Estalou a polémica na Costa Rica, com acusações de sabotagem, e há um nome ao barulho que é conhecido dos portugueses.
Já muitas vezes se ouviu dizer que certos jogadores ‘fizeram a cama’ a um treinador numa equipa, ou seja que fizeram de tudo para que o respetivo técnico ficasse de saída do clube. Sendo verdade ou não, é precisamente disso que são acusados alguns internacionais pela Costa Rica, entre eles o ex-Sporting Bryan Ruiz. Quem fez a acusação foi Adrián Gutiérrez, um ex-diretor de seleções do país, que avançou o facto de Jorge Luis Pinto ter saído do comando técnico do conjunto costarriquenho após alguns dos jogadores terem, inclusive, ameaçado perder jogos propositadamente, caso o treinador não fosse afastado do cargo.
“Não queremos o [Jorge Luis] Pinto. Se continuar a ser selecionador, somos capazes de perder um, dois, três, quatro, cinco… os jogos que sejam necessários até que o tirem.” De acordo com Adrián Gutiérrez, em declarações no programa ‘120 Minutos’, do canal 11 da rádio costarriquenha, foram estas as palavras de alguns dos principais pilares da seleção em conversa com responsáveis da federação do país da América Central. Entre os visados estão Bryan Ruiz (Santos FC), Keylor Navas (Real Madrid) e Celso Borges (Goztepe), alguns dos nomes de maior destaque da seleção. Segundo o ex-diretor de seleções, tudo isto aconteceu após o regresso da Costa Rica do Mundial de 2014, que teve lugar no Brasil, curiosamente depois de uma campanha de sonho na competição.
Pois bem, foi em pleno Campeonato do Mundo de 2014 que a seleção da Costa Rica alcançou o melhor trajeto de sempre em Mundiais. Os ‘Ticos’ chegaram aos quartos de final da principal prova de seleções e só caíram nas grandes penalidades diante da Holanda. Na fase de grupos, os costarriquenhos lideraram o grupo que contava ainda com Uruguai, Itália e Inglaterra, sendo que os dois conjuntos europeus ficaram pelo caminho. Nos oitavos de final, a Costa Rica fez-se valer do desempate por penáltis para eliminar a Grécia, mas não foi capaz de fazer o mesmo contra a Holanda na fase seguinte. Ainda assim, ficou para a memória uma campanha de assinalar, que levou, por exemplo, Keylor Navas à ribalta e fez o Real Madrid avançar para a contratação do guardião que agora se vê envolvido nesta polémica.
Por falar no guarda-redes, os jogadores envolvidos nesta situação já esboçaram uma reação, ao negarem que tenham procedido a tais ameaças e sabotagem do ex-selecionador que se encontra agora no comando técnico das Honduras. Foi através de comunicado que Ruiz, Navas e Borges deram conta de que vão “exercer as medidas legais correspondentes para expor a falsidade das afirmações do senhor Gutiérrez”, até porque, segundo revelam os próprios, as “declarações são totalmente falsas e inaceitáveis”. Segundo pode ler-se ainda na nota publicada em nome dos três internacionais pela Costa Rica, essas ações legais têm como intuito “proteger a imagem de jogadores que, ao longo da carreira, nunca estiveram envolvidos em casos de disciplina ou motins na seleção nacional, e sancionar este tipo de condutas ilegais e imorais”.
Os três jogadores aqui referidos contam já com um enorme legado na seleção da Costa Rica e os números são prova disso mesmo. Bryan Ruiz soma já 115 internacionalizações pelo país; Keylor Navas já defendeu as redes costarriquenhas em 87 ocasiões; e Celso Borges leva 116 partidas com a camisola da Costa Rica. São, por isso mesmo, três pesos pesados no balneário e estão agora no centro da confusão de uma polémica que estalou no futebol do país da América Central.