Grande Futebol
O Lokomotiv desafiou os poderes instalados na Rússia e agora quer a Europa
2018-08-30 21:00:00
Contra todas as previsões, o Lokomotiv sagrou-se campeão russo. Agora, aposta forte para o regresso à Liga dos Campeões.

Yuri Semin é um caso especial. Poucos são os treinadores na história do futebol que se podem gabar de estar diretamente ligados às temporadas de maior sucesso de um clube como é o caso de Semin e do Lokomotiv Moscovo. Ao todo, o emblema ferroviário conquistou três títulos na história, todos eles, sob a orientação de Yuri Semin que em 2016 regressou ao comando técnico do Lokomotiv para a quarta passagem pelo clube, quinta, se contarmos com o seu percurso como jogador. Um regresso que colocou a hierarquia do futebol russo de pernas para o ar.

Desde a conquista da primeira divisão russa em 2004 que o Lokomotiv não se sagrava campeão nacional russo até que na temporada passada Yuri Semin fez regressar a equipa ao lugar mais alto do futebol do país. Desde então só em pontuais temporadas o Lokomotiv se aproximou do sucesso vencendo a Supertaça Russa em 2005 ou a Taça da Rússia em 2005, 2007 ou em 2016/17 já sob o comando de Yuri Semin. O sucesso do Lokomotiv confunde-se com Semin. Se o mago de Orenburg liderou o Lokomotiv aos três títulos nacionais do clube, também as duas Supertaça da Rússia conquistadas pelo Lokomotiv foram sob o comando técnico de Semin que conquistou também cinco das nove Taças da Rússia presentes no museu do clube.

Semin é uma figura respeitada no futebol moscovita e desde cedo escreveu história no futebol da cidade capital da Rússia. Na passagem pelo Spartak Moscovo, por exemplo, enquanto jogador, entre 1965 e 1967, foi autor dos dois primeiros golos europeus do Spartak, tendo passado os melhores momentos da carreira de futebolista no rival Dínamo Moscovo entre 1968 e 1971 onde venceu o seu único troféu enquanto jogador, uma Taça Soviética em 1970, numa carreira de futebolista que também envolveu o Lokomotiv. Semin passou por três dos históricos emblemas de Moscovo, mas foi no Lokomotiv que se tornou uma lenda. Não sobre os relvados, mas sentado no banco da equipa moscovita. O regresso ao clube, pela quarta vez, em 2016, permitiu ao Lokomotiv inverter a espiral negativa em que se encontrava e revirar por completo as forças do futebol russo.

Desde o terceiro lugar conseguido na temporada 2013/14 sob o comando técnico de Leonid Kuchuk - que se seguiu à pior campanha da história do Lokomotiv pós União Soviética com o nono lugar em 2012/13 com Slaven Bilic - que o Lokomotiv era uma equipa à deriva, seguindo-se a essa temporada um sétimo, um sexto e um oitavo lugar nas temporadas seguintes, esta última já sob o comando de Semin. Semin, porém, semeou os frutos que colheu na temporada seguinte onde contra todas as previsões levou o emblema moscovita ao título russo. Um triunfo que resultou do regresso do Lokomotiv às origens levando para o clube duas lendas do mesmo. Não só Semin, mas também Loskov.

O regresso de Semin ao comando técnico do Lokomotiv foi motivado pelo fim da paciência dos donos do Lokomotiv com a antiga presidente do clube, Olga Smorodskaya, que entre 2010 e 2016 liderou o clube durante um período de pouco fulgor do mesmo e de decisões que acabaram por ser avaliadas como discutíveis. Com a demissão da presidente do clube, deixou também o Lokomotiv Igor Cherevchenko, algo que abriu a porta à entrada de Ilya Herkus cuja primeira missão como presidente do Lokomotiv foi aproximar o clube dos adeptos, reparando uma relação fracturada pela antiga direção, fazendo-os regressar ao estádio. E que melhor medida a tomar do que fazer regressar ao clube moscovita duas lendas como Semin e Loskov, atual treinador adjunto de Semin e uma lenda do clube que representou em quase 400 jogos oficiais.

O impacto do regresso de Semin ao clube não foi imediato. Apesar da clara melhoria no ambiente em torno do clube, o facto do histórico técnico russo ter chegado ao clube já com a temporada em andamento não permitiu um melhor resultado do que o oitavo lugar na Liga Russa apesar do regresso aos títulos com a vitória na Taça da Rússia. As bases, porém, estavam lançadas e na temporada seguinte o Lokomotiv, com Manuel Fernandes e Eder, contra todas as expetativas, sagrou-se mesmo campeão russo pela terceira vez na história, todas elas sob o comando técnico de Semin, com o Lokomotiv a chegar ainda aos oitavos de final da Liga Europa caindo apenas aos pés do eventual vencedor Atlético Madrid.

O regresso do Lokomotiv à Liga dos Campeões pela primeira vez desde 2003/04 não foi ignorado pela direção do clube que, mais uma vez, se mostrou ambiciosa. Na verdade, o Lokomotiv entra em 2018/19 a apostar forte, juntando a nomes como Farfán, Eder, Manuel Fernandes, os irmãos Miranchuk, Corluka, Rybus ou o histórico Denisov, figuras fortes do futebol russo como Fedor Smolov, Bryan Idowu ou até o promissor Rifat Zhemaletdinov, mas também Benedikt Höwedes ou o médio polaco ex PSG, Grzegorz Krychowiak. Uma aposta forte que promete tornar o Lokomotiv num dos possíveis candidatos a equipa surpresa da competição, mesmo que à primeira vista o conjunto russo tenha surgido no Pote 1 do sorteio como o “brinde” da competição.

JOGADOR A SEGUIR: Aleksey Miranchuk

O jovem avançado de 22 anos, e irmão de Anton Miranchuk que é também colega de equipa no Lokomotiv, é uma das grandes figuras da nova vaga do futebol russo, ainda que tenha passado despercebido no Campeonato do Mundo disputado este verão no seu país. Membro da equipa do Lokomotiv Moscovo que na temporada passada quebrou um longo jejum de títulos nacionais russo, Miranchuk leva já 19 internacionalizações pela equipa russa nas quais apontou quatro golos. Ao serviço do Lokomotiv, na temporada passada, Aleksei Miranchuk participou em 41 jogos, apontou oito golos e rubricou onze assistências, tendo feito dele uma das grandes figuras do título surpreendente do Lokomotiv e um dos grandes desequilibradores da competição.

PLANTEL

Guarda Redes: Guilherme, Nikita Medvedev, Anton Konchenkov;
Defesas: Höwedes, Solomon Kvirkvelia, Vedran Corluka, Taras Mykhalyk, Maciej Rybus, Mikhail Lysov, Bryan Idowu, Timofey Margasov, Boris Rotenberg;
Médios: Grzegorz Krychowiak, Dmitri Barinov, Dmitri Tarasov, Igor Denisov, Anton Miranchuk, Aleksandr Kolomeytsev, Vladislav Ignatjev, Aleksey Miranchuk, Manuel Fernandes;
Avançados: Jefferson Farfán, Rifat Zhemaletdinov, Fedor Smolov, Eder

O ÚLTIMO ONZE (4-2-3-1)

Guilherme; Lysov, Kvirkvelia, Corluka e Rybus; Denisov e Krychowiak; Farfán, Miranchuk e Manuel Fernandes; Smolov