Clube italiano foi comprado em Abril de 2017 mas o seu futuro continua envolto em mistério e muitas dúvidas
A compra do AC Milan, em Abril de 2017, por parte de Li Yonghong, estabeleceu-se como o início de uma nova era no histórico e gigante clube italiano. Mais de três décadas depois, o Milan deixou por fim de ser detido pela Fininvest, grupo de comunicação fundado por Silvio Berlusconi em 1978 e que desde 1986 controlava, e detinha, o clube rossonero. O AC Milan passou assim a ser mais um dos clubes europeus a ser detido por empresários e grupos económicos de capital chinês. Os rossoneri surgem no defeso de 2017 como um dos grandes agitadores do mercado (André Silva parece ser o sucessor de Mussachio, Kessié e Ricardo Rodríguez como contratação do clube) mas, o futuro, é ainda muito duvidoso para o multicampeão italiano. Este parece, sim, ser um investimento com pés de barro.
Aston Villa, Birmingham City, West Bromwich Albion, Wolverhampton Wanderers, Auxerre, Nice, Sochaux, Espanyol, Granada, Inter e Milan. O que têm em comum todos estes clubes europeus? Nem mais. Por esta altura são já onze os clubes europeus nas grandes ligas europeias detidos por capitais chineses. O Milan tornou-se um dos mais recentes clubes a ser comprado por magnatas chineses quando, depois de semanas de avanços e recuos, Li Yonghong, a 13 de Abril, oficializou a compra do clube milanês. A operação, porém, ainda hoje, não é totalmente clara nem tão pouco é brilhante o próprio futuro do clube.
Tudo começou em Agosto de 2016 quando a Fininvest e a Sino-Europe Sports Investment Management Changxing Co., Ltd, consórcio de Hong Kong liderado Li Yonghong, acertaram um pré-acordo de venda do Milan. A data de oficialização da compra total é estabelecido para Dezembro de 2016, com Yonghong a pagar desde logo 100 milhões de euros após a celebração do pré acordo. Em comunicado, a Fininvest começou por ligar a Sino-Europe Sports ao governo chinês, uma referência que acabaria por ser eliminada mais tarde. Perto da data de celebração oficial da venda do clube milanês, por mais de 700 milhões de euros, foi a vez de Yonghong subir pela ala e fintar o mundo do futebol. Afinal, não seria a Sino-Europe Sports a comprar o clube milanês, mas sim um grupo económico com sede no Luxemburgo, o Rossoneri Sports Investment (RSI), a fazê-lo.
O Milan anuncia: após uma análise aprofundada, para que o negócio de venda se concretize, é necessária uma nova estrutura totalmente externa à China. Assegurando, ainda assim, que há total comprometimento dos novos investidores em recapitalizar e dar uma nova dimensão financeira ao clube rossonero. Não ficaria por aí contudo. Dias antes da venda do clube à RSI, soube-se que Li Yonghong não entrou com capital próprio no clube milanês, tendo recorrido a um fundo de cobertura americano, na ordem dos 300 milhões de euros, para avançar com a compra do mesmo (investimento e juros, à taxa de 11,5%, terão de ser pagos até Outubro de 2018). Tudo isto, como conta Alain Wang ao The Guardian em Maio deste ano, porque o governo chinês tem colocado fortes entraves ao investimento nacional em negócios estrangeiros de forma a evitar que o dinheiro saia do país. Algo que poderá explicar o porquê de tantas dificuldades na oficialização do processo e a colocar um travão nas dúvida essencial: terá Li Yonghong, realmente, o dinheiro necessário para retornar o Milan ao topo do futebol europeu?
Sobre Li Yonghong, porém, pouco se sabe. A Sino-Europe Sports Investment que inicialmente estava para comprar o clube milanês, não está sequer registada em seu nome mas, sim, em nome de Chen Huashan que nunca surge em qualquer altura do negócio. Yonghong, acredita-se, terá sim investimentos na área do imobiliário (28% das acções da Renshuo’s New China Building), bem como na indústria de embalagens e em minas de fosfato. Sabe-se, sim, que tanto o pai de Li Yonghong como o irmão foram considerados culpados de usurpação de dinheiros públicos – sentença a que escaparam ao fugir para Hong Kong -, através da Jade Valley Development da qual Li Yonghong era também acionista, com o atual dono do Milan a sempre ter negado qualquer envolvimento no esquema.
Fassone, o novo homem forte que até já serviu os rivais
A fazer a ponte entre a direção chinesa e a equipa milanesa estará Marco Fassone. O novo CEO do AC Milan, que passou por empresas como a Ferrero ou a Galbani entre 1987 e 2001, continua assim a sua aventura no Mundo do futebol depois de passagens por Juventus, Nápoles e Inter Milão.
Fassone entrou no futebol pela mão da Juventus em 2003 (e onde ficou até 2010) assumindo-se como diretor de marketing do clube de Turim, sendo um dos grandes responsáveis pela colocação da Juventus como marca global como hoje acontece. A Fassone é atribuida a ideia do projecto de construção do novo estádio da Vecchia Signora e, sendo por isso um dos grandes responsáveis pelo estabelecimento da Juventus como um dos maiores clubes de futebol da atualidade. No Nápoles e em Milão, ao serviço do Inter, porém, não teve tempo ou condições para impor a sua marca, tendo abandonado os nerazzurri após a compra do clube por parte de Erick Thohir.