E na próxima temporada vai competir nos campeonatos profissionais de Itália
Em Verona há uma equipa treinada pelo mesmo homem há 36 anos e essa equipa é liderada pelo mesmo presidente há 36. O treinador chama-se Luigi Fresco e o presidente é… Luigi Fresco. Pois. Esta é a prova de que em terras de Romeu e Julieta é possível o amor eterno. Mas esta história não se fica por esta curiosidade. O Virtus Vecomp conquistou o direito de disputar os campeonatos profissionais na próxima temporada, e uma coisa é certa: o treinador vai continuar.
Situado no bairro de Borgo Venezia e fundado em 1921, este pequeno clube de Véneto, no norte de Itália, competiu sempre como equipa amadora até a sua subida à Serie C2, em 2013, uma aventura que durou apenas um ano. Mas a peculiaridade deste clube reside no facto de Luigi Fresco acumular as funções de treinador e de presidente há 36 anos e de agora ter carimbado o regresso aos escalões profissionais do futebol italiano.
Luigi Fresco entrou para a direção logo após atingir a maioridade, isto porque Sinibaldo Nocini, então presidente do Virtus rejeitou a entrada de Fresco, no clube, em idade menor, mas não terá sido por falta de insistência do jovem Luigi, que naqueles dias já se via como conselheiro do clube. Pouco tempo depois de fazer 18 anos, Luigi conseguiu o que sempre quis e pouco tempo depois, em 1982, chegou à presidência… e ao banco. É desde então treinador e presidente do Virtus.
Mas aguarde. Se julga já ter condições suficientes para se apaixonar pela história deste pequeno clube italiano então prepare-se porque há mais para contar.
Para além da vertente desportiva, o Virtus Vecomp é também uma Organização Não Governamental (ONG) comprometida com questões sociais. A associação Vita Virtus, controlada pelo clube, cuida da integração dos migrantes em Verona e também se especializou em atividades para jovens e crianças. O atual guarda-redes do Virtus, Sibi Sheik, chegou a Itália a bordo de um barco de refugiados oriundos da Gâmbia e na próxima temporada estará a competir nos campeonatos profissionais de Itália.
Num ano muito complicado para as outras duas equipas de Verona – Chievo e Hellas estão em lugares de descida ao segundo escalão do futebol transalpino quando faltam três jogos para o fim da Serie A – a história de amor entre Luigi Fresco e o clube que dirige há 36 anos prova que em terras de Romeu e Julieta nem todos os amores são platónicos.