Grande Futebol
“Aqui, sentadinho, é fácil...”, diz Carlos Manuel sobre Ronaldo
Redação
2021-03-30 12:35:00
"Os nossos são sempre maus". Momento protagonizado por Ronaldo merece compreensão do ex-internacional

A braçadeira voou, depois de não ser validado o golo da vitória portuguesa, em Belgrado. Ronaldo não escondeu a frustração e os dedos acusadores foram apontados em direção ao capitão. Carlos Manuel, antigo internacional português e comentador da SportTV, demarca-se dos críticos. Compreende o gesto, ainda que o classifique de “menos bom, e lembra que é fácil falar sentado num estúdio de televisão. 

“Não há razão nenhuma para Cristiano Ronaldo sair, por um momento menos bom, sem dúvida, de frustração. Aqui, sentadinho, é fácil...”, diz o ex-futebolista do Benfica, na SportTV, dirigindo-se a todos os comentadores que não compreendem o sentimento do jogador, no relvado, quando vê um erro de arbitragem deitar por terra uma vitória no reduto da Sérvia, o principal adversário de Portugal na caminhada rumo ao Mundial2022. 

As teorias de que Ronaldo deveria ser castigado, com perda da braçadeira, são, por isso, rebatidas por Carlos Manuel, que concorda com as palavras de Fernando Santos. Na conferência de imprensa de antevisão do jogo com o Luxemburgo, o selecionador elogiou Ronaldo. E Carlos Manuel compreende o sentimento. 

No momento em que se está no jogo, em que se consegue fazer um golo praticamente no fim, em que se é o primeiro jogador a saber que vai ser golo e depois invalidam. Ele já sabia que a bola estava para lá da linha de golo. É um momento incrível, porque é o 3-2, garantia a vitória, mas acaba o jogo...”, lembra Carlos Manuel, colocando-se na pele do capitão. 

Para Carlos Manuel, “é muito fácil dizer mentiras” sobre este assuntoNo entanto, defende, “só quem anda lá dentro percebe a frustração que um lance daqueles provocaE quem fala desta situação só o faz porque os dois jogos não correram bem ao Ronaldo. Mas um jogo não correr bem acontece a qualquer jogador”, realça. 

O antigo futebolista considera, por isso, que “nem pode haver conversa". Porém, Carlos Manuel lamenta esta espécie de masoquismo, este mau hábito de criticar o que é nosso. “Nós somos assim. Os nossos são sempre maus. Temos orgulho deles quando os nossos ganham, mas quando há períodos menos bons somos os primeiros a dar ‘tiros’ nos nossos. Isso não pode acontecer”, defende. 

E este espírito deve prevalecer sobretudo nos maus resultados, mesmo perante adversários em teoria menos fortes. O antigo futebolista lembra que, por vezes, os jogos mais difíceis são aqueles em que o favoritismo é grande. 

É cultural. Eu sei o que é apanhar uma União Soviética, uma Alemanha, uma Inglaterra, ou apanhar Malta, a pior seleção daquele tempo. Contra Malta, estivemos a perder 2-1, até ao final, e só nos últimos minutos demos a volta ao resultado. Demos uma barraca... Contra as equipas menos fortes facilitamos. É cultural”, recorda. 

Contra a Sérvia, Portugal conseguiu “uma primeira parte boa, em que o adversário raramente vai à baliza. Depois, no arranque da segunda parte, sofremos o golo e a equipa desorganizou-se"Facilitamos e quando queremos pensamos que as coisas vão acontecer de coisa diferente”, salienta Carlos Manuel, que lança o embate com o Luxemburgo com pedidos de cautela 

O Luxemburgo, no meu tempo, era fácil... Mas lembro que em 1984 ganhámos 2-1, de aflitos. E hoje o Luxemburgo não é o que era. Deve ser a seleção que mais evoluiu, nos últimos anos. Era uma equipa que colecionava derrotas, mas agora não é assim. O selecionador deles está há 11 anos naquela equipa, melhorou-a há jogadores no estrangeiro. Será um jogo muito difícil”, antevê Carlos Manuel.