Grande Futebol
"O drama deles é que não podem fazer queixinhas porque cá castigam quem reclama"
Redação
2021-03-29 12:00:00
"Aqui os clubes se falarem, se os treinadores falarem ou se os jogadores falarem são castigados", diz Octávio

Portugal viu um golo de Cristiano Ronaldo frente à Sérvia, no passado sábado, não se validado, apesar de as imagens televisivas mostrarem que a bola ultrapassou a linha totalmente.

A equipa de arbitragem não assinalou, o jogo não contava com o sistema de videoarbitragem ou tecnologia da linha de golo e, apesar dos protestos lusos, a partida terminou empatada a duas bolas e não com vitória lusa por 3-2, como poderia ter terminado o jogo se o golo de Ronaldo tivesse sido validado.

Agora, muitos portugueses entendem e desafiam a Federação Portuguesa de Futebol a apresentar queixa na UEFA e na FIFA para que tal situação não se volte a repetir.

António Oliveira, ex-selecionador, por exemplo, desafia o organismo liderado por Fernando Gomes a jogar sob protesto para mostrar que a turma das quinas está indignada com o que lhe aconteceu.

Octávio Machado entende que na Federação Portuguesa de Futebol reina uma dúvida e um "drama" por causa desta situação, explicando-se.

"Aqui os clubes se falarem, se os treinadores falarem ou se os jogadores falarem são castigados", lembra Octávio Machado, destacando que a Federação não saberá agora o que fazer.

"O drama deles é que não podem fazer queixinhas porque cá castigam quem reclama. Este é que é o drama deles", disse Octávio Machado, realçando que a Federação não pode ter duas formas de agir interna e externamente.

"Não podemos falar alto lá fora porque cá dentro quem fala é castigado. Até dizem que as multas são leves. É só isto mais nada. Tem que haver moral para fazer as coisas", diz Octávio Machado, notando que "a Federação Portuguesa de Futebol não tem moral".

E insiste, em comentário na CMTV: "Cá castiga quem protesta e quem é prejudicado e não reconhece os erros."

Mas para Rodolfo Reis, ex-capitão do FC Porto, é preciso mostrar a indignação. "Vale a pena fazer grande barulho. Não é comer e calar. Não pode. Não vai dar nada mas tem que se faz algo. Não podemos ser os coitadinhos", afirmou Rodolfo Reis.

O ex-futebolista português diz que "isto não é para comer e calar". "A Federação Portuguesa de Futebol tem de tomar uma posição de força", desafia Rodolfo Reis, notando que o que se passou na Sérvia tem de merecer uma reflexão.

"Isto é muito grave. Não se pode comer e calar. Temos voz para falar e dizer o que pensamos", explicou Rodolfo Reis, na CMTV, percebendo que as queixas possam não ter eco na UEFA e na FIFA.

"Eu não ando aqui há dois dias", considerou mas, mesmo assim, entende que Fernando Gomes não pode ignorar o golo que não foi validado a Cristiano Ronaldo.

"Vamos continuar a ser comidos e engolidos? É importante falar", aconselhou Rodolfo Reis.

Portugal empatou 2-2 com a Sérvia, no sábado, após desperdiçar uma vantagem de dois golos, em Belgrado, num encontro da segunda jornada do Grupo A do apuramento para o Mundial2022 de futebol que ficou marcado por um final polémico.

Já sobre o final dos descontos, período em que a Sérvia ficou reduzida a 10, por expulsão de Milenkovic, Cristiano Ronaldo ainda conseguiu introduzir a bola na baliza contrária, mas, sem ajuda tecnológica, a equipa de arbitragem não viu assim o lance.