Marco Rodríguez deixou de apitar há quatro anos, após o Mundial 2014, e agora quer fazer carreira no banco
Esta é a história de um árbitro que esteve nos últimos três Campeonatos do Mundo e que encerrou a carreira há quatro anos, depois de ter apitado a meia-final entre o Brasil e a Alemanha que terminou com um vexame para a canarinha, goleada por 7-1, e que agora tem um sonho: vir a ser treinador. O mexicano Marco Antonio Rodríguez Moreno, de 45 anos, está a fazer por isso.
“Após ter dirigido o Brasil-Alemanha, a meia-final da famosa goleada, decidi colocar um ponto final na minha carreira, depois de ter estado em três mundiais e ter apitado mais de 600 jogos de campeonato. Quando era árbitro, estudei para poder vir a ser diretor técnico, na federação mexicana e, atualmente, estou em Espanha onde adquiri o grau de Master de treinador e acabo de ser certificado como diretor técnico pela RFEF (Real Federação Espanhola de Futebol)”, revelou em entrevista à “Marca”.
Na tarde de 8 de julho de 2014, no Mineirão, Marco Rodríguez mal imaginaria que o último jogo da carreira iria ficar na história dos campeonatos do Mundo. Foi o dia em que o Brasil sofreu o maior vexame da história ao ser goleado pela Alemanha por 7-1, na meia-final da competição. Uma tarde inesquecível para os alemães, com direito a recorde de Miroslav Klose, que chegaria aos 16 golos e bater assim o recorde de Ronaldo, o fenómeno, como maior artilheiro dos mundiais. Um jogo em que Marco Rodríguez não mostrou nenhum cartão e não ocorreram lances polémicos.
‘Chiquimarco’, apelido pelo qual é tratado, revela-se ambicioso nas metas a atingir. “Oxalá surja um corajoso que me ofereça uma oportunidade como treinador. A minha ambição é treinar na segunda divisão espanhola ou mesmo na primeira”, disse. E argumentou a sua ambição: “Tenho bases e capacidades, e além de mais um corpo técnico já constituído que apenas está à espera que alguém confie em nós”.
Marco Rodríguez não acredita que o passado como árbitro o possa vir a prejudicar na nova função. Pelo contrário. “O ter sido árbitro fez de mim uma pessoa ainda mais forte. Para se ser árbitro é preciso manejar uma série de ferramentas e ter de tomar uma série de decisões em tão pouco tempo, e isso dá-te uma bagagem impressionante de experiência”, assegura, ele que tem um opinião formada sobre o VAR.
“Com o VAR, a mordidela do Suárez, o golo de Maradona com a Inglaterra ou o golo do Henry com a Irlanda não passariam impunes. É uma grande ferramenta, mas requer pessoas muito bem preparadas atrás da câmara, que dominem de forma clara os conceitos do jogo, porque será sempre o árbitro que terá a decisão final”.
O Campeonato do Mundo na Rússia poderia vir a ser a quarta presença de Marco Rodríguez num Mundial, mas ‘Chiquimarco’ optou trocar o apito pelo sonho de um dia poder vir a sentar-se no banco como treinador. Preparou-se nestes últimos quatro anos. E está ansioso para começar.