Grande Futebol
Diogo Jota anseia pelo primeiro jogo com público no estádio do Liverpool
Redação
2020-12-02 19:45:00
Internacional português participa em sessão da Web Summit 2020

O internacional português Diogo Jota mostrou-se hoje ansioso pelo primeiro jogo com público no estádio do Liverpool, no domingo, que assinalará o reencontro com o Wolverhampton, em jogo da 11.ª jornada da Liga inglesa.

“Quando assinei em Anfield, perguntaram-me qual era o meu sentimento e eu disse que, para que fosse perfeito e ainda mais especial, tinha de jogar num estádio cheio. O sentimento ainda é amargo, por não poder sentir a atmosfera daquele estádio”, apontou o avançado, durante a sessão digital “Pioneiros do futebol moderno” da Web Summit 2020.

O campeão inglês, no segundo posto com os mesmos 21 pontos do líder Tottenham, orientado por José Mourinho, recebe o Wolves, de Nuno Espírito Santo, sétimo, com 17, no domingo, às 19:15, tendo autorização governamental para acolher 2.000 adeptos.

“O futebol sem adeptos é estranho. Obviamente, quando se joga por um clube como o Liverpool, parece que falta alguma coisa. Temos muitas conversas dessas com o ‘staff’ e entre jogadores sobre as coisas que nos estão a faltar. Sentir o ambiente de Anfield é o que mais anseio. Não sei dizer o quanto, porque ainda não senti isso”, afiançou.

Diogo Jota mudou-se do Wolverhampton para o Liverpool em setembro, a troco de 45 milhões de euros, numa das transferências mais surpreendentes do mercado do verão, e demorou pouco tempo a justificar o investimento avultado do conjunto de Jurgen Klopp.

“Quando chegas a um novo clube, ter uma mente aberta é a chave para te adaptares o mais rápido possível. Como a temporada já estava em andamento, cabia-me encontrar uma forma de entrar na equipa e não o contrário, provando ao treinador que podia ser importante em campo. Foi o que fiz com a ajuda do Jurgen, que é fantástico”, explicou.

Além da “importância” do capitão Jordan Henderson, o avançado luso reconhece que a proximidade linguística com os brasileiros Alisson Becker, Fabinho e Roberto Firmino e o espanhol Adrián facilitou a adaptação a um dos emblemas ingleses mais titulados.

Com nove golos em 15 jogos, Diogo Jota intrometeu-se no trio ofensivo composto pelo egípcio Mohamed Salah, o senegalês Sadio Mané e Firmino, sendo o primeiro jogador da história do Liverpool a marcar nos primeiros quatro jogos caseiros para o campeonato.

Apesar de ter assistido às lesões graves de figuras defensivas como Virgil van Dijk, Joe Gomez e Trent Alexander-Arnold, o dianteiro mantém os ‘reds’ na luta pelo título inglês e já contribuiu com quatro tentos na rota para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

Diogo Jota, de 23 anos, atribui o sucesso crescente no topo do futebol internacional à personalidade moldada durante os “contratempos” vividos na formação, na qual transitou do Gondomar, do Campeonato de Portugal, para o Paços de Ferreira, da I Liga.

“Os miúdos de 14 e 15 anos hoje já têm contratos profissionais, o que é bom, mas não foi o meu caso. Até ter 16 anos pagava para jogar e jogava para me divertir. Cheguei a treinar em clubes grandes, mas nunca fiquei. São pequenas desilusões, mas tudo correu bem. O segredo é nunca desistir. Cada experiência torna-te mais forte”, notou.

O jogador natural do Porto foi contratado pelos espanhóis do Atlético de Madrid em 2016, mas cumpriu apenas a pré-época sob alçada do argentino Diego Simeone, antes de ser emprestado ao FC Porto por uma época, que antecedeu a viagem para Inglaterra.

“Mesmo quando as coisas não correm como esperado, podemos sempre aprender com as experiências. Eles vinham de uma final da Liga dos Campeões [em 2013/14]. Fiz a pré-época, que significou muito para mim, e aprendi muito. Poderia estar à espera de mais, mas sair era a melhor opção para a minha carreira e não me arrependo”, lembrou.

Sem partidas oficiais com os ‘colchoneros’ nem títulos conquistados pelos ‘dragões’, Diogo Jota seguiu as pisadas de Nuno Espírito Santo e participou na subida de divisão do Wolverhampton, efetivando a desvinculação contratual com os madrilenos em 2018.

Numa conversa mediada pelo jornalista James Pearce, do portal britânico ‘The Athletic’, Nuno Moura, diretor de marketing da Federação Portuguesa de Futebol, destacou o “entusiasmo” em torno de quem venceu a Liga das Nações 2019 pela seleção nacional.

“Não é apenas um futebolista incrível, mas também alguém muito humilde e trabalhador. Toda a gente respeita-o por isso. Esperemos que as coisas continuem a funcionar de forma espetacular para ele nos próximos anos e, com sorte, possa trazer um pouco desse sucesso para Portugal e nos ajude a ganhar mais alguns títulos”, desejou.

A Web Summit, considerada uma das maiores cimeiras tecnológicas do mundo, decorre este ano totalmente ‘online’, entre hoje e sexta-feira, e conta com “um público estimado de 100 mil” pessoas, depois de se ter começado a realizar há quatro anos em Lisboa.