Após ganhar ‘inimigos’ fora da Catalunha, Piqué conseguiu juntar mais uns à lista, dentro da região que tanto defende.
Piqué, Piqué e mais Piqué. É verdade. Não há como negar que o central do FC Barcelona tem estado no centro das atenções, não apenas futebolísticas, como também no polo político. Ainda assim, todo este foco atribuído ao internacional espanhol não corresponde aos melhores motivos. Depois de já ter feito correr muita tinta pela sua posição relativamente à independência da Catalunha, o defesa de 31 anos fez inimigos nos adeptos do rival Espanyol, com destaque para a celebração que teve após marcar o golo do empate na última jornada da Liga Espanhola.
Então e qual a razão para toda esta tensão entre Piqué e o rival do FC Barcelona? Ora bem, tudo começou há cerca de duas semanas, depois dos blaugrana eliminarem o Espanyol da Taça do Rei. Quando a partida da segunda mão terminou, o central decidiu dar uma aula de geografia a todos aqueles que estivessem a ouvi-lo e chamou “Espanyol de Cornellà” ao adversário, não de Barcelona, como é conhecido. Ao que se referiu Piqué, questiona-se o leitor? Pois bem, Cornellá de Llobregat é uma localidade nos subúrbios de Barcelona, na qual se encontra a sede do Espanyol. Os adeptos do clube não levaram a bem esta tentativa de serem colocados de parte em relação à província de Barcelona.
Os aficionados do Espanyol não foram de meias medidas e vaiaram Piqué durante todo o encontro de domingo. Com insultos inclusive à mulher e filhos do jogador do FC Barcelona, os adeptos dos periquitos sofreram um contratempo com o golo de Piqué aos 82 minutos do jogo. Assobiado durante toda a partida, o defesa respondeu na mesma moeda, virou-se para as bancadas do estádio Cornellà-El Prat, mandou o público calar-se, com a mão em gesto de ‘cornos’. Uma celebração que já mereceu uma abordagem por parte da própria Liga Espanhola, que decidiu condenar todos os festejos ofensivos, a partir deste momento.
Esta quarta-feira, a Liga Espanhola deu conta de que culpabiliza Piqué como o responsável pelos cânticos ofensivos feitos contra si, a sua mulher e filhos do dérbi catalão. A entidade considerou que a celebração do golo do central do FC Barcelona foi o principal impulsionador que provocou os insultos da parte dos adeptos, ainda que tenham ocorrido ao longo de toda a partida. Ainda assim, o Comité de Competição do país vizinho anunciou de que não irá castigar Piqué, tendo em conta que não recebeu nenhuma denúncia, nem pelo festejo do golo, nem pelas declarações do defesa após o encontro. E quais foram essas?
“Dizer que o Espanyol é de Cornellà não é uma falta de respeito, é uma evidência. O Espanyol está cada vez mais afastado de Barcelona e tem um presidente chinês”, foram as palavras do jogador catalão. Aliás, Piqué ainda foi mais além. “Queixam-se por eu dizer isto e não investigam os insultos à minha família. Mandá-los calar era o mínimo que podia fazer. Os jogadores têm responsabilidades mas também são pessoas. E há um limite. E se quem manda não toma decisões e não diz nada, não ficaremos calados”, referiu, em declarações reproduzidas pelo Mundo Deportivo.
Embora o episódio tenha sido desvalorizado por ambos os treinadores no final do jogo, a verdade é que Gerard Piqué continua a recolher ‘inimigos’, agora não só fora da Catalunha, como também dentro da região que com tanto orgulho defende. Para além dos sempre ruidosos compromissos da seleção espanhola, quando o central tem a bola nos pés, os futuros dérbis entre FC Barcelona e Espanyol ganharam todo um novo ponto de foco.