4-0
Irão-Omã, 2-0

1.º no Grupo A da 2.ª fase (6 vitórias e 4 empates)

Irão-Qatar, 2-0
China-Irão, 0-0
Usbequistão-Irão, 0-1
Irão-Coreia do Sul, 1-0
Síria-Irão, 0-0
Qatar-Irão, 0-1
Irão-China, 1-0
Irão-Usbequistão, 2-0
Coreia do Sul-Irão, 0-0
Irão-Síria, 2-2

Jogadores utilizados na qualificação:

Guarda-redes

Alireza Haghighi (4 jogos)
Sosha Makani (1 jogo)
Mohammad Mazaheri (1 jogo)
Alireza Beiranvand (12 jogos)

Defesas

Roozbeh Cheshmi (2 jogos)
Omid Alishah (2 jogos)
Pejman Montazeri (10 jogos)
Hossein Kanaani (1 jogo)
Ezzatollah Pourghaz (4 jogos)
Morteza Pouraliganji (13 jogos/1 golo)
Jalal Hosseini (11 jogos/2 golos)
Vahid Amiri (17 jogos)
Mohammad Ansari (3 jogos)

Médios

Ashkan Dejagah (12 jogos/2 golos)
Ali Karimi (3 jogos)
Kamal Kamyabinia (2 jogos/1 golo)
Ramin Rezaeian (13 jogos)
Andranik Teymourian (9 jogos/1 golo)
Ehsan Haji Safi (13 jogos/2 golos)
Khosro Heydari (3 jogos)
Omid Ebrahimi (10 jogos)
Mehdi Torabi (7 jogos/1 golo)
Varya Ghafoori (5 jogos)
Milad Mohammadi (9 jogos)
Masoud Shojaei (7 jogos/1 golo)
Saeid Ezatolahi (13 jogos/1 golo)

Avançados

Reza Ghoochannejhad (9 jogos/1 golo)
Mehdi Taremi (16 jogos/8 golos)
Alireza (14 jogos/2 golos)
Kaveh Rezaei (4 jogos/1 golo)
Daryoush Shojaeian (1 jogo)
Serdar Azmoun (14 jogos/11 golos)
Karim Ansarifard (6 jogos/1 golo)

Resultados frente a Portugal:

2 jogos (2 derrotas)

Portugal-Irão, 3-0 (14/6/1972)
Portugal-Irão, 2-0 (17/6/2006)

Irão Mundial'2018 Portugal Queiroz
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