Basta à Islândia vencer o último classificado, o Kosovo, para fazer história e estar pela primeira vez num Mundial
A espetacular vitória por 3-0 na Turquia, aliada ao empate da Croácia em casa perante a Finlândia, a um golo, colocou a Islândia no topo do grupo I e à beira de fazer história, o mesmo é dizer à beira de conseguir uma presença inédita no Mundial, depois de ter feito sensação no último Europeu onde Portugal se sagrou campeão. Para isso, basta ao país que tornou célebre o “Haka” no Campeonato da Europa em França vencer fora de portas o Kosovo, último classificado, na derradeira jornada.
Altos, loiros, mas já um bocadinho menos toscos do que a ideia inicialmente instituída relativamente aos jogadores nórdicos, os islandeses voltaram esta sexta-feira a fazer sensação sob a batuta do incansável Bjarnarson. A evolução do futebol islandês teve, aliás, expressão no recente Campeonato da Europa de futebol conquistado por Portugal. A Islândia deixou boa imagem, começou mesmo por empatar no primeiro jogo do Europeu a um golo com a Seleção Nacional e só saiu de prova nos quartos-de-final da competição aos pés da equipa da casa, a França, no Stade de France, em Saint-Denis, nos quartos-de final, isto já depois de ter eliminado a Inglaterra e ter tornado célebre o “Haka”, bem ao estilo neo-zelandês.
São muito poucos, quase nenhuns, os internacionais islandeses que jogam no seu país. Basta atentar no caso do HF Hafnarfjordur que fez a vida engra ao SC Braga no “play-off” de acesso à Liga Europa e que, apesar de ser campeão nacional, só teve um jogador na seleção islandesa: o avançado Finnbogason.
Dos 23 convocados, 13 jogadores da seleção que marcaram presença no Euro mudaram de clube desde o fim da competição, mostrando que o torneio foi, de certa forma, um marco para boa parte deles. Alguns protagonizaram contratações de peso como o guarda-redes Ragnar Sigurdsson, que saiu do Krasnodar, da Rússia, para ser titular no Fulham, da Inglaterra, por quase cinco milhões de euros e o atacante Jon Bödvarsson, que também ganhou espaço no futebol inglês, deixando o Kaiserslautern, da Alemanha, para o Wolverhampton, por 3,5 milhões de euros. Já Bjarnason é uma das figuras do Aston Villa.
De resto, vermos islandeses em ligas fortes não é propriamente novidade. Basta atentar no caso do veterano Eidur Gudjohnsen, de 38 anos, que alinhou no Tottenham, AS Mónaco, Chelsea e FC Barcelona. Tanto como colocar os atletas da Islândia em evidência, as boas campanhas recentes da seleção fizeram também crescer o futebol no país. Atingir o nível da seleção é algo que, para já, não é possível nos clubes, cuja competição interna decorre entre abril e outubro, o que acentua o “handicap” financeiro que afasta os melhores jogadores do campeonato, emigrando para a Bélgica, Holanda, Noruega ou Inglaterra.
Com uma média de idades acima dos 27 anos, a Islândia não é propriamente uma equipa jovem. Mas, boa parte dos jogadores desta geração histórica ainda terá muito para dar ao futebol. A atual seleção islandesa deixará certamente um legado importante para a próxima geração. Assegurar a primeira presença num Campeonato do Mundial é agora uma questão de honra para um povo que vive o futebol de um modo muito particular.
Treinador
Heimir Hallgrímsson (50 anos)
Guarda-redes
Hannes Halldórsson (FK Bodø/Glimt/Noruega)
Ingvar Jónsson (Sandefjord/Noruega)
Ögmundur Kristinsson (Excelsior/Holanda)
Defesas
Elmar Bjarnason (Elazığspor/Turquia)
Haukur Heidar Hauksson (AIK/Suécia)
Hjörtur Hermannsson (Brondby/Dinamarca)
Sverrir Ingason (Rostov/Rússia)
Hordur Magnússon (Bristol City/Inglaterra)
Birkir Saevarsson (Hammarby/Suécia)
Ragnar Sigurdsson (Fulham/Inglaterra)
Ari Skúlason (Lokeren/Bélgica)
Médios:
Kári Árnason (Abereen/Escócia)
Birkir Bjarnason (Aston Villa/Inglaterra)
Aron Gunnarsson (Cardiff/País de Gales)
Emil Hallfredsson (Udinese/Itália)
Gylfi Sigurdsson (Everton/Inglaterra)
Rúnar Már Sigurjónsson (Grasshoppers/Suíça)
Arnór Ingvi Traustason (AEK Atenas/Grécia)
Avançados:
Jón Dadi Bödvarsson (Reading FC/Inglaterra)
Alfred Finnbogason (Augsburg/Alemanha)
Eidur Gudjohnsen (Molde FK/Noruega)
Johann Gudmundsson (Burnley/Inglaterra)
Kolbeinn Sigthórsson (Nantes/França)