A renovação do emblema do Atlético Madrid tem desagradado os adeptos, com cânticos e petições. Até Futre já comentou.
O Atlético Madrid prepara-se para receber o Sporting, na quinta-feira, para a Liga Europa, mas o pensamento e o foco dos adeptos colchoneros está mais centrado no emblema do clube do que propriamente no jogo dos quartos de final da prova europeia. A equipa da capital espanhola está a atravessar uma plena fase de transição, com o Wanda Metropolitano, novo estádio do clube, a ter sucedido ao Vicente Calderón, e com a renovação do emblema, situação que desagradou os adeptos e as vozes de oposição voltaram a fazer-se ouvir.
Na manhã desta terça-feira, em plena sessão de treino para ultimar o confronto com o Sporting, foi visível a presença de alguns ultras do Atlético Madrid, em protesto à alteração do emblema levada a cabo pela direção. Os comandados de Diego Simeone treinavam num dos relvados do complexo dos colchoneros, enquanto cerca de uma dezena de adeptos mostrou uma tarja na qual se podia ler “vivo pelo teu emblema, é um sentimento”. Ainda assim, os presentes não efetuaram qualquer cântico durante a sessão, situação contrária ao que aconteceu na última partida do clube, diante do Deportivo, no domingo.
A 1 de abril, em pleno Wanda Metropolitano, os adeptos do Atlético Madrid fizeram sentir todo o desagrado em relação à renovação do símbolo, ao entoarem cânticos sobre esse tópico no decorrer do jogo. “No escudo não se toca”, eram as palavras que se ouviam em uníssono durante vários períodos de tempo no passado domingo. Até o capitão Gabi já se pronunciou sobre o assunto e aproveitou para apelar à união entre equipa e adeptos. “São muitas alterações [estádio, emblema…]. Quando se mudam tantas coisas, no fim de contas não se identificamos com nada. Os adeptos têm que apoiar, ouvir e ajudar. Sempre tem havido união, penso que se pode chegar a um entendimento para estarmos todos felizes com este clube da nossa vida”, considerou o internacional espanhol em conferência de imprensa.
Modernização do emblema do Atlético Madrid.
O descontentamento dos adeptos é igualmente visível através de uma petição no website “Change.org”, que já reuniu mais de 20 mil assinaturas com o intuito do regresso do antigo emblema. As redes sociais também têm vindo a ser um dos principais veículos deste protesto, com as ‘hashtags’ #ElEscudoNoSeToca (“no emblema não se toca”) e #EsteEsNuestroEscudo (“este é o nosso emblema”) a estarem várias vezes entre as mais faladas no Twitter. Ainda assim, a aposta da direção colchonera aparenta manter-se firme e o clube não dá mostras de pretender voltar atrás com a decisão. No entanto, há sempre a possibilidade de deixar ambas as partes felizes, pois existem outros clubes que já chegaram a utilizar dois emblemas, por exemplo o Milan e a AS Roma. O Leeds United e o Real Saragoça são exemplos de equipas que regressaram ao emblema antigo depois de já o terem renovado.
Paulo Futre foi um dos grandes símbolos do Atlético Madrid, clube no qual jogou entre 1987 e 1992, e defendeu que a história deve ser respeitada, mas propôs uma ideia de apaziguamento. “Percebo que o mundo mudou, mas é a história. Estou de acordo com as alterações e que o mundo tenha mudado, mas o emblema antigo do Atlético Madrid deveria permanecer pelo menos num dos equipamentos. Se não for no principal, que seja no segundo ou no terceiro”, reiterou Futre em declarações à Radio Marca.