Perdeu uma perna e casou com a enfermeira da clínica de reabilitação.
1998. Fez, há poucos dias, 20 anos. A 13 de dezembro, um homem paraquedista – já veterano na atividade – decidiu fazer mais um dos 6000 saltos que fez na vida. Nigel Rogoff, vestido de Pai Natal, como a quadra exigia… perdeu uma perna.
Nesse dia, havia jogo no Villa Park, em Birmingham. O Aston Villa-Arsenal, que terminaria 3-2 a favor do Villa, estava no intervalo. O tal Pai Natal voador garante que a decisão de saltar foi dele. “As condições atmosféricas não estavam perfeitas: estava escuro e um pouco ventoso, não havendo grande margem de erro. O rapaz no relvado deu o ‘ok’, pelo que a decisão de saltar do avião foi inteiramente minha. Ninguém me empurrou. Ser paraquedista das forças armadas é uma profissão de risco e tive azar, nesse dia”, garantiu Nigel Rogoff, em 2008, ao Guardian.
Na data desta entrevista já Rogoff tinha menos uma perna. O acidente de paraquedas fê-lo ir de encontro ao telhado do Villa Park e o resultado foi uma queda nas bancadas, uma perna amputada e uma onda de solidariedade, daquelas que só o futebol – com o bom e o mau que traz – consegue mover.
“Nessa noite, recebi 177 unidades de sangue. Nunca tinha dado sangue na minha vida, mas 177 pessoas moveram-se e deram sangue. Todas elas contribuíram para me salvar a vida”.
Nigel Rogoff esteve ventilado durante três semanas, em cuidados intensivos, e só em 1999 é que, já consciente, teve noção do que aconteceu. “Os médicos disseram-me que parte da perna tinha ficado no topo do estádio e eu decidi, de livre vontade, avançar com a amputação”.
“Muitas pessoas escreveram quando estive no hospital. Foi evidente que tive um grande efeito – efeito chocante – na vida de muita gente e sinto-me culpado por isso. Estavam crianças no estádio, perto de onde caí. Ainda hoje me sinto culpado por isso. Foram lá ver um jogo de futebol e acabaram a ver o Pai Natal cair no telhado do estádio”.
Plot twist: perder uma perna é mau? Sim. Falhar aquela exibição natalícia foi embaraçoso? Sim. Ter de deixar a profissão que já lhe tinha dado mais de 6000 saltos é revoltante? Sim. No entanto, senhoras e senhores, esta história não acaba aqui.
“Na clínica de reabilitação havia uma enfermeira chamada Sarah. Não estava a cuidar diretamente de mim, mas a nossa amizade foi-se desenvolvendo. Hoje, estamos casados e temos dois gémeos. Conhecê-la foi o ponto de viragem da minha vida. É quase como se fosse o meu destino”.