Histórico italiano caiu no quarto escalão em 2015 após a segunda falência do historial, mas não demorou a reerguer-se
Equipavam às listas, de amarelo e azul, e marcaram a história do futebol italiano na viragem do século. Crespo, Cannavaro, Thuram, Verón ou um jovem Buffon foram alguns dos nomes que brilharam no histórico Parma AC. O clube venceu três Taças de Itália (1992, 1999 e 2002), uma Supertaça italiana (1999), uma Taça das Taças (1993), uma Supertaça europeia (1993) e ainda duas Taças UEFA (1995 e 1999). Mas os problemas financeiros conduziram o emblema da pequena cidade italiana a duas crises, a últimas das quais em 2015. Da Serie A o clube passou para a Serie D, o quarto escalão a nível nacional e primeiro regional. No entanto, não baixou os braços.
O clube foi rebatizado como Parma Calcio 1913 e num abrir e fechar de olhos recompôs-se, apesar de o processo ainda não estar completo. Venceu a Serie D em 2015/16 e no ano seguinte conseguiu novamente a promoção, subindo à Serie B. Esta época as coisas estão novamente a correr bem e o Parma acaba de alcançar a segunda posição da tabela, que dá promoção direta, depois do triunfo desta tarde por 3-0 frente ao Pro Vercelli. A equipa está, assim, a lutar por um regresso meteórico ao convívio dos grandes do futebol italiano.
Longe vai o tempo em que a Parmalat reluzia nas camisolas douradas da conquistadora equipa transalpina, que na primeira metade da década de 90 foi superiormente orientada pelo italiano Nevio Scala. O patrocinador já não é o mesmo de outros tempos – a crise financeira da marca conduziu à primeira situação crítica do clube, em 2004, resultando ainda na mudança do nome para Parma FC, de forma a evitar a descida aos escalões amadores. No entanto, Scala é, agora, aos 70 anos, o presidente do Parma.
O histórico emblema italiano vive uma nova realidade financeira desde que no verão passado o investidor chinês Jiang Li Zhang adquiriu 60 por cento das ações do clube. Mas Scala não é o único símbolo que resta da mítica equipa da viragem de século, que apenas falhou a conquista do título italiano – algo que nunca conseguiu em todo o seu historial. Com a chegada do dinheiro chinês, o antigo goleador Hernán Crespo foi chamado para o cargo de vice-presidente e também ele faz parte deste renascer “gialloblu”. Já no banco de suplentes está um perfeito desconhecido. Roberto D´Aversa é um técnico ítalo-germânico, de 42 anos, que está no segundo clube da carreira, depois de se estrear em 2014/15, a temporada que ditou o final do Parma FC, ao serviço do Virtus Lanciano.
Na equipa atual destacam-se alguns nomes mais experientes do futebol italiano, como o avançado Emanuele Calaiò, o médio Gianni Munari ou o defesa Alessandro Lucarelli, que já conta com 40 “primaveras” e acompanhou o clube na descida ao “inferno” da Serie D. Mas uma das estrelas da equipa dá pelo nome de Insigne. Roberto Insigne. Irmão mais novo de Lorenzo Insigne, também ele formado no SSC Nápoles. Roberto tem cinco golos marcados e tem ajudado o Parma… o novo Parma Calcio 1913 – ano de fundação do clube original – a fixar-se na frente da tabela.
Outros históricos, outros craques
A temporada de 2017/18 da Serie B está a ser marcada pelas prestações de emblemas históricos. É que à frente do Parma está apenas o FC Bari – tem os mesmos pontos, mas com um jogo a menos -, que esteve pela última vez no primeiro escalão em 2010/11. E se a turma amarela e azul pode orgulhar-se de contar com Crespo num cargo diretivo, o Bari conta no banco com Fabio Grosso, antigo internacional italiano e campeão mundial em 2006. No clube está ainda o avançado brasileiro Nenê, que brilhou em Portugal ao serviço do Nacional.
Quem também está a querer imitar o Parma é o Veneza, que em 2001/02 esteve pela última vez na Serie A, acabando por declarar bancarrota no final dessa mesma época. Em 2005 reapareceu nos escalões inferiores como SSC Veneza, mas no final de 2008/09 foi novamente à falência. Pouco tempo depois surgiu o Foot Ball Club Unione Veneza, que resultou na terceira falência. A quarta tentativa deu pelo nome de Venezia FC, que começou, precisamente, na Serie D em 2015/16. Subiu tal como o Parma e na temporada passada, já com Pippo Inzaghi, o antigo goleador do Milan, ao leme, alcançou nova promoção.
O renascer do Veneza está a ser “patrocinado” também por um investidor, mas que vem do ocidente. O norte-americano Joe Tacopina é o proprietário do clube. Depois de ter sido presidente do FC Bolonha e vice-presidente da AS Roma, o empresário e advogado, de 51 anos, tem ajudado a uma transformação do clube da cidade dos canais, inclusive a nível de imagem, com um novo símbolo. Este sábado o Veneza arrancou um empate sem golos no terreno do US Palermo, atual terceiro classificado, e confirmou a candidatura à subida. Por enquanto, está no oitavo posto, que dá acesso aos playoffs de promoção, mas apenas a três pontos do Parma e da frente da tabela. Uma temporada marcada pelo verdadeiro renascentismo do futebol italiano.