Guardiola irritou-se com a bola do Manchester City-Wolverhampton e não poupou nas críticas
O Manchester City sofreu a bom sofrer para eliminar o Wolverhampton da Taça da Liga, com o vencedor a ficar decidido no desempate por penáltis e no final, Pep Guardiola queixou-se da… bola. O Bancada levou a sério a inquietação do treinador catalão e foi ver as bolas utilizadas nos principais campeonatos europeus. Conheça as diferenças e quem domina o mercado, numa área em que o “marketing” dita leis, numa área marcada pela guerra feroz entre as marcas.
“Não é uma bola séria para uma competição séria. É inaceitável. Se calhar, se fosse com uma bola diferente, Aguero tinha marcado. Mas era quase impossível”, referiu o treinador dos “citizens”, visivelmente agastado, justificando as críticas: “É demasiado leve. É impossível marcar com uma bola destas e digo-o agora que ganhámos, não é desculpa. É uma questão de marketing. Não é aceitável. Treinámos com ela um dia ou dois e todos os jogadores se queixaram.”
Contrariamente ao que sucede na Premier League onde reina a “Strike”, bola da Nike, o jogo da Taça da Liga teve uma bola da Mitre, que não deverá ter ficado nada satisfeita perante os reparos do técnico do City. O tom crítico também foi adotado por Yaya Touré. “Levas essa bola para África e ninguém a quer. É muito má. Os jogadores esperam jogar com bolas boas, este era realmente muito difícil”, frisou o internacional marfinense.
Não será por falta de inexperiência no mercado ou no mundo do futebol que a Mitre desenhou a bola que tanto irritou Guardiola, pois a fabricante do esférico que tantas multidões encanta foi fundada há 200 anos (1817) na cidade de Huddersfield. Guardiola resumiu tudo a uma questão de “marketing”. A guerra (feroz) entre as marcas impera ao ponto de a liga francesa (Ligue 1), já no início desta temporada, e também a liga alemã (Bundesliga) terem mudado de fornecedor.
A Nike domina o mercado. Além, de Portugal, tem as suas bolas a saltitar nos relvados de Espanha, Inglaterra e Itália. Surpreendente é o facto de a Adidas só patrocinar um dos cinco principais campeonatos europeus e apenas por uma questão de tempo.
Os germânicos da Uhlsport passaram a ditar leis no campeonato francês. A bola chamada “Elysia” faz referência ao mítico estádio Champs Elyséens, em França, com a Uhlsport a superar a Adidas como nova fornecedora, depois de a Liga alemã ter anunciado também um novo patrocinador como marca oficial do campeonato germânico. A “Elysia” é branca com detalhes em cinza e amarelo neon. Segundo o texto de divulgação da empresa, surge fruto das novas tecnologias, com “baixa absorção de água.”

A França já mudou. A Alemanha vai mudar. A Liga alemã anunciou que a Adidas deixará de ser a fornecedora da bola oficial da primeira e segunda divisões em território germânico ao final do atual contrato, que termina precisamente na temporada 2017/2018. O acordo entre a empresa alemã e a Liga já durava há muito, desde 2010. A atual bola chama-se “Torfabrik”, mas a partir de 2018/2019, a liga alemã irá usar bolas da Derbystar, da Dinamarca, que há havia sido dona da bola do campeonato alemão na temporada 1979/1980.
“O nosso regresso ao futebol alemão mostra a posição sólida da empresa no mercado de futebol e o nosso desempenho nos últimos anos”, afirmou Andreas Flipovic, diretor de vendas da Derbystar. “Duplicamos as vendas desde 2010 e nossa presença na primeira e segunda divisões da Alemanha irá fortalecer ainda mais a marca”, acrescentou Joachim Böhmer, executivo da empresa dinamarquesa. O compromisso entre as partes vai prolongar-se até a temporada 2021/2022. Além de fornecedora da bola oficial, a Derbystar tem no currículo parcerias com alguns clubes germânicos.

Esta situação faz com que a Adidas vá ficar sem contrato com qualquer das principais ligas nacionais europeias. A empresa germânica, porém, possui acordos com a FIFA e a UEFA.
Em Portugal, tal como em Espanha, Inglaterra e Itália, impera a Nike. “Voo aperfeiçoado”, é o slogan da bola que rola nos campeonatos nacionais. “Esta é a bola que te vai dar alegrias, que te vai fazer saltar da cadeira no festejo de cada golo da tua equipa e que será usada pelos melhores intérpretes do futebol nacional”, enfatizou a liga, após o acordo celebrado com a marca americana.

A bola utilizada na Premier League também é criação da Nike, que lhe deu o nome de “Strike”. O novo esférico da marca americana traz uma “superfície mais suave e resistente, melhorando o toque e controle dos atletas”, explica a Nike, que parece ter agradado a Pep Guardiola, que ainda não se queixou da bola nos jogos da liga principal britânica, onde reina com cinco pontos de vantagem sobre o segundo classificado, o Manchester United de José Mourinho.
O esférico em terras de sua majestade tem a cor branca a dominar, em contraponto com o preto, além de detalhes em roxo e verde. O combinado de cores é a única diferença relativamente à bola que rola nos relvados de Espanha. O desenho do esférico volta a ser da Nike, que batizou o modelo como “Ordem V”.
A liga espanhola explicou que a nova bola “é caracterizada por um toque melhorado com melhor controlo”, destacando ainda o uso da tecnologia de movimento ‘Distorted Motion Graphic’, “gráficos de movimento distorcidos que piscam quando a bola é posta em movimento para facilitar o monitorização.”

A série A, de Itália, é outro dos campeonatos do denominado “Big Five”, que adotou a bola da Nike, privilegiando a aderência. Os painéis formam um pentágono e permanecem pretos. Já o colorido que antigamente acompanhava o corte dos painéis, desta vez transcende os limites nas cores vermelha, laranja e amarela. Os gráficos foram impressos na superfície da bola utilizando tinta 3D que cria uma sensação de textura que traz maior aderência. Quando a bola gira, geram cintilação ajudando os jogadores a distingui-la com maior facilidade.
