Pepe, que esta quinta-feira completa 100 jogos pela Seleção Nacional, só é superado por Miroslav Klose
100 jogos. Pois é, 100 jogos. Pepe vai alcançar esta quinta-feira diante da Croácia um feito histórico ao completar a centésima internacionalização com a camisola da Seleção Nacional. O central luso-brasileiro tornar-se-á no sexto jogador da história do futebol português a atingir esta marca de quinas ao peito, juntando-se ao restrito lote composto por Cristiano Ronaldo (154 jogos), Luís Figo (127), João Moutinho (113), Nani (112) e Fernando Couto (110). Aos 35 anos e seis meses, o naturalizado mais internacional de sempre com a camisola de Portugal e o segundo maior da história a nível mundial afirma-se cada vez mais como uma referência incontornável do nosso futebol.
O dono e senhor da camisola 3 demorou menos de 11 anos, mais concretamente 10 anos e 290 dias, a chegar aos 100 jogos na Seleção Nacional, só ultrapassado neste particular por Ronaldo e Nani. Estreou-se a 21 de novembro de 2007 num empate a zero com a Finlândia no Estádio do Dragão, de qualificação para o Euro 2008 e fecha hoje o ciclo centenário. Ronaldo foi o mais rápido (9 anos e 22 dias), seguido por Nani (9 anos e 298 dias), João Moutinho (10 anos e 323 dias), Figo (12 anos e 128 dias) e Fernando Couto (12 anos e 295 dias).
Pepe disputou todo o tempo de jogo em 75 destes 99 jogos, ao longo dos quais marcou seis golos: Portugal-Turquia (fase final do Euro 2008), Hungria-Portugal (qualificação para o Mundial 2010), Dinamarca-Portugal (fase final do Euro 2012), Portugal-Gibraltar (particular), Portugal-México (Taça das Confederações 2017) e Portugal-Uruguai (Mundial 2018).
A história nacional relativamente aos jogadores naturalizados não é particularmente vasta. Deco, com 75 jogos e cinco golos, Raphael Guerreiro (28 jogos e dois golos) bem como Liedson (15 jogos e quatro golos) são os outros naturalizados do passado recente da Seleção Nacional. Os brasileiros Celso (três jogos na década de 1970) e Lúcio (cinco jogos na década de 1960) e o sul-africano David Júlio (quatro jogos na década de 1960) completam o lote de futebolistas estrangeiros a envergar as cores de Portugal. O caso mais recente é o de Raphael Guerreiro. Filho de pai português e de mãe francesa, o lateral-esquerdo nasceu em França onde sempre jogou, até ter-se mudado para o Borussia Dortmund, onde completa a terceira época consecutiva.
As razões para um jogador optar por um ou outro país são necessariamente diversas: há aqueles que o fazem devido aos anos de permanência no segundo país e à identificação com o povo e a cultura e há aqueles que simplesmente aproveitam a oportunidade de concretizar o sonho de jogar um torneio internacional. Pepe, campeão da Europa em 2016 por Portugal, está no primeiro caso e é hoje em dia uma referência a nível mundial. Só o alemão nascido na Polónia, Miroslav Klose supera a sua marca, com 137 internacionalizações e 71 golos, correspondentes a 16 golos em quatro fases finais e o título de campeão mundial em 2014.

Mas há casos para todos os gostos. Eduardo da Silva, por exemplo, nasceu no Rio de Janeiro mas iniciou a carreira sénior na Croácia e os dotes de goleador conduziram ao convite para representar a seleção. Estreou-se em 2004, com 21 anos, mas não seria convocado para o Mundial 2006. Uma fratura numa perna deixou-o de fora do Euro 2008 e a sua carreira não voltaria a ser a mesma: ainda esteve no Euro 2012 e no Mundial 2014, mas sem marcar qualquer golo.
Diego Costa é um dos exemplos mais recentes e talvez o mais mediático devido ao impacto que teve. Os adeptos nem sempre compreendem as opções dos futebolistas e, no Mundial de 2014, realizado no Brasil, o avançado naturalizado espanhol, foi vaiado nos estádios onde jogou. “Estava ciente de que isso poderia acontecer”, afirmou na altura o avançado.
Rodrigo é outro dianteiro da seleção espanhola com ascendência brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro, mas foi viver cedo para Espanha, onde começou a jogar nos juvenis do Celta de Vigo. Rapidamente chegou ao Real Madrid, mas não conseguiu afirmar-se como profissional nos “merengues”. Foi internacional sub-19, sub-20 e sub-21 espanhol (sagrou-se campeão europeu neste último escalão), e acabou emprestado ao Bolton, após o que assinaria pelo Benfica, voltando a Espanha três temporadas depois para representar o Valência CF. Estreou-se em outubro de 2014, pela mão de Vicente del Bosque.
Thiago Alcântara, nascido na Itália, também se naturalizou espanhol. Filho do antigo jogador brasileiro Mazinho, Thiago possui três nacionalidades, mas desde os sub-16 que defende a seleção espanhola. O caso mais célebre diz, no entanto, respeito a Alfredo Di Stéfano, um dos melhores futebolistas da história, que nasceu em Buenos Aires, jogou no River Plate e nos colombianos do Milionarios entre 1953 e 1964, tendo depois representado o Real Madrid. Numa época em que havia muito mais liberdade para jogar por diferentes seleções, o antigo avançado regista a curiosidade de ter começado por alinhar pela Argentina (6 jogos/6 golos), depois pela Colômbia (4 jogos, sem golos marcados) e finalmente por Espanha, tendo marcado 23 golos em 31 internacionalizações por “La Roja”. Até 1990 foi mesmo o melhor marcador da história da seleção espanhola, apesar de só ter sido internacional durante quatro anos.
Não são muito comuns mas há casos inversos aos de Pepe. Zeca nasceu em Lisboa e optou por representar a seleção grega, enquanto Bruno Martins Indi, filho de pais guineenses, nasceu no Barreiro, mas ainda era bebé quando a família se mudou para a Holanda. Por isso, o central que representa o Stoke City decidiu defender as cores do país das túlipas.