Fora da Bancada
Presidente pede "estabilidade sem pântano" e "alternativa clara na governação"
Redação
2021-03-09 17:25:00
Marcelo Rebelo de Sousa define prioridades ao tomar posse para o segundo mandato em Belém

Marcelo Rebelo de Sousa tomou hoje posse como Presidente da República e prometeu, para este segundo mandato em Belém, defender uma “melhor democracia”, apelando a uma estabilidade política “sem pântano” e com “alternativa clara na governação”.

No discurso, proferido na cerimónia que decorreu na Assembleia da República, o chefe de Estado defendeu “a inclusão, a tolerância” e “o respeito por todos os portugueses”, contestando “o mito do português puro”, numa indireta ao Chega, o partido mais à direita no Parlamento.

Portugal precisa de “melhor democracia, onde a liberdade não seja esvaziada pela pobreza, pela ignorância, pela dependência ou pela corrupção, onde a inclusão, a tolerância, o respeito por todos os portugueses, para além do género, do credo, da cor da pele, das convicções pessoais, políticas e sociais não sejam sacrificados ao mito do português puro, da casta iluminada, dos antigos e novos privilegiados”, afirmou Marcelo.

“Queremos uma democracia que seja ética republicana na limitação dos mandatos, convergência no regime e alternativa clara na governação, estabilidade sem pântano, justiça com segurança, renovação que evite rutura, antecipação que impeça decadência, proximidade que impossibilite deslumbramento, arrogância, abuso do poder”, continuou o Presidente, apresentando a “primeira prioridade” deste segundo mandato.

Marcelo Rebelo de Sousa realçou o facto de ser o primeiro chefe de Estado a tomar posse com Portugal em estado de emergência, mostrando assim que a democracia, simbolizada pelo Parlamento, “nunca deixou de funcionar ao serviço dos portugueses” durante a pandemia de covid-19.

Nesse sentido, o Presidente da República agradeceu aos deputados “o exemplo de dedicação à democracia, nunca aceitando calá-la, nunca aceitando suspendê-la, nunca aceitando fazê-la refém”.

“Que seja essa a primeira lição do dia de hoje”, frisou Marcelo: “Vivemos em democracia, queremos continuar a viver em democracia e em democracia combater as mais graves pandemias”.

“Preferimos a liberdade à opressão, o diálogo ao monólogo, o pluralismo à censura, e demonstrámo-lo realizando duas eleições em pandemia, de uma das quais [regionais dos Açores] resultou a subida da oposição ao Governo”, finalizou o Presidente, ao tomar posse para o segundo mandato.