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Grande Futebol

Corinthians torna-se recordista de títulos brasileiros pela mão de Jô

RedaçãoPor Redação16/11/201710 Mins Leitura
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Clube paulista conseguiu época de sucesso na estreia de Carille como técnico principal e após primeira volta invicta

Quando deixou o Corinthians em 2005 para rumar ao futebol europeu, fê-lo depois de ter ajudado o clube paulista a conquistar o quarto título brasileiro do historial. Agora, 12 anos depois, Jô regressou ao Timão para ser fulcral na conquista do “hepta”. Uma vitória que coloca o Corinthians como recordista de títulos brasileiros, ultrapassando o Flamengo. Isto após um ano conturbado, em que a equipa liderada pelo “desconhecido” Fábio Carille começou por ser apelidada de “quarta força”, fez uma primeira volta sem derrotas, voltou a ser alvo das críticas da imprensa e terminou como o “campeão dos campeões” – expressão relativa ao título honorário do clube e também passagem do hino.

Quando o Flamengo conquistou o sexto título do seu historial, em 2009, o Corinthians tinha apenas esses quatro títulos. No entanto, a equipa de São Paulo confirmou-se ontem como a grande força do futebol brasileiro na presente década, depois do triunfo caseiro frente ao Fluminense, por 3-1. Uma partida que nem começou da melhor forma para os corintianos, mas onde o goleador Jô a decidiu na segunda parte, com um bis que o lançou para a liderança dos melhores marcadores do campeonato. Depois de 2011 e 2015, o Timão alcançou o terceiro título da década – desempatou com Cruzeiro (2013 e 2014) e Fluminenses (2010 e 2012). O sétimo em apenas 27 anos. Por isso, o slogan escolhido para os festejos foi #Hep7aDeRespeito. Uma mensagem para imprensa, críticos e rivais.

O Corinthians foi um campeão praticamente intocável, que apenas tremeu antes da entrada na reta final. A equipa paulista assumiu a liderança à quinta jornada e nunca mais a largou. Fez uma primeira volta sem derrotas, com cinco empates e 14 vitórias. A primeira derrota surgiu apenas à primeira jornada da segunda volta. Iniciou-se aí um período complicado, com 12 jogos onde venceu em apenas três ocasiões, foi derrotado por seis vezes e empatou noutras três. Grande parte da vantagem adquirida foi desperdiçada e a equipa parecia estar a vacilar na fase decisiva. Após quatro jogos sem vencer, o Timão viu o rival Palmeiras aproximar-se na tabela. Em vésperas de dérbi paulista a diferença era de apenas cinco pontos. No entanto, foi aí que surgiu a resposta de campeão do Corinthians, com um triunfo por 3-2 no jogo do título. Aí, na 32.ª jornada, a equipa de Carille dissipou todas as dúvidas.

Na madrugada desta quinta-feira o Arena Corinthians lotou para a festa anunciada do título, quando ainda faltavam quatro jornadas para o final do Brasileirão 2017. O Fluminense tratou de espalhar os nervos entre os “gaviões da fiel”, com um golo logo aos dois minutos. Ao intervalo os ânimos estavam exaltados, como confessou Jô após o final do jogo. Mas foi o próprio avançado a resolver a questão com um bis, aos 46’ e 49’. O experiente Jádson carimbou o título aos 85 minutos e lançou a festa nas arquibancadas. “Foi difícil. No balneário procurámos conversar sem nos alterarmos. Os ânimos estavam exaltados, mas procurei orientar. Foi complicado. No segundo tempo voltámos concentrados e conseguimos os dois golos logo no começo, que nos deram tranquilidade”, admitiu o goleador corintiano à imprensa brasileira.

