Grande Futebol
Everton é o grande gastador do verão e fá-lo com lógica
2017-07-05 12:30:00
Clube já confirmou quatro reforços e está prestes a chegar aos 100 milhões gastos. Rooney pode ser o próximo.

Em 30 dias, foram cerca de 90 milhões de euros. Qualquer coisa como três milhões gastos por dia, em jogadores.

O Everton, de Inglaterra, treinado por Ronald Koeman, não está com pudor na hora de gastar dinheiro em jogadores e está apostado em chegar-se ao top-6 da Liga Inglesa. Nas últimas temporadas, apesar dos bons plantéis – tem nomes como Lukaku, Barkley ou Baines –, o clube de Liverpool tem ficado, invariavelmente, fora dos lugares de acesso às competições europeias (desde 2010, tem apenas uma presença na Liga Europa).

Neste verão, a aposta tem sido forte: Pickford, Klaasen, Keane e Sandro Ramírez já assinaram pelo clube, e Onyekuru, jovem promissor, da Nigéria, foi comprado, mas emprestado ao Anderlecht. Wayne Rooney pode der o próximo, por valores a rondar 30 milhões de euros.

Trabalho feito com nexo

Não se pense, no entanto, que o Everton está a gastar “à chinesa”. As contratações têm sido feitas com lógica e prova disso é o facto de, até agora, as quatro principais contratações terem sido uma para cada setor da equipa: um guarda-redes, um defesa, um médio e um avançado. 

Junho de 2017. O Everton gastou 55 milhões num só dia.

Primeiro, chegou Pickford, jovem guarda-redes inglês, de 23 anos. O Everton pagou cerca de 28 milhões ao Sunderland, um valor que pode chegar aos 34 milhões, mediante o cumprimento de objetivos desportivos.

Este negócio faz de Jordan Pickford o quarto guarda-redes mais caro da história. O britânico é apenas superado por Buffon (53 milhões, do Parma para a Juventus), por Ederson (40 milhões, do Benfica para o Manchester City) e Manuel Neuer (30 milhões, do Schalke 04 para o Bayern Munique).

Depois de Pickford, o Everton “pescou” na Holanda. No mesmo dia 6, o clube anunciou a contratação de Davy Klaasen, ao Ajax, por cerca de 28,5 milhões.

Klaasen era uma das figuras do clube holandês, tendo cumprido toda a formação no clube de Amesterdão. É um médio com qualidade técnica, criatividade e com chegada à área. Fez 55 golos e 38 assistências em 180 jogos pelo Ajax.

Já depois de confirmada a aquisição de Onyekuru, a pensar no longo prazo, foi oficializada a chegada de Sandro Ramírez. O avançado espanhol foi uma das figuras da última Liga Espanhola, com 16 golos em 31 jogos ao serviço do Málaga. Os seis milhões de euros até parecem um valor “simpático” pelo jogador que fez a sua formação no Barcelona e que esteve, já em 2017, no Europeu sub-21.

Eis que quando se esperava que o Everton “acalmasse”, chegou mais uma bomba financeira. Michael Keane, central inglês, de 24 anos, trocou o Burney pelo Everton, a troco de cerca de 29 milhões (que podem chegar aos 34, mediante o cumprimento de objetivos desportivos).

Keane já conta com duas internacionalizações pela Inglaterra e foi um dos melhores defesas da última Liga Inglesa.

Para além do reforço de todos os setores, há ainda outro traço lógico nestas contratações: a juventude.

Média de 23 anos, num projeto de futuro

As contratações do Everton têm ainda a característica transversal de serem apostas a curto prazo, pela qualidade já mostrada pelos jogadores, e a longo prazo, pela idade que têm.

Entre Pickford, Klaasen, Ramírez e Keane, estamos a falar de uma média de 23 anos, o que permitirá prever uma aposta sólida da equipa de Liverpool.

Olhando para o futuro próximo, é justo dizer-se que todas as contratações (excluímos Onyekuru) têm legítimas possibilidades de ser opções de Koeman já em 2017/18.

Pickford chega rotulado de uma das principais esperanças inglesas e tem um ponto a seu favor: na última temporada, o Everton não teve um titularíssimo na baliza. Stekelenburg, experiente holandês, e Joel Robles, espanhol muito irregular, dividiram a titularidade durante a época, fazendo 21 jogos cada um. Desta forma, Koeman não enjeitará, certamente, a possibilidade de dar estabilidade à baliza, entregando a missão às luvas de Pickford.

Na defesa, Michael Keane é o que pode ter a vida mais dificultada. Apesar da qualidade demonstrada e do valor investido pelo clube, existem, no plantel, Jagielka, Ashley Williams, Funes Mori e o jovem Holgate. Ainda assim, há que considerar que os dois primeiros já têm 34 e 32 anos, respetivamente, o que abrirá, a curto prazo, portas à titularidade de Keane. O cenário mais agradável para Keane é a possibilidade de Koeman querer jogar num sistema tático com três centrais. Aí, Keane surge como provável titiular, até pela possível saída de Jagielka, já neste verão. 

Para o meio campo chegou Klaasen. O médio ofensivo trará a criatividade que muitas vezes faltou na zona de construção, sobretudo quando Barkley jogou encostado ao corredor. À partida, terá a titularidade à mercê, dado que grande parte dos restantes médios (Barry, McCarthy, Schneiderlin ou Gueye) são de características menos ofensivas e, sobretudo, menos criativas.

Quanto a Sandro Ramírez, apesar de não ter titularidade garantida, pode acreditar em muitos minutos. Romelu Lukaku é a estrela da companhia e dono do ataque da equipa de Koeman. Aqui, há dois cenários: ou Lukaku deixa o clube e sai a “lotaria” Ramírez ou Lukaku fica e Ramírez será o principal backup do belga.

O Everton está gastador e o objetivo europeu está na mira. Se se confirmar o rumor da contratação de Rooney, poderemos mesmo ter o clube das margens do rio Mersey a tentar chegar-se aos lugares de Liga dos Campeões.