Grande Futebol
O renascer de Daniel Carriço, o líder silencioso
2018-10-15 15:50:00
David Caiado recorda-se de um líder dentro e fora de campo que não precisava de falar muito para impor respeito

Dado como carta fora do baralho no Sevilha FC, aos 30 anos Daniel Carriço está a viver uma segunda vida no Ramón Sánchez Pizjuán. O defesa português acumula dez jogos com a camisola andaluza (quatro na La Liga e seis na Liga Europa) sem conhecer a derrota, contribuindo para a liderança isolada da equipa andaluza no campeonato espanhol, e ganhou o estatuto de titular no renovado Sevilha de Pablo Machín. Depois de duas épocas perdidas, com uma lesão grave pelo meio, Carriço vive uma segunda vida no Sevilha FC.

"Ele está a recuperar a confiança muito pelo treinador que tem [Pablo Machín], que gosta de jogar com três centrais e que aprecia ter jogadores com carisma e caráter, e que sejam agressivos dentro de campo. O anterior treinador [Berizzo] gostava mais de ter centrais fortes em posse de bola. O Carriço está a ter influência na equipa. Fico contente por ele", diz ao Bancada David Caiado, atual jogador dos romenos do Gaz Metan, e que foi companheiro de Daniel Carriço nas camadas jovens do Sporting durante quatro anos.

"Dividiamos o mesmo quarto na Academia. Ele sempre foi um exemplo para todos nós, pelo comportamento que tinha, fruto da formação familiar que recebeu. Os pais e o irmão acompanhavam-no muito e ele refletia no seu comportamento muito os ensinamentos que recebia da família", conta Caiado que já via no atual jogador do Sevilha as qualidades de um líder. Discreto. "Não precisava de falar muito, não era de grandes palavras, para que todos o respeitassem. Não é por acaso que sempre foi capitão, no Sporting, nas seleções, e é um dos capitães do Sevilha há vários anos".

David Caiado recorda ainda o amigo "brincalhão fora de campo, sério lá dentro no relvado" e a relação "paternal" que o atual jogador do Sevilha mantinha com Fábio Paim, na altura uma das promessas do futebol do Sporting. "Ele era como um pai para o Fábio Paim que por vezes tinha comportamentos que não eram os mais adequados. O Carriço procurava sempre ajudar o Paim e quando havia problemas os responsáveis do Sportig recorriam sempre ao Carriço para tentar resolver as coisas".

Uma luz ao fundo do túnel

Após cinco épocas em Sevilha, onde chegou no verão de 2013 proveniente do Reading que o contratou ao Sporting, Daniel Carriço esteve na iminência de sair da equipa sevilhana no último defeso. Ecos de então da imprensa andaluza davam conta de que o central português não integrava os planos do clube para a nova temporada. Mas esta época, com a chegada de Pablo Machín, tudo mudou para Carriço. O defesa português recuperou o estatuto de titular na equipa sevilhana, que está bem lançada no campeonato espanhol, competição que lidera com mais um ponto do que FC Barcelona e Atlético de Madrid.

A temporada de 2017/18 foi penosa para Carriço, obrigando-o, inclusive, a submeter-se a uma cirurgia, realizada em outubro de 2017, para tentar debelar uma lesão num tendão da coxa direita. Uma época em que fez apenas três jogos, o último dos quais em finais de setembro de 2017, na deslocação ao recém inaugurado Wanda Metropolitano para defrontar o Atlético Madrid. A época para o próprio Sevilha FC também foi muito complicada, com o clube andaluz a conhecer três treinadores numa só época, Vincenzo Montella, Joaquín Caparrós e Eduardo Berizzo. Os andaluzes terminaram em 7º lugar.

O "Estado Deportivo", jornal de Sevilha, deu conta este domingo do sonho de Frederico Varandas, presidente do Sporting, em recuperar o ex-defesa central leonino, que foi apoiante do agora presidente na campanha eleitoral. Ainda para mais agora com a situação clínica de Mathieu a colocar dores de cabeça a José Peseiero no eixo central da defesa leonina. Mas a continuar assim a reafirmação de Daniel Carriço no Sevilha, o sonho de Varandas, se era para janeiro, vai ter de ser adiado.

O Sporting, recorde-se, vendeu-o ao Reading em janeiro de 2013 por 750 mil euros, mais uma percentagem de uma futura venda. No final da mesma época, foi emprestado ao Sevilha, que acabou por o adquirir a título definitivo em julho de 2014, por 1,8 milhões de euros. Ao serviço dos Blanquirrojos, Carriço conquistaria por três vezes a Liga Europa sob a orientação de Unai Emery, atual treinador do Paris Saint-Germain. Aos 30 anos, e depois de duas épocas perdidas, Carriço vive uma segunda vida no Sevilha FC. O líder silencioso está de volta aos relvados.