Avançado estreou-se com a camisola merengue, diante a AS Roma, só esteve 17 minutos em campo mas saiu com um golaço
Mariano Diaz protagonizou o momento mais alto no Santiago Bernabéu na estreia do Real Madrid na Liga dos Campeões diante da AS Roma, ao marcar um golaço (ver vídeo abaixo) no claro triunfo dos merengues por 3-0, naquela que poderá ser a primeira página de um livro recheado de belas histórias com a camisola 7 do Real Madrid, o número que o clube lhe entregou para fazer esquecer Cristiano Ronaldo, transferido para a Juventus no último defeso.
Coincidência, ou não, na mesma noite em que a 357 km do Santiago Bernabéu o internacional português chorava por ter sido expulso diante o Valência CF, na “Casa Branca” o dominicano Mariano era lançado no jogo aos 73 minutos para o lugar de Gareth Bale e quase a fechar o jogo fazia um golo para a eternidade. No banco, Julen Lopetegui escondia o sorriso com uma expressão séria, mas lá no fundo o técnico espanhol sentia que a aposta de o querer de volta a uma casa que o formou começava a ser ganha.
De jogador da cantera de Madrid a atleta contratado ao Olympique Lyon. Esta é, no fundo, a história futebolística de Mariano cuja contratação não foi recebida por todos com satisfação, devido ao seu passado catalão. Mariano Diaz nasceu em Barcelona. Mas isso passou ao lado dos dirigentes do Real e de Julen Lopetegui que após a saída de Cristiano Ronaldo foram insistindo na necessidade de reforçar o ataque. E Mariano era o segredo mais bem guardado e uma aposta que Lopetegui via com bons olhos, dada as soluções atacantes que o avançado dominicano, nascido em Espanha, permitia.
A história de Mariano não é, no entanto, única, a de um jogador formado nas categorias inferiores do Real Madrid que tapado por nomes de peso na equipa principal sai do clube em busca de mais minutos (em 2016/17, com Zidane fez 14 jogos e marcou 5 golos) e regressa contratado pela competência revelada. Aconteceu assim com Álvaro Arbeloa, Dani Carvajal, Álvaro Morata e Lucas Vázquez, por exemplo. Arbeloa, por exemplo, foi transferido para o Deportivo Corunha em 2006 por 1,3 milhões de euros. Depois da afirmação no Liverpool FC, o Real recuperou-o por quatro milhões, em 2009. Quando o Real Madrid decidiu vender Carvajal ao Bayer Leverkusen, em 2012, por cinco milhões de euros, fê-lo com opção de compra. Após ser incluído no onze ideal da Bundesliga dessa época, o clube merengue contratou-o, uma época depois, a troco de 6,5 milhões de euros. Álvaro Morata mudou-se para a Juventus em 2014. O clube de Turim pagou 20 milhões de euros pelo avançado espanhol, mas o Real Madrid ficou com opção de compra de 30 milhões que podia exercer nas três épocas seguintes, o que acabou por acontecer em 2016. Por último Lucas Vázquez, transferido para o Espanyol a troco de 500 mil euros, em 2014, com o Real Madrid a reservar uma opção de compra para os anos seguintes. Exerceu-a em 2015 por um milhão.
Aquilo que Mariano fez no Olympique Lyon na última época acabou por convencer o Real Madrid a resgatar o avançado dominicano que ao serviço da equipa francesa marcou 21 golos em 44 jogos e tornou-se numa das grandes revelações da Liga francesa. Depois de um contacto telefónico de Lopetegui com o jogador, no último defeso, a confirmar o interesse em tê-lo de volta ao Bernabéu, o clube de Madrid acionou a cláusula de recompra do jogador de 25 anos junto do clube francês, por 23 milhões de euros, segundo a imprensa espanhola avançou, com o Real Madrid a comprar 65 por cento do passe do jogador (o clube espanhol já tinha os restantes 35 por cento). O Lyon tinha pago oito milhões por Mariano em 2017.
Ao ficar com a camisola 7, o avançado espanhol-dominicano assumiu a grande responsabilidade que era envergar a camisola daquele que foi o ídolo do clube de Madrid durante nove temporadas, mas também reconheceu ser um motivo especial de motivação, por tudo aquilo que Cristiano Ronaldo conseguiu alcançar no clube merengue. “Hoje é um dia incrível. O dia mais feliz da minha vida. Eu volto para minha casa para realizar um sonho, que é estar aqui no Real Madrid. Para mim, o mais importante não é o número. É um desafio, um orgulho usar o número que muitas lendas carregam”, disse. “Este é o clube dos meus sonhos. Se o Real Madrid está interessado em mim, eu devo a este clube, que é o que me criou. É o que me faz estar aqui”, acrescentou. A própria apresentação do jogador, que reuniu a família (esposa e pais) para a fotografia da praxe fez lembrar Ronaldo.


Mariano rodeado da esposa e dos pais no dia da apresentação como reforço do Real Madrid (foto à direita); Mariano, o novo número 7 dos merengues, festeja o golo do Real diante da AS Roma (Foto à esquerda). (Fotos Facebook e Rodrigo Jimenez/EPA)
E os primeiros passos em campo não podiam ter sido melhores. Estreou-se esta temporada com a camisola merengue, só esteve 17 minutos em campo, mas saiu com um golo que nunca mais vai esquecer. Mariano Diaz tem à espera dele o papel de suplente, num ataque com Bale, Benzema e Asensio, mas é a primeira alternativa, o que lhe poderá dar os tais minutos que ambiciona conquistar com a camisola do Real Madrid e quem sabe conquistar uma chamada à seleção espanhola, num momento em que se inicia um novo ciclo com Luis Enrique.
Mariano Diaz, de 25 anos, alimenta o sonho de ainda poder jogar pela seleção espanhola. Apesar de já ter alinhado pela seleção da República Dominicana, com o Haiti em 2013, no qual marcou, não o fez num jogo oficial pelo que ainda pode estrear-se pela seleção espanhola. E a primeira lista do selecionador Luis Enrique, ao apresentar muitas caras novas, deu esperança a muitos jogadores de poderem vir a ser chamados. Mariano não foge à regra. “Gostava muito de receber um telefonema de Luis Enrique. Espero um dia estar na seleção espanhola”.
Veja o golo de Mariano à AS Roma que fez esquecer Cristiano Ronaldo:
https://playbuffer.com/watch_video.php?v=5K8AY6BXS677