Portugal
“Jesus não pode ‘chorar’ desta maneira. Não lhe fica bem”, critica Carlos Manuel
Redação
2021-03-07 17:40:00
Palavras do treinador do Benfica sobre estratégias dos treinadores geram discórdia do antigo médio

As declarações produzidas hoje por Jorge Jesus suscitaram críticas de Carlos Manuel, antigo internacional português, antiga glória encarnada e treinador de futebol. Na opinião do técnico do Benfica, os treinadores portugueses recorrem reiteradamente à falta, para travar adversários mais fortes.

Jesus disse, neste domingo, que, contra o Benfica, só ouve os treinadores adversários dizer ‘mata, mata, mata’, numa alusão a fazer faltas, com a finalidade de parar a jogada do adversário. Carlos Manuel respeita a opinião, mas discorda por completo, até porque, sustenta, “é normalíssimo” que qualquer equipa recorra à falta para travar o adversário e segurar resultados positivos. 

“O Jorge Jesus também já o fez. Tenho a certeza absoluta. E não se pode ‘chorar’ desta maneira. Até porque não lhe fica bem falar dos treinadores portugueses desta maneira. Nós temos dos melhores treinadores do mundo. E ele está dentro desse lote. Não lhe fica muito bem falar nessa situação”, referiu Carlos Manuel, em declarações à SportTV, neste domingo. 

Recorrer à falta estratégica é algo que qualquer treinador aceita, em qualquer campeonato, seja em Portugal ou em Inglaterra, por exemplo: “Em relação às faltas, acho que todos fazem. Tanto fazem cá, como na Inglaterra. É uma parte estratégica do próprio jogo 

Se estiver a ganhar a dois minutos do fim, qualquer equipa vai recorrer às faltas. Não tenho a menor dúvida. Sejam elas melhores ou piores. Se o Benfica jogar com o City e estiver a ganhar 1-0 a dois minutos do fim, vai fazer 10 faltas, certamente. Mas isso é natural”, sustenta também o antigo futebolista encarnado. 

Carlos Manuel refere, por outro lado, que nenhum técnico prepara um embate a pensar nesta situação: “Isto não é algo que se prepare, porque ninguém sabe se vai estar a ganhar 1-0 na parte final do jogo. É uma estratégia que surge durante o jogo. E isso só é corrigido se os árbitros não marcarem tantas faltas, desde que estas não existam. Isto é a realidade. Se não houver falta, o árbitro deixa seguir o jogo e os jogadores que simulam vão aprendendo". 

A alusão que Jorge Jesus fez ao facto de alguns treinadores usarem essa estratégia porque estão ‘com a corda na garganta’ também merece reparos. “A situação que o Jorge Jesus disse – que são os treinadores portugueses que dizem ‘mata, mata, mata’” – passa-se em todo o lado. Não é certamente porque perdem o emprego, é porque querem ganhar o jogo, não querem perder, a ideia é essa”, salienta. 

Já as simulações e perdas de tempo, que Jesus também aponta como prejudiciais para o espetáculo, deverão ser alvo de uma ponderação. Mas Carlos Manuel defende que travar estes comportamentos “parte sempre da educação que os árbitros podem dar aos jogadores 

Carlos Manuel respeita a opinião do treinador do Benfica sobre o antijogo, mas apresenta uma visão diferente. “Os treinadores vão fazer, continuará a haver, enquanto os árbitros não tomarem medidas. Quando os árbitros decidirem mudar essa situação, cá em Portugal, não tenho dúvidas de que os jogadores vão mudando, os próprios treinadores vão mudandoMas, no mundo inteiro, far-se-á sempre”, complementa, lembrando ainda os "truques" dos futebolistas e a posição defensiva dos árbitros, que tendem a travar o jogo para o ter na mão.

"Os árbitros são assim. Já se sabe os truques que os jogadores têm. Eu também os tive. O jogo entre Sporting e Santa Clara também teve muitas faltas [42, no total]. Isso resulta do receio dos árbitros, que para terem o jogo na mão, vão marcando", conclui Carlos Manuel.