UEFA estuda hipótese inédita como reação a uma eventual Superliga europeia
A UEFA está a estudar a hipótese inédita de passar os jogos da Liga dos Campeões para o fim de semana como reação à eventual criação de uma Superliga europeia deixando as terças e quartas-feiras livres para as competições nacionais.
Onze clubes históricos das cinco principais ligas europeias (Espanha, Inglaterra, Alemanha, Itália e França), aos quais se juntam mais cinco equipas convidadas desses países, trabalham na possibilidade de criar uma Superliga de 16 equipas para começar em 2021, substituindo a Liga dos Campeões e fugindo do controlo da UEFA.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, já reagiu a esta eventualidade e admitiu banir os futebolistas que possam vir a jogar numa eventual Superliga Europeia, competição que, a ser criada, não ficaria, desta forma, na estrutura liderada pelo organismo que habitualmente gere o futebol europeu. “Ou estão dentro, ou estão fora”, frisou o líder da FIFA, referindo-se a competições como o Campeonato do Mundo, o Europeu e até mesmo os campeonatos nacionais.
Esta é a primeira medida reativa contra o plano de se realizar uma Superliga Europeia de Clubes, mas os responsáveis dos principais campeonatos (Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália) já avisaram que estão contra este modelo e que se recusam a abdicar dos fins de semana para disputar a Champions.
A questão é que pelo menos onze clubes de futebol de Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França estão dispostos a avançar este mês com um acordo para a criação da tão falada Superliga Europeia, que visa ser alternativa à UEFA, após fugas de informação que puseram em causa a instituição. A notícia foi revelada pelo jornal “Expresso”, que teve acesso a um documento confidencial datado de 22 de outubro referindo que o acordo para esta Superliga Europeia de 11 clubes, aos quais se juntarão depois cinco convidados, seria assinado este mês para a competição ser oficialmente criada em 2021. O acordo prevê a criação de uma organização multinacional, com poderes administrativos, financeiros e disciplinares, formando uma estrutura muito semelhante, ainda que numa escala mais pequena, à que tem atualmente a UEFA.
Os onze clubes fundadores tornados públicos através da divulgação do documento são o Real Madrid, o FC Barcelona, o Manchester United, o Manchester City, o Chelsea, o Arsenal, o Liverpool FC, o Paris Saint-Germain, a Juventus, o Milan e o Bayern de Munique. Depois, como convidados, serão incluídos o Atlético de Madrid, o Olympique Marselha, o Inter de Milão, a AS Roma e o Borussia de Dortmund. Ou seja, da lista final dos 16 clubes não faz parte qualquer equipa portuguesa.
De acordo com o jornal espanhol “AS”, uma decisão formal do organismo que gere o futebol europeu será tomada a 3 de dezembro em reunião do Comité Executivo da UEFA, que decidirá também sobre duas temáticas relevantes: o uso do VAR e se haverá luz verde para uma possível terceira competição continental de clubes, que elevaria para 96 o número de equipas participantes nos torneios europeus.