Grande Futebol
"Nem Deus agradou a todos, vai um indivíduo chamado Abel Ferreira agradar?"
Redação
2021-03-28 22:20:00
Treinador do Palmeiras garante não se preocupar com as críticas

O treinador português Abel Ferreira tem vivido em ‘estado de graça’ desde que levou o Palmeiras à conquista da Taça Libertadores, no final de janeiro. Esse bom momento do técnico foi reforçado com a vitória, no início deste mês, na Taça do Brasil.

Ainda assim, volta e meia surgem algumas críticas direcionadas a Abel Ferreira, agraciado há dias pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com a Ordem do Infante D. Henrique, pelos serviços relevantes prestados ao país. Mas essas críticas não perturbam o técnico.

“Em relação a isso, sou muito pragmático. Infelizmente, nem Deus agradou a todos, daí vai um indivíduo chamado Abel Ferreira agradar? Impossível”, reagiu.

“No Brasil, França, Inglaterra, Espanha, o que acontece é: se joga muito no tiki-taka, é porque joga no tiki-taka, não se faz um futebol mais direto; se a equipa é muito intensa e competitiva, é porque é muito intensa e competitiva, então não joga nada; se uma equipa só ganha, é porque só ganha; se uma equipa só ganha nos últimos minutos, vão falar que é sorte, que não há trabalho”, complementou o técnico.

Em entrevista ao jornal A Bola, Abel mostrou-se ciente de que o ‘estado de graça’ não vai durar sempre, pois “um treinador e uma equipa vivem de resultados”. Para já, o Palmeiras aproveita o embalo de algumas “exibições fantásticas”.

“Temos que saber onde estamos, o tempo que temos para treinar e percebermos que durante quatro meses tivemos exibições fantásticas, contra o Athletico Paranaense (3-0, no Brasileirão), contra o Corinthians (4-0, no Brasileirão) e também contra o River Plate (3-0, na Libertadores) – que, em termos de jogo jogado, não foi espetacular, achei que foi um jogo tático, um jogo em que tínhamos de ser altamente inteligentes, visto que o nosso adversário era melhor, tinha melhores jogadores e melhor treinador. Dizer isso não é fraqueza, é uma virtude. Nós tínhamos a nossa possibilidade, por isso o futebol é mágico”, comentou.

A aproveitar um período de férias em Portugal, Abel revelou que o Palmeiras não lhe “exigiu títulos”, mas sim que colocasse a equipa a jogar de forma a entusiarmar os adeptos, pois num campeonato “extremamente competitivo” como o brasileiro há “muitas equipas a lutar pelo mesmo” objetivo.

“Não prometi títulos, prometi trabalho e dedicação e prometi valorizar os jogadores que tínhamos na formação. No Brasil, não competimos sozinhos, os adversários ganham tanto ou mais do que nós, competem para os mesmos objetivos, com o mesmo material”, insistiu.

O treinador do Palmeiras deixou, ainda assim, um recado a quem diz que o clube já teve melhores plantéis do que o atual, lembrando que é o coletivo que ganha títulos.

“Ganhamos como equipa. Podemos eventualmente ter o melhor plantel e também o melhor treinador, não ter as melhores individualidades, mas este grupo conseguiu formar a melhor equipa, e para se ganhar no futebol é preciso ganhar em equipa. Mostramos unidade, espirito competitivo e uma grande união”, concluiu Abel Ferreira.