CEO da FPF deixa forte elogio a equipas portuguesas e a outras como Ajax, que se revelam no plano internacional
Tiago Craveiro, CEO da Federação Portuguesa de Futebol, sai a público para desafiar os clubes a unirem-se contra a tão famigerada Superliga Europeia e apela a clubes como Benfica, FC Porto e Sporting para, como já o manifestaram, não se deixarem levar com as ideias apregoadas pelos donos da nova competição que, ainda antes de o ser, já tem dado que falar. O responsável federativo lembra que clubes como os três grandes portugueses ou emblemas como o Ajax e a Atalanta são vistos como ‘ameaças’ dado que, muitas vezes com menos recursos financeiros, conseguem ‘bater o pé’ aos chamados ‘tubarões’.
“Quantas provas europeias ganharam o City ou o Tottenham? Quantas vezes teria o Benfica ou o FC Porto sido campeão nesta fórmula? Porque é mesmo isso… estas 12 empresas odeiam o Benfica, o Sporting, o FC Porto, o Ajax, a Atalanta, o Leicester, o Lyon… e todos os que ousem criar tanta competência que muitas vezes não dependem de mais dinheiro para lhes bater o pé”, assinala Tiago Craveiro, certo de que o grupo chefiado por Florentino Pérez e Andrea Agnelli representam “aristocratas” e “vendilhões de uma Roma subordinada ao imperador habitual”, num movimento sustentado em empresas “desvairadas”.
Em artigo de opinião que assina no jornal Record, nesta quarta-feira, Tiago Craveiro salienta que o modelo apresentado para a Superliga Europeia deixa de lado aquilo que tem sido, por tradição, uma das ferramentas fundamentais do futebol português – a formação. Para os clubes que querem avançar com a criação da Superliga Europeia “não é preciso academias, deteção de talento ou formação”. “Nada disso. É show”.
O dirigente federativo explica ainda que podem “chamar-lhe desporto mas na verdade não é”. “Por definição não é”, esclarece Tiago Craveiro, destacando que se a Superliga for por diante estes emblemas vão acabar com as suas academias.
Estas ficam para “os ‘pobres’ como a Bélgica, a Holanda, Portugal, Argentina, Brasil ou, melhor dito… todos os países que não os deles ou todos os clubes que não os deles.”
Tiago Craveiro critica esta forma de olhar o desporto e o futebol, em particular, destacando que os responsáveis por esta competição que pretende reunir algumas das equipas mais poderosas economicamente “comprarão tudo feito”.
Nas últimas horas, o processo conheceu novos desenvolvimentos com a retirada de seis clubes ingleses entre os 12 promotores da Superliga privada.
O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, já saudou esta retirada por parte dos emblemas britânicos. “O importante agora é seguir em frente e reconstruir a unidade do desporto e seguirmos em frente – juntos -“, afirmou o presidente da UEFA, em comunicado.
O líder da UEFA referiu ainda que “esses clubes cometeram um grande erro mas agora estão de volta”. “Sei que têm muito a oferecer não só às nossas competições mas a todo o futebol europeu”, referiu Ceferin.
