Portugal
Governo quer eliminar das claques “fatores criminógenos” e “dinheiro fácil”
Redação
2021-03-03 13:05:00
João Paulo Rebelo quer combater criminalidade nas claques que cativa pessoas que nem se interessam pelo futebol 

O secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, pretende combater a criminalidade nas claques. Para o efeito, o Governo tomou medidas que dotam as forças de segurança de meios que permitam identificar pessoas que (nesses grupos de adeptos) encontram modos de obter dinheiro fácil.  

“Sobre as claques, nós temos de eliminar os fatores criminógenos que levam a que algumas pessoas se juntem a esse fenómeno. Vamos falar claro. Há dinheiro, há muito dinheiro, dinheiro que não é escrutinado nalgumas [claques]. E isso leva a que algumas pessoas que se aproximam não tenham as melhores intenções. Aproximam-se com as intenções do dinheiro fácil, do dinheiro através de formas que ninguém pode compactuar com elas”, sustentou, no programa Futebol Total. 

A título de exemplo, João Paulo Rebelo fala dos bilhetes que os clubes entregam às claques, bilhetes esses que podem depois ser comercializados. “Se eu receber de uma direção mil bilhetes e se os vender a 10 euros cada um, todas as semanas, ou de 15 em 15 dias, aquilo é um negócio interessante”, ironiza. E “a partir do momento em que isso acabe, se calhar alguns vão desinteressar-se dessa sua participação nas claques”, considerou o governante. 

Afastar estas pessoas que não estão interessadas no futebol, mas que se aproximam com outros fins, é um passo essencial para combater a violência no desporto. 

Quando cheguei à secretaria de Estado da Juventude e Desporto, já trazia essa ideia de que a violência era um problema evidente. O país não vai ter cultura desportiva enquanto tivermos no desporto uma mistura de fenómenos que nada têm que ver com desporto. A violência nada tem que ver com desporto. É condenável em todas as formas, indiscutivelmente. Mas no desporto é que ela não tem mesmo lugar. Como não têm outros fenómenos, como a batota, o matchfixing, entre outros”, contextualiza. 

Numa análise ao fenómeno das claques, o Governo sentou à mesma mesa diversas entidades que, mesmo que tenham visões distintas sobre o futebol, estão unidas no combate à violência. “Relativamente às claques, resolvi fazer uma coisa de elementar bom-senso: sentar à mesa a Federação, a Liga, a APAF, o Sindicato de Jogadores, os treinadores, e decidir o que fazer. Há certamente coisas que nos separam, mas o combate à violência une-nos. E começámos a trabalhar”, prossegue João Paulo Rebelo. 

A partir daqui, o secretário de Estado sentiu que as forças de segurança tinham uma limitação: “O que é que as autoridades de segurança, desde a primeira hora, nos disseram? ‘Senhor secretário de Estado, o nosso problema é identificá-los’. Nós temos um gravíssimo problema: temos os polícias, a olhar para as bancadas, mas não é possível identificá-los. E continuavam até há muito pouco tempo a dizê-lo: ‘Não os conseguimos identificar’. 

E por isso avançou-se para o cartão de adepto, que torna possível a identificação de todos os membros das claques. “Alguns dizem que a medida não terá efeitos positivos, mas eu pelo menos sei que, aos agentes de segurança, demos uma resposta óbvia. E não obrigamos as pessoas a ir para aqueles setores”, salienta João Paulo Rebelo, no canal 11. 

Num estádio, eu posso ir para onde quiser: se eu quiser estar ao lado do bombo e da corneta, das bandeiras de grande dimensão, tenho de me registar. Tenho de me identificar e, com o meu cartão de adepto e vou para aquela zona. Depois, naquele setor, as forças de segurança sabem exatamente quantos e quem. E isso é fundamental para a polícia fazer o seu trabalho e para que, posteriormente, a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto fazer o seu trabalhoE quero sublinhar o bom trabalho que tem sido feito por esta autoridade. Isto era fundamental. Vai resolver todos os problemas? Provavelmente resolverá”, conclui.