A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou uma regra que promete revolucionar o futebol canarinho, uma vez que, de agora em diante, há limites para os clubes contratarem treinadores durante a temporada.
A partir de agora, cada emblema do Brasileirão só poderá contratar, no máximo, dois treinadores por época e se o clube quiser despedir o segundo treinador da temporada terá de colocar no cargo alguém já com uma ligação superior a meio ano ao emblema.
Confrontada com esta situação, a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), pela voz do presidente José Pereira, descarta, que uma medida semelhante tivesse 'pernas para andar' em Portugal. E explica as razões.
"A liberdade do trabalho é inalienável, portanto ninguém pode impedir alguém de fazer um novo contrato à luz da nossa Constituição", comenta José Pereira.
O presidente da associação de treinadores entende que esta situação poderia avançar em Portugal mas acredita que rapidamente qualquer treinador recorreria para um tribunal para fazer cair esta medida à luz da lei fundamental do país, a Constituição da República Portuguesa.
"É um assunto que poderá eventualmente colocar-se em termos desportivos, mas em termos constitucionais será muito difícil alcançar uma situação dessas, porque facilmente uma pessoa recorrerá aos tribunais pelo facto de lhe cortar a possibilidade de trabalhar", assinalou o presidente da ANTF, em declarações na Renascença.
José Pereira refere ainda que o país tem regras e entende que o futebol não pode estar acima da lei. "No nosso país ou num país democrático, dificilmente essas coisas podem acontecer".
O presidente da associação de treinadores mostrou-se ainda pouco confiante que os clubes pela via pedagógica possam adotar um comportamento semelhante, procurando não ter mais que dois treinadores por temporada.
"Existe a situação que existe neste momento e que não será ultrapassável por via da diplomacia", afiança José Pereira segundo o entendimento que tem do futebol português.
Além disso, o presidente da ANTF diz que "em termos legais, também é incontornável o direito de cada um trabalhar na sua profissão, seja em que circunstância for."
E por isso, insiste, que não acredita que uma medida semelhante à aprovada pela CBF possa 'vingar' no futebol português onde também são frequentes os despedimentos de treinadores ao longo da época, sendo que vários clubes acabam por mudar até mais do que uma vez de timoneiro ao longo da temporada.