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Início » A luz de Dalglish brilhou sempre no meio da escuridão
Grande Futebol

A luz de Dalglish brilhou sempre no meio da escuridão

RedaçãoPor Redação09/06/20184 Mins Leitura
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Mítico jogador do Liverpool FC e da seleção escocesa é desde sexta-feira “Sir”

A luz que Kenny Dalglish irradia brilhou sempre quer dentro, quer fora dos relvados. O mítico avançado do Liverpool FC foi esta sexta-feira armado cavaleiro pela rainha Isabel II, não só pelos serviços prestados ao futebol e à cidade inglesa, como também pelo apoio incansável às causas sociais. Aos 67 anos, o internacional da Escócia, o único desportista a fazer parte da “Queen’s Birthday List”, passou a “Sir”, tal como sucedeu com Alex Ferguson.

“Estou muito orgulhoso por receber esta distinção, uma distinção para mim e para todos os que me acompanharam ao longo dos anos, desde os familiares aos colegas de profissão”, afirmou, com a humildade própria dos grandes, lembrando nomes gloriosos. “Não merecia mais do que Jock Stein, Bill Shankly ou Bob Paisley. Dedico esta honra a eles. Sem o padrão de exigência que colocaram no Celtic e no Liverpool pessoas como eu nunca teriam chegado onde chegaram.” 

O antigo futebolista, nascido em Glasgow, iniciou a carreira no Celtic, onde conquistou seis ligas, cinco Taças da Escócia e duas Taça da Liga, após o que se mudou para Liverpool. Na cidade dos Beatles, teve um registo só ao alcance dos eleitos: completou 515 jogos e marcou 172 golos. Dalglish tornou-se o jogador-treinador do colosso britânico após o desastre do Estádio Heysel, em maio de 1985, na final da Taça dos Campeões Europeus entre a Juventus e o Liverpool FC, quando 39 pessoas morreram, e estava no comando do clube na época da tragédia no Estádio Hillsborough, em abril de 1989. Desde então, foi uma voz ativa das famílias das 96 pessoas que morreram em Hillsborough, participando em diversas campanhas de solidariedade e apoio. 

A sobrelotação e problemas com o controlo do número de adeptos fizeram com que 96 pessoas tivessem perdido a vida. Este episódio trágico marcou profundamente “King Kenny”, que fez questão de marcar presença nos vários funerais das vítimas daquela tarde primaveril fatídica, uma atitude enaltecida por todo o Reino Unido. “Dalglish é uma estrela brilhante na hora mais negra do Liverpool”, afirmaram os jornais ingleses, em homenagem ao treinador escocês.

Kenny Dalglish participou igualmente na angariação de fundos para ações de solidariedade, razão pela qual tenham existido petições para que fosse agraciado com a distinção de Cavaleiro da Coroa Britânica. “Esta honra é de todos aqueles que tiveram um papel, relevante ou não, na minha vida e carreira. Ninguém atinge nada sozinho, em especial no futebol. É claro que a minha família merece um agradecimento especial.”

De bispos a presidentes de Câmara, Daglish encantou tudo e todos pela simplicidade. “O rei foi coroado pela rainha. Finalmente, foi reconhecido todo o trabalho de Kenny Daglish no futebol e na sociedade”, referiu o “mayor” da cidade de Liverpool, Steve Rotheram, enquanto o bispo da emblemática cidade sublinhava o carácter de “ser humano excecional”.

Em nome da história

Kenny Dalglish fez história ao tornar-se no jogador mais caro da história do futebol britânico, quando, a 10 de agosto de 1977, assinou pelo Liverpool FC por, aproximadamente, 2,8 milhões de euros. Além do peso inerebre a esteve valor recorde pago pelos “reds”, Dalglish herdou a mítica camisola 7, anteriormente usada por Kevin Keegan, um dos ídolos do clube de Merseyside, que se havia transferido para os alemães do Hamburger SV. 

A verdade é que o escocês respondeu da melhor forma à responsabilidade ao ponto de ter sido eleito o melhor jogador de Inglaterra e segundo melhor do mundo, em 1983. Em 1985, após a saída de Joe Fagan, Dalglish assumiu o papel de jogador-treinador e passou a alinhar menos vezes. Com 39 anos, jogou os últimos 19 minutos contra o Derby County, que foram também os últimos como futebolista.

“King Kenny”, nome que lhe foi atribuído pelos adeptos do Liverpool FC, devido à sua forma de jogar e aos títulos conquistados, foi também figura de proa da Seleção da Escócia, ao serviço da qual marcou 30 golos em 102 jogos (recorde absoluto). Como treinador, orientou o Blackburn Rovers, conquistando o título da Premier League em 1994/95, e o Newcastle. Em termos absolutos, arrecadou 14 títulos de campeão, enquanto jogador e treinador, na Escócia e em Inglaterra, além de três Taças Europeias pelo Liverpool FC.

 

Kenny Dalglish Liverpool FC
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