“Foi difícil, mas conseguimos. Um grupo muito novo, com jogadores que ainda têm muito para crescer, que vão ganhar muitos títulos. Este tem um sabor diferente. Temos que dar glória a Deus. Acreditámos que poderia ser feito um bom trabalho. Tomámos muita porrada, mas o futebol é assim. Superámos tudo, conseguimos conquistar o título e só posso agradecer a essa torcida maravilhosa. Agradecemos aos adeptos, que nos momentos difíceis, com a vantagem a diminuir, colocaram 32 mil pessoas no treino. Agora vamos descansar, terminar os três jogos que faltam com dignidade, como no resto do campeonato, mas com sensação de dever cumprido”, frisou Jô aos repórteres que estavam espalhados pelo relvado, um deles o ex-Benfica Roger, da brasileira SporTV, que também foi campeão pelo Timão, em 2005.

Ao contrário do que aconteceu nesse ano, em que o jovem Jô, de apenas 18 anos, saiu para o CSKA Moscovo, iniciando aí uma verdadeira montanha russa europeia e mundial – passou ainda por Manchester City, Everton, Galatasaray, antes de regressar ao Brasil, para representar Internacional e Atlético Mineiro, e sair novamente para a Ásia, onde esteve no Al-Shabab do Dubai e nos chineses do Jiangsu Suning -, o goleador corintiano já assumiu objetivos para a próxima época. “Vou procurar mais um título no ano que vem. Vou ficar aqui no Corinthians, quero ter o gostinho de conquistar a Libertadores aqui também. Amo esse clube. Já levei uma vez a Libertadores [pelo Atlético Mineiro, em 2013], mas quero levantar novamente esse título no ano que vem”, revelou Jô, que rejeitou comemorar o título ao sabor de cerveja.

Com 25 golos esta época (18 no campeonato, seis no Paulista e um na Taça do Brasil), Jô foi preponderante na conquista do título. Tal como já o tinha sido na vitória no campeonato Paulista. Uma temporada que o faz sonhar com o regresso à seleção brasileira em ano de Mundial. “Vivi a seleção, sei como é importante chegar lá devido ao bom trabalho, como tenho feito. Tenho esperança até à última convocatória. Sei que o Tite está atento. Tenho esperança de jogar um Mundial e vou continuar a trabalhar assim até o último dia”, rematou o avançado, de 30 anos, que apontou cinco golos nas 20 internalizações que tem pelo Brasil, mas que já não é chamado ao “escrete canarinho” desde 2014.

Deste elenco que conduziu o Corinthians ao título, destaque ainda para o lateral Fágner, que foi o suplente de Daniel Alves durante toda a qualificação para o Mundial’2018, devendo assim marcar presença na Rússia. Já o guardião Cássio foi chamado aos mais recentes particulares brasileiros, estreando-se com a camisola canarinha frente ao Japão. Aos 30 anos, o guarda-redes formado no Grémio, que passou pelo PSV antes de regressar ao Brasil para reforçar o Timão, em 2012, junta-se a Jô no lote de jogadores corintianos que ainda piscam o olho a uma eventual presença no lote dos 23 convocados de Tite – já foi treinador de ambos no Corinthians – para o Mundial.

A resposta de Carille e o samba de Aragão

A cumprir a primeira época como técnico principal do clube, depois de ter sido adjunto de Tite, Fábio Carrille afirmou-se como uma verdadeira surpresa. O técnico brasileiro, de 44 anos, conduziu à glória um clube que investiu pouco – o defesa Pablo, emprestado pelo Girondins Bordéus, foi a contratação mais cara –, mas que ganhou muito. O Timão gastou muito menos que Palmeiras, Santos e São Paulo e, por isso, e também pelo sétimo posto que tinha alcançado no ano passado no Brasileirão, foi apelidado de “quarta força”, nas antevisões feitas pela imprensa antes do arranque do campeonato. A resposta foi dada em campo.

“Vi com naturalidade a forma como me questionaram e a desconfiança, dizendo que o Fábio não entende nada de futebol… Recebi um vídeo, que não gostei, de uma pessoa com quem vou conversar de novo, de que eu duraria três jogos… Um desrespeito. São pessoas que desrespeitam o ser humano. Crucificam e jogam pedras, sem saber. E também são burros, pois nem esperam começar o ano”, desabafou Carille, logo após a conquista do título. Um começo de carreira auspicioso, que deu sequência aos títulos conquistados pelo antigo líder Tite, que conduziu o Timão ao título em 2011, com Ronaldo, Liedson, Bruno César, Emerson “Sheik” e Paulinho como figuras de proa, e em 2015, onde o portista Felipe, o ex-Sporting Elias, Renato Augusto e Vágner Love eram algumas das estrelas.

