Felipe Brisola, do Botev Plovdiv, admitiu ao Bancada não conhecer qualquer jogador do Marítimo, possível adversário
O Marítimo e o SC Braga são as primeiras equipas portuguesas a entrar oficialmente na temporada 2017/18 e descobriram hoje os possíveis adversários para a terceira pré-eliminatória da Liga Europa. “Da ilha da Madeira, ‘né’?”, perguntou ao Bancada o informado Felipe Brisola, jogador do Botev Plovdiv, que pode encontrar o Marítimo caso siga para a próxima ronda.
Brisola chegou ao clube búlgaro no início da temporada passada, ajudando o Botev a vencer a Taça da Bulgária que permitiu a qualificação para as pré-eliminatórias da Liga Europa. A sorte – ou o azar – ditou que, caso atinja a terceira pré-eliminatória (está a disputar a segunda com o Beitar Jerusalém), a equipa do jogador de 27 anos vai defrontar o Marítimo de Daniel Ramos, uma equipa pouco conhecida por Felipe Brisola.
“Uma coisa que eu sei do Marítimo, que o meu pai até me lembrou, é que eu trabalhei com o treinador que estava aí, o PC Gusmão. Eu trabalhei com ele no Brasil, no Atlético Goianiense, e a única coisa que te sei falar do Marítimo é a passagem do PC Gusmão. E não foi muito boa, visto que ele não ficou muito tempo [risos]”, brincou. Mas tem razão: PC Gusmão foi treinador do Marítimo em apenas cinco jogos, tendo vencido apenas um, em 2016/17.
E quanto a jogadores? Mesmo tendo mais de uma dezena de brasileiros no plantel, Felipe Brisola foi sincero e admitiu não conhecer qualquer um.
“De nome, não me estou a lembrar de trabalhado ou jogado contra algum deles. Mas vou procurar saber, claro, vou ver as fotos e confirmar. Mas, em princípio, não conheço nenhum”, reconheceu, revelando mais tarde que tem amigos que jogaram e ainda jogam noutros clubes portugueses. “O Lucas Tagliapietra [que representou o Boavista], o Welthon [FC Paços de Ferreira], com quem trabalhei no Atlético Goianiense, e o Hêndrio, que chegou agora ao FC Paços de Ferreira”.
Apesar de não conhecer nenhum jogador do Marítimo, Felipe Brisola tem o futebol português em muito boa conta. Mas não só: para o jogador dos ‘canários’, a equipa insular é mais perigosa precisamente por ter muitos brasileiros.
“Sabemos que o nível do campeonato português é muito bom. Passam notícias do campeonato português em todo o mundo. Passando de fase, de certeza que o nosso treinador vai trazer muita informação [sobre o Marítimo], mas eu tento trazer também muitas informações sobre as equipas com quem jogamos. Sabemos que, por ter brasileiros, a qualidade do Marítimo aumenta, porque os jogadores brasileiros têm uma técnica mais… aguçada, digamos assim. Por isso é que existem brasileiros em todo o mundo”, considerou.
Sobre a equipa do Botev, o jogador não quis adiantar muito. Preferiu manter o secretismo por estratégia, num tom brincalhão e bem-disposto, digno de quem está satisfeito com a campanha da sua equipa.
“A nossa equipa é jovem, mas bem experiente. Sempre que entramos em campo damos o máximo. Posso-lhe dizer isto, mas não vamos entregar tudo ao Marítimo [risos]”, frisou, divertido, o médio que, para além do Atlético Goianiense, também tinha representado no Brasil clubes como a Anapolina ou o Itumbiara EC.
O Botev Plovdiv eliminou, na primeira pré-eliminatória, o Partizani Tirana, com Felipe Brisola a marcar um dos golos, e apanhou agora o Beitar Jerusalém. Teoricamente, as duas equipas são de valia inferior ao Marítimo, pelo que o Bancada quis saber de forma reagiu o plantel búlgaro à notícia de que podem apanhar os madeirenses. O jogador brasieiro foi perentório: para já, só os israelitas interessam.
“Soubemos do sorteio quando estávamos no autocarro [ou ‘ônibus’, como foi dito na versão original], mas agora estamos preocupados com o Beitar Jerusalém. Só depois nos vamos preocupar com o Marítimo”, disse Brisola. O clube búlgaro está a lutar por um lugar com o Beitar Jerusalém, depois do empate a uma bola no jogo em Israel.
