António Tadeia vai publicar todos os dias uma entrada neste diário, sempre pelas 13h
A derrota de Portugal frente ao Uruguai (1-2) significa que o resto do meu Mundial vai ser em Lisboa. Há trabalho na mesma, programas para fazer em estúdio, jogos para comentar. Não é a mesma coisa que estar no local, sobretudo para quem esteve agora no seu sexto Mundial, mas pelo menos vai permitir-me ver mais futebol, dar mais atenção aos jogadores do que ao serviço da Aeroflot, em que me tornei especialista durante as últimas semanas.
No 17º dia deste Mundial, por exemplo, pouco futebol consegui ver. Voei pela hora de almoço de Sochi para Moscovo, onde cumpridas todas as formalidades alfandegárias e feita a mudança de portão, consegui assentar arraiais a tempo de ver a segunda parte do Rússia-Espanha. Vi esse período de jogo em pé, do lado de fora de um restaurante daqueles de terminal de aeroporto, rodeado de outros passageiros em trânsito. E até me lembrei do último jogo que tinha visto assim, à boleia, que foi a final da Taça dos Campeões Europeus de 1989, a que, no meu segundo ano de faculdade, assisti na montra de uma loja de eletrodomésticos da Avenida Almirante Reis. Só que enquanto o Super-Milan de Arrigo Sacchi e de inspiração holandesa arrasou o Steaua nesse fim de tarde de Maio, desta vez a Espanha e a Rússia não saíram do empate e levaram o jogo para prolongamento. E aí começou o embarque do avião para Lisboa.
A notícia da vitória russa nos penaltis foi dada – ou melhor, confirmada, que enquanto o avião não estava no ar houve sempre gente online – pelo comandante, em russo apenas, mas deu para entender que a equipa da casa seguia em frente pelos festejos ruidosos da maior parte dos passageiros. Já do sucesso croata, também nos penaltis, face à Dinamarca, só tive conhecimento em Lisboa, depois de cinco horas e meia de voo: ouvi passageiros a comentar que os croatas lá tinham passado enquanto ainda avisava a família que estava no chão. Para uma nova etapa neste meu Mundial.
Dia 16 – A eliminação de Portugal
Dia 15 – A polémica do Japão-Polónia
Dia 14 – A eliminação alemã e a vingança brasileira
Dia 13 – A conversa de Queiroz e Moutinho
Dia 12 – Portugal não anda a jogar muito
Dia 11 – Os iranianos ruidosos
Dia 10 – A maldição do Campeão
Dia 9 – A águia albanesa
Dia 8 – Sampaoli e o desastre argentino
Dia 7 – O que faltou à seleção portuguesa
Dia 6 – A força da Rússia e de Dzyuba, um dia de surpresas e do LCD Soundsystem
Dia 5 – A Bélgica, a Inglaterra, e sushi
Dia 4 – Um Brasil a europeizar-se e uma Sérvia a ter de soltar amarras
Dia 3 – O voo de regresso depois da vitória portuguesa
Dia 2 – O dia de Cristiano Ronaldo
Dia 1 – Abertura do Mundial