Sempre que o plano incidia na juiza, os realizadores do canal estatal do Irão mudavam de plano
Uma estação televisiva do Irão evitou mostrar Bibiana Steinhaus, árbitra alemã, durante a partida da Bundesliga entre FC Colónia e Bayern, realizado no último sábado. Quando o plano apertava, com Steinhaus na imagem, os diretores do canal iraniano mudavam para planos das bancadas.
Se há uma liga europeia na qual os níveis de popularidade tenham crescido nos últimos anos, a Bundesliga é essa liga. Isto significa que os jogos da primeira liga alemã têm sido transmitidos em todo o mundo. Contudo, este facto não significa que o produto final seja o mesmo em todo o lado.
No passado sábado, durante a emissão do encontro entre o FC Colónia e o Bayern, a contar para a 33.ª jornada da Bundesliga, na estação estatal do Irão, aconteceu algo surpreendente. As interrupções sucederam-se. A razão? O árbitro era Bibiana Steinhaus, uma mulher.
De acordo com Natalie Amiri, correspondente em Teerão do canal público alemão ARD, os censores iranianos asseguraram-se de que os emissores locais substituíam os planos em que surgia Bibiana Steinhaus por planos das bancadas.
Es war ein anstrengendes Spiel für die Zensurmeister im #Iran: #Bundesliga #Bayern gegen #Köln und wer pfeift: eine Frau. #BibianeSteinhaus wurde also nur in der Totalen gezeigt u. jedes Mal als es zu näheren Kameraeinstellungen kam, zeigte das iranische Stastsfernsehen Zuschauer
— Natalie Amiri (@NatalieAmiri) 7 de maio de 2018
Bibiana Steinhaus foi promovida à primeira categoria dos árbitros alemães esta temporada depois de, em 2007, ter chegado à segunda categoria. A primeira árbitra do futebol profissional alemão conta com mais de 80 jogos em escalões profissionais, mas parece que não agrada a toda a gente.
A preocupação dos iranianos em “esconder” Bibiana Steinhaus não é caso único quando falamos de discriminação feminina e de futebol, no Irão, e o tratamento a mulheres iranianas te feito títulos de jornais.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, foi muito criticado recentemente por ter assistido a um jogo da liga iraniana, em fevereiro. Esse encontro ficou marcado pelo que aconteceu nos acessos ao estádio: 35 mulheres foram proibidas de entrar enquanto outras conseguiram, mas vestidas com roupas de homem.
O líder máximo do organismo que tutela o futebol mundial já afirmou publicamente que lhe foi “prometido”, pelos iranianos, que as mulheres iam deixar de ser proibidas de assistir a jogos de futebol no país, “muito brevemente”, sem, no entanto, criticar o facto de aquelas 35 mulheres terem sido barradas, simplesmente por serem mulheres.
These Iranian football fans would do almost anything to see their team win the championship…
Even dress up as men. pic.twitter.com/5T8PtlScfY
— dwnews (@dwnews) 2 de maio de 2018