Agora, o Botev recebe o Beitar na Bulgária. Para esse jogo, que vai realizar-se na próxima quinta-feira, o jogador brasileiro considerou que o ‘fator casa’ será muito importante para conseguir confirmar a passagem e garantir os dois embates com o Marítimo.
“Aqui, a nossa força é jogar em casa com o apoio dos nossos fãs que apoiam o tempo todo, tal como aconteceu em Israel com os fãs do Beitar. Temos aqui a nossa ‘torcida’ a nosso favor e a nossa equipa joga muito bem em casa e esperamos que possamos manter o nosso estilo de jogo. Mas sabemos que será muito complicado porque o Beitar tem uma equipa muito boa. Temos de estar 100% concentrados porque vai ser um jogo complicadíssimo e que será resolvido nos detalhes, com certeza”, assegurou.
Chegar à fase principal da Liga Europa é, para Felipe Brisola, um “sonho de criança”, mas o mesmo admite que, mesmo com o pensamento a ser esse, a equipa sabe que tem de dar os passos “de pouco em pouco”.
“Nós pensamos muito nisso. Sabemos que os passos têm de ser dados de pouco em pouco, sabemos das dificuldades. Vamos enfrentar o Beitar, vai ser outro passo que temos de dar, mas o pensamento é chegar à fase de grupos. Vai ser muito importante para o clube e para as nossas carreiras. Para mim é um sonho de criança participar numa prova deste nível e tanto na vida pessoal como na profissional isto vai acrescentar muito”, finalizou Brisola em declarações ao Bancada.
Botev Plodviv (possível adversário do Marítimo)
Fundado em 1912, o Botev Plovdiv qualificou-se para a Liga Europa após conquistar a Taça da Bulgária (ficou na oitava posição do campeonato) e chegou à segunda pré-eliminatória depois de vencer os dois jogos frente ao Partizani Tirana na ronda anterior. Ontem, quinta-feira, a equipa orientada por Nikolai Kirov foi a Jerusalém empatar a um golo com o Beitar, o que a coloca em vantagem na eliminatória e mais perto de encontrar o Marítimo na fase seguinte.
Entre as mudanças no plantel dos ‘canários’ para esta temporada, o principal destaque vai para Yordan Minev. O veterano lateral, que joga dos dois lados, regressou a uma casa que conhece bem depois de seis temporadas ao serviço do Ludogorets. O internacional búlgaro, de 36 anos, já havia tido duas passagens pelo Botev Plovdiv.
Beitar Jerusalém (possível adversário do Marítimo)
O Beitar Jerusalém acabou a Liga Israelita da temporada passada na terceira posição, atrás de Hapoel Be’er Sheva e Maccabi Tel Aviv. Na primeira pré-eliminatória, o clube israelita venceu os dois jogos com o Vasas SC, da Hungria. Na primeira mão, o Beitar venceu por 4-3 em Jerusalém, tendo triunfado em Vasas por 3-0.
Conta, nas suas fileiras, com Claudemir, antigo jogador do Nacional e está a lutar por um lugar na fase seguinte com o Botev Plodviv.
AIK (possível adversário do SC Braga)
O clube sueco, baseado em estocolmo, tem uma característica que o pode diferenciar pela positiva e pela negativa em relação à maioria dos restantes. A Liga Sueca começou em abril, pelo que a equipa está, provavelmente, mais rotinada que os adversários mas, por outro lado, também apresenta mais fadiga.
O AIK eliminou, na primeira pré-eliminatória, os islandeses do KÍ Klaksvík com um empate fora (0-0) e uma uma vitória em casa (5-0), por esta ordem. Agora, com o Zeljeznicar, o AIK voltou a empatar sem golos em Sarajevo, deixando tudo em aberto para a segunda mão.
Zeljeznicar (possível adversário do SC Braga)
Vice-campeão bósnio, o Zeljeznicar recebeu o AIK e empatou sem golos na primeira mão. Um golo na Suécia pode chegar para passar à terceira pré-eliminatória da Liga Europa e encontrar o SC Braga.
Na ronda anterior, a equipa orientada pelo sérvio Slavko Petrovic eliminou o FK Zeta, do Montenegro, com uma vitória (1-0) e um empate (2-2).