Durmaz cometeu a falta que resultou no golo de Kroos frente à Suécia e desde aí conheceu a raiva de muitos adeptos.
Insultos, ameaças… a vida de alguns futebolistas costuma ser pautada por estas condicionantes quando cometem um erro grave num dos principais clubes do futebol mundial. Jimmy Durmaz, internacional sueco, conheceu este lado mais triste do desporto rei recentemente e tudo por causa de um lance que marcou o jogo entre a Suécia e a Alemanha, para a segunda jornada da fase de grupos do Mundial. De origem turca, o jogador do Toulouse FC foi visado com comentários racistas e até ameaças de morte, primordialmente nas redes sociais, na sequência de ter cometido a falta que resultou no golo de Kroos aos 95 minutos, dando o triunfo aos germânicos por 2-1.
Durmaz entrou aos 74 minutos do encontro de sábado, então com o resultado empatado a uma bola para cada lado. Porém, o pior estava para acontecer. Já no tempo de compensação, a escassos segundos do apito final, o médio travou Timo Werner em falta junto à área sueca. Kroos combinou com Reus e desferiu um remate potente que resultou no primeiro triunfo da Alemanha no Campeonato do Mundo e que complicou as contas dos escandinavos, que em caso de empate ficariam com quatro pontos em duas partidas. O que se seguiu foram várias ameaças e comentários racistas na conta de Instagram de Durmaz, que nasceu na Suécia filho de pais com origem síria, mais precisamente, emigrados da Turquia.
A Federação de Futebol da Suécia veio prontamente repudiar a situação e dar conta de que iria denunciá-la. “Sempre recebi comentários de ódio nas minhas redes sociais, não há perigo, que continuem a fazê-lo. Quando alguém sofreu toda a vida, já está acostumado, não importa. Estou aqui, orgulhoso de representar o meu país”, já tinha referido Durmaz em declarações aos meios de comunicação social do país. Este domingo, surgiu a resposta da parte do próprio, através de vídeo, acompanhado por toda a seleção sueca presente na Rússia.
“Sou futebolista de alto nível, sermos criticados é algo com que temos que viver, faz parte do nosso trabalho e aceitamo-lo a cada dia da semana. Mas, ser chamado de escuro sangrento, suicida, e receber ameaças de morte para a minha família e o meu filho é completamente inaceitável. Sou sueco e estou orgulhoso de o ser ao vestir esta camisola e levando a nossa bandeira. Ao mesmo tempo, gostaria de agradecer a todas as pessoas amáveis e encantadoras que demonstraram o seu apoio. Mantemo-nos unidos. Somos Suécia!”, referiu Durmaz, com um “fod*** o racismo” gritado por todos os presentes.
Os companheiros e colegas de seleção de Durmaz também não tardaram a reagir com desagrado à situação em que o médio se encontra. “É demasiado, põe-me de muito mau humor, que as pessoas tenham mais respeito. Diria-lhes umas quantas coisas se os encontrasse. Não pode passar em claro, irrita-me muito e fico muito triste”, lamentou Emil Forsberg. Nas palavras do central Pontus Jansson, os comentários racistas “não tem nada que ver” com o futebol e Durmaz “sabe que todos estamos com ele, igualmente como a maior parte da população sueca”. “Não se pode dizer nada de mal sobre o Jimmy. Que vão à mer** todos aqueles que colocam a culpa só numa pessoa. Ganha-se e perde-se como uma equipa”, salientou Albin Ekdal. O selecionador da Suécia, Janne Andersson, mostrou-se “desagradado” como tudo o que se passou. A verdade é que os suecos ainda têm possibilidades e seguir em frente no Mundial. Mas, será que uma situação destas proporções não terá dano nos jogadores que estão presentes na Rússia?