O novo treinador do Dortmund é um homem de poucas palavras e que não gostava de ser agricultor
O novo treinador do Borussia Dortmund é o mesmo que fez explodir Marco Reus, que acreditou em Marc ter Stegen quando tinha apenas 18 anos e que colocou o OGC Nice a lutar pelo título de campeão francês. É um homem que aprendeu a arte de marcar golos a chutar contra o portão do estábulo da quinta onde vivia na Suíça. Quem trabalhou com ele garante que é um homem respeitador, mas que exige respeito. O Bancada falou com Sergio Bastida, o argentino que se cruzou com Favre no FC Zurique e que recordou “um homem sério e de poucas palavras, mas muito trabalhador.”
Aliás, foi na base do respeito que Lucien Favre transformou, aquilo que toda a gente pensou que seriam umas férias para Mario Balotelli na Costa Azul francesa, nas duas melhores épocas, de forma consecutiva, da carreira do problemático italiano. “Não é difícil se tivermos respeito pelo Mario e o Mario tiver com os outros”, explicou, um dia, o treinador suíço. “Ele treina bem. Eu pedi-lhe para correr um pouco mais atrás da bola para a recuperarmos mais rápido, mas fi-lo sem gritos”, revelou o treinador suíço, em declarações reproduzidas no site da Bundesliga.
“Ele é um homem muito tranquilo, não é muito falador, mas trabalha muito bem. Aliás, os resultados estão à vista”, começou por dizer Sergio Bastida. “Eu joguei pouco nessa altura porque me lesionei no joelho, mas como equipa tivemos muitos bons momentos e acabámos campeões”, recordou Bastida em conversa com o Bancada. “Mais que nada, é uma pessoa muito séria”, enfatizou o antigo avançado do FC Zurique.
Este treinador é o mesmo que fez explodir Marco Reus, que acreditou em Marc ter Stegen quando tinha apenas 18 anos e que colocou o OGC Nice a lutar pelo título de campeão francês. É um homem que aprendeu a arte de marcar golos a chutar contra o portão do estábulo da quinta onde vivia na Suíça.
“Não havia mais nada senão futebol, naqueles dias”, recordou Lucien Favre que em garoto se viu, a contragosto, feito num agricultor na pequena vila de St. Barthelemy no cantão francês da Suíça. “De vez em quando tinha de ajudar com as tarefas na quinta, mas, sinceramente, não me agradava muito”, revelou Lucien Favre em declarações reproduzidas pelo site da Bundesliga.
A verdade é que o jovem Lucien arranjou maneira de emprestar bom uso ao tempo que passava na quinta. Os seus pais poderiam ter uma opinião diferente naquela altura, mas os momentos que aproveitou para chutar a bola contra os portões do estábulo fizeram com que se tornasse num médio de propensão ofensiva de muita classe. Começou no Lausanne-Sport, mas foi ao serviço do Servette que se notabilizou, tendo sido distinguido como o melhor jogador suíço em 1983.
Em 1991 colocou um ponto final na sua carreira como jogador, marcada por 24 internacionalizações ao serviço da seleção suíça, para dar início à carreira de treinador… mas com um pé atrás. “Eu não tinha a certeza se ser treinador era para mim”, reconheceu Lucien Favre que, por via das dúvidas, decidiu experimentar a arte de comandar uma equipa quando aceitou o cargo de treinador… nos iniciados do FC Echallens.
Daí até ao futebol profissional foi um saltinho. Aprendeu com Arsène Wenger e Rafael Benítez e aproveitou a indecisão de Joachim Löw – que era a primeira opção – para se tornar o treinador da equipa principal do FC Zurique. Com o antigo agricultor chegaram, a Zurique, os títulos: dois campeonatos e uma taça da Suíça. As notícias das proezas de Favre chegaram a Berlim e não tardou muito até o treinador helvético ser apresentado no Hertha, em 2007.
Mas foi ao serviço do Borussia Monchengladbach que Lucien Favre mostrou, realmente, de que massa era feito. Para além de ter sido o grande responsável pela explosão do enorme talento de Marco Reus e de ter apostado em Marc ter Stegen quando este tinha apenas 18 anos, foi o treinador suíço que devolveu o Gladbach à Liga dos Campeões 37 anos após a última participação do histórico clube alemão na prova maior de clubes da UEFA. Tudo isto suportado com uma qualidade de jogo que encantou a Europa.
É com curiosidade que se aguarda o casamento de uma das equipas com mais predisposição para praticar futebol ofensivo, com um treinador que tem por hábito dar um cunho identitário muito forte às equipas com quem trabalha. A Bundesliga ganhou mais um ponto de interesse.