Os outros títulos corintianos foram conquistados em 1990, com Nelsinho Baptista ao leme, em 1998, com Vanderlei Luxemburgo, e em 1999, com Oswaldo Oliveira. Nessas duas épocas passaram pelo clube jogadores como Dida, César Prates, Vampeta, Rincón, Amaral, Edilson ou Marcelinho Carioca, que ajudaram ainda o Timão a vencer a primeira edição do Mundial de Clubes, em 2000 – em 2012 o clube voltou a conquistar o troféu. Já em 2005 foi António Lopes a levar o clube ao título, depois de uma época conturbada e marcada pela chegada dos argentinos ao clube. Lopes foi o quarto técnico da época, depois de Tite e Passarella também terem passado pelo banco. Uma equipa que contava com Tévez, Mascherano, Nilmar e os ex-Benfica Roger e Anderson.

Mas voltemos à revolta corintiana, que foi expressa também pelos jogadores. Um dos mais “excêntricos” do plantel é o internacional turco Colin Kazim-Richards, um verdadeiro globetrotter que aterrou no futebol brasileiro em 2016, passando pelo Coritiba, antes de reforçar esta época o Timão. Apontou um golo nos 13 jogos disputados no Brasileirão, onde só foi titular em três ocasiões, e no final dedicou a conquista aos adeptos. “A vitória é para a favela também. Eles ficaram do nosso lado, sofreram e apoiaram”, ressalvou o atacante, de 31 anos.

Depois houve espaço para as lágrimas do jovem defesa Arana, de 20 anos, que é uma das maiores promessas do clube. O lateral esquerdo aproveitou a emoção para revelar uma proposta do Sevilha FC. “Não sei se vou estar aqui ano que vem, por isso emociono-me mais ainda. Vou fazer a minha vida, vou para a Europa, e estou muito feliz por isso. Tudo indica que vou embora, ainda não assinei nada, mas tem essa possibilidade. Não consigo nem falar, só tenho a agradecer ao Corinthians”, afirmou aos jornalistas presentes no relvado.

Quem também foi campeão pelo Corinthians foi o médio Fellipe Bastos, que no início da carreira passou pelo Benfica. Atuou como suplente utilizado em cinco jogos, o último dos quais no decisivo dérbi com o Palmeiras. Fez um total de 36 minutos no campeonato, mas também teve direito ao título. Menos minutos teve Danilo, outro dos grandes destaques da partida de ontem. Aos 38 anos e depois de uma grave lesão sofrida na época passada, o veterano médio somou frente ao Fluminense os primeiros minutos no Brasileirão 2017. Entrou no quarto minuto de compensação para o lugar do “herói” Jô, em jeito de homenagem. Danilo fez assim o primeiro jogo da época e também se sagrou campeão, igualando Dinei como o único jogador a vencer três títulos pelo clube paulista.

“Que quarta força boa, não é? Que quarta força boa para c…”, atirou de forma efusiva o médio Gabriel, após a conquista do segundo título consecutivo da carreira, depois de o ter feito na temporada passada com o Palmeiras. De “quarta força” a campeão. Foi este o trajeto do título corintiano. Foi esta a expressão que marcou o futebol brasileiro durante toda a época e que uniu um plantel desvalorizado em torno de um único objetivo. Foi um final feliz para um “Moleque Atrevido”. A música de Jorge Aragão foi ainda utilizada no Twitter do clube para comemorar o histórico sétimo título e enviar uma clara mensagem à crítica.

 

#Hep7aDeRespeito pic.twitter.com/SnFmYxYsHv

— Corinthians (@Corinthians) 16 de novembro de 2017

Carille Corinthians Jô Liga Brasileira
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