Grande Futebol
Carvalhal, o "papel" de Renato e um historial pouco favorável com portugueses
2017-12-28 16:50:00
Renato tem novo treinador no Swansea e é português, mas Carvalhal não tem sido propenso a lançar jogadores lusos.

Carlos Carvalhal é o novo treinador do Swansea City e na equipa galesa vai encontrar um compatriota português… de nome Renato Sanches. O médio emprestado pelo Bayern Munique tem tido dificuldades em jogar na Liga Inglesa, mas Carvalhal já salientou que o internacional português precisa de “confiança” e de que lhe seja destacado um “papel na equipa”, de forma a continuar a evoluir na jovem carreira. Ainda assim, tal como veremos mais à frente, o historial de utilização de jogadores lusos com Carvalhal em Terras de Sua Majestade não é animador para Renato…

“Às vezes podemos esquecer que ele [Renato Sanches] jogou na Seleção e no Benfica enquanto miúdo. Está a aprender, ainda. Precisa de confiança, precisa de um papel na equipa. Com o tempo vai perceber os papéis que cada jogador tem de desempenhar na equipa, estará envolvido, e quando está envolvido na dinâmica da equipa pode ser um jogador completamente diferente. Acreditamos nisso”, realçou Carlos Carvalhal nesta quinta-feira, aquando da conferência de imprensa de apresentação, na qual vincou o futebol que pretende implementar no Swansea, com o empate a nunca ser a solução, mas sim o triunfo.

A verdade é que Renato Sanches soma apenas 11 encontros disputados pela equipa galesa nesta temporada e ainda no último encontro entrou apenas a cerca de dez minutos do apito final… o português certamente que ganhou novo ânimo com a chegada do treinador português, mas o historial de Carvalhal com jogadores nacionais em Inglaterra não é muito animador. Nas duas épocas e meia em que Carvalhal passou pelo Sheffield Wednesday, foram cinco os jogadores portugueses a vestirem a camisola do clube. Porém, sem contar com a primeira época de Lucas João com o técnico português, em 2015/16, nenhum deles conseguiu afirmar-se como uma das principais opções da equipa. Ora vejamos…

Lucas João chegou a Sheffield em 2015/16, precisamente a primeira temporada de Carvalhal ao leme do clube. E que primeira época de sucesso foi essa… o avançado português somou 48 encontros em campo e foi um dos jogadores mais utilizados. Porém, a situação mudou e em 2016/17, Lucas foi utilizado somente por 14 vezes. Nesta primeira metade de época, o avançado já conheceu utilização mais consistente, com 11 partidas. Outro jogador que acompanhou toda a estadia de Carvalhal no Sheffield Wednesday foi Marco Matias. O atacante somou 22 jogos pelo clube em 2015/16, mas nunca chegou a ser um dos indiscutíveis, nem perto disso, com dois e quatro encontros nas temporadas seguintes, respetivamente.

A lista de portugueses que passaram pelas ‘mãos’ de Carlos Carvalhal em Sheffield é mais extensa. José Semedo fez parte da equipa nas duas primeiras temporadas do treinador por Terras de Sua Majestade, tendo realizado 16 partidas em 2015/16 e 11 na época seguinte. Filipe Melo, agora no GD Chaves, não chegou a disputar qualquer jogo com Carvalhal quando coincidiu com o treinador. Vincent Sasso, agora no Belenenses, jogou no SC Braga antes de rumar a Sheffield e em Inglaterra fez 16 encontros em 2015/16 e 14 na temporada transata.

"Uma dinâmica de trabalho acima da média"

Carlos Saleiro foi treinado por Carlos Carvalhal no Sporting, em 2009/10, e destacou ao Bancada a dinâmica de trabalho implementada pelo técnico. "Naquela altura já era um treinador com dinâmica de trabalho acima da média, trabalhava muito por setores.. onde o adjunto o João tambem tinha um papel muito importante. Um pegava no processo defensivo e outro, juntamente com outro adjunto, na altura o Rifa, pegavam no processo ofensivo. Criava boas dinâmicas de trabalho e treino. Lembro-me que a equipa se sentia bem e jogava bem", realçou Saleiro.

Na ótica de Saleiro, a dinâmica de Carvalhal estendia-se ao plantel e ao balneário. "Dentro do balneário, na altura, era um treinador que não era muito rígido, mas o que falava era interiorizado facilmente por todos, podíamos falar com ele do que quisessemos e, curiosamente, foi com ele o meu melhor período no Sporting."