Odegaard estreou-se pelo Real Madrid, em 2015, quando substituiu Cristiano Ronaldo durante um jogo da Liga Espanhola.
Com o mundo a seus pés aos 16 anos e rogado ao esquecimento do futebol mundial um par de épocas depois. Tem sido, assim, a ainda curta carreira de Martin Odegaard, jovem norueguês contratado pelo Real Madrid em janeiro de 2015, prometido como a próxima grande estrela do futebol europeu, qual diamante pronto para lapidar. Quando chegou à capital espanhola, a juventude levou o nórdico para os recantos da equipa secundária dos merengues e a sede de competição resultou em dois empréstimos consecutivos ao SC Heerenveen, clube holandês que ainda não testemunhou o melhor futebol que Odegaard já demonstrou ter para oferecer.
Agora com 19 anos, até já o próprio jovem norueguês admitiu que a estadia no Heerenveen não tem deslumbrado. “Dois golos e uma assistência… não estou feliz com isso, mas felizmente não são apenas essas estatísticas que são importantes no futebol. O mais importante é ser criativo e contribuir para o desenvolvimento do jogo e dos nossos golos”, reconheceu Odegaard, citado pelo AS, em estágio com a seleção da Noruega, pela qual já conta onze internacionalizações. Ainda assim, apesar de os números em solo holandês não estarem a deixar água na boca dos amantes do desporto rei, a verdade é que Odegaard já sabe onde vai passar este verão. “Espero acabar a época da melhor forma possível no Heerenveen. Vou fazer a pré-época em Madrid este verão e depois veremos o que acontece.”
Embora continue sem convencer totalmente, o norueguês de 19 anos até demonstra, aqui e ali, traços da qualidade técnica que lhe é conhecida. Prova disso mesmo foi o golaço que marcou na goleada consentida pelo Heerenveen às mãos do Ajax (4-1), a 11 de março. Não obstante o desaire da equipa, Odegaard conseguiu chamar a si próprio toda a atenção, ao assinar o momento do jogo, com um portentoso remate de fora da área com o pé esquerdo, num lance em diagonal para o centro, tal como tem produzido recorrentemente, até pela posição de extremo direito em que tem jogado.
Os números não falam muito alto neste caso, mas a verdade é que Odegaard soma, nesta temporada, 2714 minutos dentro das quatro linhas, divididos por 32 partidas, entre Heerenveen, seleção A e Sub-21 da Noruega. Razões que levam o Real Madrid a não colocar de parte toda a fé que depositou ao adquirir o passe de um jovem de 16 anos, em 2017, ao Strømsgodset IF, por 2,8 milhões de euros. “O Real Madrid ainda tem fé em mim. Eles disseram que estariam a monitorizar a forma como estou a evoluir e que ainda pretendem investir em mim. Não tenho estado a falar com o Zidane tão regularmente nestes dias, mas falo de forma regular com o departamento de scouting. Eles vêm ver os meus jogos e seguem-me de perto”, confidenciou Odegaard em junho de 2017, ao canal televisivo norueguês TV2.
Dois anos neste mundo instantâneo que é o futebol, são mais que suficientes para alguém cair do topo da montanha até ao fundo do poço, ou, neste caso, da ribalta mediática que é ser contratado pelo Real Madrid antes de ser maior de idade e de um consequente esquecimento. “Toda a atenção gerada em torno de Odegaard por um ano desapareceu. O futebol, impaciente, seguiu em frente para outros prodígios. Enquanto Odegaard assina autógrafos e posa para fotos durante uma fria noite nesta cidade do norte da Holanda [Heerenveen], é impossível não pensar que ele está muito distante do Real Madrid, muito distante de onde estava destinado a estar…”, são palavras, assinadas por Rory Smith, jornalista do New York Times, que descrevem na perfeição precisamente tudo aquilo que Odegaard está a vivenciar.