Laporte junta-se a Mendy, Kyle Walker e John Stones no Manchester City, o quarteto defensivo mais caro do futebol.
Pep Guardiola é mestre na arte de colocar uma equipa a jogar futebol de qualidade. Disso ninguém tem dúvidas. Porém, o treinador do Manchester City também demonstrou mestria na contradição. Poucos dias após ter assegurado que nem o líder da Liga Inglesa tem capacidade para ter 22 jogadores com estatuto de titular, ou andar por aí a bater cláusulas de rescisão valiosas, o clube anunciou a contratação de Aymeric Laporte… por, nada mais, nada menos, do que 65 milhões de euros. Com esta aquisição, o Manchester City fica com a linha defensiva mais cara da história do futebol e quatro dos seis defesas mais valiosos de sempre.
Com o pagamento da cláusula de rescisão de Laporte, o Manchester City tornou o central francês no segundo defesa mais caro do futebol, somente abaixo dos 85 milhões de euros pagos, nesta janela de transferências, pelo Liverpool FC ao Southampton, para assegurar a contratação de Virgil van Dijk. Assim sendo, os valores desembolsados pelos citizens nas aquisições de Benjamin Mendy (58 milhões de euros), Kyle Walker (56 milhões de euros) e John Stones (53,5 milhões de euros), fazem da linha defensiva comandada por Guardiola a mais cara da história. Tendo em conta que, dos jogadores enumerados, dois são centrais e outros tantos laterais, estas poderão ser mesmo as quatro opções do timoneiro catalão para o setor mais recuado do terreno. Tudo isto a juntar aos 40 milhões desembolsados, no verão, pela contratação do guarda-redes Ederson ao Benfica.
Recuemos então uns dias para as palavras de um Guardiola conformado com o facto de o Manchester City não ter “dinheiro para ter 22 jogadores de topo”, nas palavras do próprio, citado pela imprensa inglesa. “Quando queres competir em quatro competições, tens que ter muita sorte com lesões ou precisas de 22 jogadores de topo. Isso hoje em dia é tão caro e não os podes contratar a todos. É impossível. Talvez as pessoas não acreditem em mim, mas o clube não tem esse dinheiro. Não, nem o City. Há salários que não podemos pagar.” Ora, o que disse Guardiola nesta terça-feira, depois de confirmada a aquisição de Laporte? Pois bem, o timoneiro catalão justifica-se pelo dinheiro que gasta em vários jogadores, quando outros clubes pagam o mesmo por apenas um ou dois. “Compreendo as críticas, mas os bons jogadores são caros. Há equipas que gastam esse dinheiro em dois jogadores, nós contratámos seis”, referiu em conferência de imprensa, sobre os mais de 300 milhões de euros gastos em seis meses.
Laporte chega, assim, a Manchester proclamado como o central ideal para o estilo de jogo preconizado por Pep Guardiola, assente na posse de bola e na saída com o esférico controlado desde o setor mais recuado. “Com a sua qualidade e habilidade para sair com bola desde trás, sentimos que o Aymeric vai encaixar perfeitamente no estilo de jogo de Guardiola”, referiu Txiki Begiristain, diretor de futebol do Manchester City, ao site oficial do clube. Sendo o francês de 23 anos um central com qualidade técnica e bom jogo de pés, será uma mais valia para um futebol que tem sido um autêntico vendaval na Liga Inglesa esta temporada, assente nos 12 pontos de avanço dos citizens sobre o segundo classificado, o Manchester United de José Mourinho. Após sete épocas com a camisola do Athletic Bilbau, com passagem nas camadas jovens, Laporte tem agora a oportunidade de confirmar todo o potencial que lhe tem sido apontado, ele que é descrito como um dos defesas mais promissores do futebol atual.
Milhões, milhões e… mais milhões
Desde que Guardiola chegou a Manchester, temos assistido a um autêntico festival de gastar milhões de euros, algo que já era comum nos citizens. Esta época, a juntar a Laporte, foram contratados, em pleno mercado de verão, Mendy (€58M), Kyle Walker (€56M), Bernardo Silva (€50M), Ederson (€40M) e Danilo (€30M). Em 2016/17 tinham já sido John Stones (€53,5M), Leroy Sané (€50M), Gabriel Jesus (€32M), Gündogan (€27M), Claudio Bravo (€18M) e Nolito (€18M).