Hoje a bola volta a rolar e os holofotes acendem-se para o arranque de mais uma edição da Liga dos Campeões. Para qualquer adepto, o ritual é inconfundível: as equipas alinham-se no relvado, a câmara percorre os rostos concentrados dos jogadores e, de repente, ressoam as primeiras notas nas colunas do estádio. A pele de galinha é imediata.
Mas a aura quase religiosa da maior prova de clubes do mundo não nasceu por acaso. Em 1992, a UEFA desenhou um ecossistema visual e sonoro assente em elementos históricos improváveis que hoje fazem parte do imaginário do futebol.
O hino que nasceu na coroação de um Rei
A música que arrepia milhões não foi composta num estúdio moderno. A melodia original remonta a 1727, quando George Frideric Handel escreveu a peça Zadok the Priest para a coroação do Rei Jorge II da Grã-Bretanha.
Quando a UEFA quis renovar o torneio em 1992, encomendou ao britânico Tony Britten algo com imponência monárquica. Britten adaptou a obra de Handel, adicionou uma orquestra solene e escreveu uma letra interpretada nos três idiomas oficiais da UEFA (francês, alemão e inglês).
Frases diretas como “Die Besten, Les Grandes Équipes, The Champions” bastaram para erguer o cântico sagrado do futebol europeu.
A “Orelhuda”: 340 horas de prata na Suíça
O troféu original da antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus ficou em definitivo com o Real Madrid em 1966. Sem taça para a época seguinte, a UEFA recorreu ao artesão Jörg Stadelmann, em Berna.
Stadelmann moldou a peça em prata esterlina ao longo de 340 horas de trabalho manual. As pegas proeminentes do design, desenhadas de propósito para facilitar o manuseamento durante a celebração no pódio, renderam-lhe a famosa alcunha de “orelhuda”.
Com 73,5 centímetros e 7,5 quilos, tornou-se a taça mais cobiçada do planeta futebol.
A constelação de oito estrelas
Para unificar a imagem do torneio, foi concebido o logótipo em forma de bola pontilhada por estrelas.
O detalhe que muitos desconhecem é o seu significado original: cada uma das oito estrelas representava os oito clubes pioneiros que disputaram a primeira fase de grupos do novo formato em 1992.
Quando o apito inicial soar hoje, recorde-se de que o espetáculo em campo é emoldurado por reis, artesãos e estrelas. Um cenário desenhado ao pormenor para perpetuar a magia da Champions.
