Grande Futebol
“Criticam a barreira da Juventus, mas eu fui falar com o Sérgio Oliveira”
Redação
2021-04-04 16:15:00
Pepe releva "jogada estudada" que valeu muitas críticas ao "melhor do mundo"

Pepe foi um dos jogadores do FC Porto que mais se destacou na partida de Turim com a Juventus, para a segunda mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões, e saiu agora em defesa de Cristiano Ronaldo, um dos mais criticados da formação italiana devido ao livre batido por Sérgio Oliveira e que garantiu a passagem dos dragões aos quartos de final. Ronaldo, um dos jogadores mais altos da Juventus, foi responsabilizado por ter saltado no momento em que Sérgio Oliveira rematou. Só que o médio do FC Porto atirou rasteiro, pelo que a bola passou por baixo da barreira e só parou no fundo da baliza. Um incidente que, afinal, foi ‘desenhado’ em laboratório.

“Tínhamos uma jogada estudada”, revelou Pepe, protagonista de uma exibição muito elogiada nessa partida de Turim: “As pessoas criticam a barreira da Juventus, mas eu fui falar com o Sérgio [Oliveira] a dizer que íamos arrastar para o bico da grande área e o Cristiano estava preocupado que a bola fosse para lá. O Sérgio decidiu chutar [rasteiro] e tivemos a sorte de a bola entrar no sítio certo e dar-nos a eliminatória”.

Esse golo acabaria por resolver uma eliminatória que poderia ter ficado fechada logo na primeira mão. Na partida no Dragão, o mesmo Sérgio Oliveira falhou uma oportunidade que, se convertida, deixaria os azuis e brancos com uma vantagem de três golos. Para piorar, a Juventus reduziria para 2-1. “A Liga dos Campeões tem dessas coisas. Nós em casa poderíamos ganhar 3-0, praticamente, se o Sérgio não falhasse o 3-0. Passado um pouco eles fizeram o 2-1. Fomos decidir lá [em Turim]”, lembrou o defesa portista, em entrevista à TNT Sports.

Essa partida em casa da Juventus ficaria na memória dos adeptos portistas. A atuar mais de uma hora (o jogo foi para prolongamento) reduzida a dez elementos, devido à expulsão de Taremi, a equipa orientada por Sérgio Conceição soube “sofrer muito” para conter a ofensiva da Juventus, sem nunca deixar de tentar alvejar a baliza italiana. E conseguiria-o com sucesso por duas vezes, ambas por Sérgio Oliveira, festejando uma derrota (3-2) que, pelo critério de desempate dos golos marcados fora, valeu a passagem aos quartos de final da liga milionária.

“Nós estávamos a sofrer muito e sabíamos que não ia ser em vão. Sabíamos que íamos marcar. Nós olhávamos uns para os outros e dizíamos que era possível. Sabemos a força que temos e o nosso clube caracteriza isso: a garra, a determinação, a paixão que defendemos. Mesmo a sofrer, com um a menos, mesmo a saber que a Juventus estava por cima, tínhamos o jogo controlado”, salientou Pepe.

“Fechávamo-nos no meio e eles procuravam os laterais para cruzar. Nós controlámos isso. O jogo circulou sempre nesse sentido. Sabíamos que um contra-ataque ou numa bola parada podíamos ferir. Olhámos sempre a baliza adversária. Sentíamos que podíamos ganhar”, acrescentou.

Amplamente elogiado na sequência de um jogo “muito conseguido”, o experiente central do FC Porto fez questão de realçar que teve “outros jogos” de alto nível. “Por exemplo, o jogo da final da Taça, contra o Benfica, estávamos com um a menos e ganhámos. A final do Euro2016, também. Tive jogos com o Real Madrid contra o Manchester City, contra o Bayern Munique… foram jogos que marcaram”, salientou.

“Mas esse de Turim foi muito bem conseguido. Jogámos com uma equipa que tem o melhor do mundo[Cristiano Ronaldo]. Eu conheço-o bem e ele a mim, foi um desafio para os dois. O que prevaleceu foi o trabalho da equipa. O treinador estudou bem a equipa da Juventus. Não que o Pirlo não tenha feito o mesmo, mas nós soubemos sofrer, soubemos explorar os pontos fracos da Juventus e focámo-nos nesses pontos que o míster pediu e tivemos a sorte de poder passar”, insistiu.

Eliminada a Juventus, o FC Porto vai defrontar o Chelsea nos quartos de final da Liga dos Campeões. "Foi público que os jogadores do Chelsea celebraram o sorteio. Mas eles também sabem que vai ser um jogo difícil. Sabem que somos uma equipa humilde, trabalhadora, solidária. Dentro do espírito dos nossos adeptos e do que o treinador exige de nós como jogadores, o trabalho tem de lá estar sempre. Podes falhar um passe, uma receção de bola, um golo, mas o trabalho e o querer ganhar tem de estar sempre presente. E é isso que vamos tentar demonstrar no jogo [da primeira mão] de Sevilha", concluiu Pepe.