Já foram mais de dez os treinadores que passaram pelas mãos de Florentino Pérez e só um cumpriu o contrato até ao fim.
Julen Lopetegui, Zidane, Rafa Benítez Carlo Ancelotti, José Mourinho, Manuel Pellegrini, Fabio Capello, Vanderlei Luxemburgo, José Antonio Camacho e Carlos Queiroz. O que têm em comum os treinadores aqui citados? Pois bem, todos eles falharam a missão de cumprir o contrato com o Real Madrid até ao fim. Aliás, o único técnico a conseguir fazê-lo com Florentino Pérez como presidente do clube merengue foi Vicente Del Bosque. Entre os timoneiros que passaram pelo cargo na era Florentino, destaca-se ainda o nome de López Caro, que coincidiu com o fim da primeira passagem do dirigente pela presidência do emblema da capital espanhola.
A começar pelo mais recente, a passagem de Lopetegui pelo comando técnico do Real Madrid durou uma questão de meses. No verão, o timoneiro deixou o cargo de selecionador espanhol para abraçar o cargo nos merengues, perdendo assim a hipótese de participar no Campeonato do Mundo de seleções. O ex-FC Porto tinha contrato assinado com duração até 2021, mas não passou desta segunda-feira, fruto de um início de temporada pautado por maus resultados e exibições aquém do esperado. Santiago Solari assumiu, por agora, o comando técnico do clube, um cargo que tem sido ‘triturado’ na era de Florentino Pérez.
O único homem a contrariar esta situação foi Del Bosque, que treinou o Real Madrid durante mais de três temporadas e meia na última passagem pelo clube, entre 1999 e 2003, ano em que terminava a ligação contratual. Sob a liderança de Del Bosque, os merengues conquistaram duas Ligas dos Campeões, dois campeonatos espanhóis, uma Supertaça de Espanha e outra Europeia, assim como uma Taça Intercontinental. Ainda assim, em 2003 a direção do emblema madrileno decidiu não avançar para a renovação com Del Bosque e apostou no português Carlos Queiroz, que assinou por dois anos, mas esteve apenas uma época no clube. “Foi um erro e dececionou-nos porque não cumpriu os objetivos traçados, a administração e motivação da formação, assim como uma equipa apoderada de desordem e com falta de autoridade”, foram então algumas das palavras de Florentino sobre Queiroz.
José Antonio Camacho passou por situação similar quando foi despedido em setembro de 2004, apenas um mês depois de assumir o cargo de treinador do Real Madrid. Ao técnico ex-Benfica seguiu-se Mariano García Remón, que era adjunto de Camacho na altura. Florentino Pérez fez questão de frisar que não se tratava apenas de uma solução “provisória”, mas não tardou para que Remón fosse demitido em dezembro de 2004. O brasileiro Vanderlei Luxemburgo não deixou saudades em Madrid, tendo chegado ao clube em 2004/05. Ainda começou a temporada seguinte, mas só chegou até metade. Depois, surgiu López Caro de forma interina. Foi precisamente o último treinador da primeira passagem de Pérez pelos merengues. Embora tenha terminado a época o mesmo não sucedeu com o presidente, que apresentou a demissão em fevereiro de 2006, por acreditar que “o Real Madrid precisava de uma mudança”.
Florentino Pérez regressou ao Real Madrid em 2009, para uma presidência que ainda ocupa nos dias que correm. Numa época que ficou marcada pelos investimentos em Cristiano Ronaldo e Kaká, Manuel Pellegrini foi o treinador escolhido para tomar as rédeas do clube, assinando por dois anos. A temporada terminou sem títulos e com uma eliminação humilhante da Taça do Rei, diante do Alcorcón, o que levou à saída do técnico somente um ano depois de ter sido contratado. Depois, chegou a vez de Mourinho. O português ainda esteve durante três temporadas no cargo, mas a ligação chegou ao fim em 2013, por mútuo acordo, quando ainda tinha mais três anos de contrato, numa passagem que ficou em muito marcada por alguns problemas de balneário. A Mourinho seguiu-se Ancelotti, que assinou por três temporada e ainda conquistou a décima Champions da história do clube, mas em 2015 foi demitido quando lhe faltava um ano para concluir o vínculo.
O caso de Rafa Benítez tem algumas semelhanças com o de Lopetegui, muito também por culpa do curto espaço de tempo que ocupou como treinador do Real Madrid. Em 2015, Benítez foi apresentado por Florentino Pérez como o novo técnico dos merengues e nunca reuniu o consenso dos adeptos. Assinou por três anos, mas esteve apenas cerca de seis meses no cargo. Depois de Benítez, apareceu Zidane que levou o Real Madrid a vencer a Liga dos Campeões em três épocas consecutivas. No entanto, no final da temporada passada, o timoneiro francês deixou o cargo, para surpresa de muitos, e foi aí que apareceu Lopetegui. O resto é história.