Portugal
Golos falhados, bolas ao poste e um golo. A crónica de uma vitória anunciada
Redação
2021-05-11 23:15:00
Mesmo com desperdício de Paulinho o Sporting festejou o 19.º título

O Sporting conquistou hoje o seu 19.º título nacional, após jejum de 19 anos, ao vencer o Boavista por 1-0, na 32.ª jornada da I Liga de futebol, num encontro em que Paulinho marcou, mas desperdiçou várias oportunidades.

A equipa leonina fez o suficiente para ter resolvido muito mais cedo a partida, tal a superioridade que revelou perante um Boavista que defendeu o tempo todo e sentiu sempre grandes dificuldades em estender o jogo até à área do Sporting, mas Paulinho esteve quase sempre de ‘candeias às avessas' com a baliza de Leo Jardim.

A exceção foi mesmo o lance do golo, aos 36 minutos, numa jogada em que João Mário foi preponderante, na forma como atraiu dois adversários, segurou a bola, rodou e abriu para a entrada de Nuno Mendes, cujo cruzamento magnífico Paulinho aproveitou para desviar a bola para o fundo das redes, numa execução bem mais difícil do que outras em oportunidades que falhou.

A equipa andou sempre ‘à boleia' da sua ala esquerda, formada pela sociedade dos Nunos, Mendes e Santos, que deram profundidade, aceleração e acutilância ao ataque que se traduziram em oportunidades de golo suficientes para Paulinho e Pedro Gonçalves terem antecipado a festa fora do relvado, mas o avançado contratado ao Sporting de Braga em janeiro esteve desastrado na finalização.

Antes disso, o Sporting sofreu um revés com a lesão de Porro, aos 17 minutos, substituído por João Pereira que deixou a equipa coxa pela ala direita, e assentou ainda mais a preponderância da dupla Nuno Mendes/Nuno Santos, que vários desequilíbrios na defesa axadrezada.

Na segunda parte, o Sporting, que já tinha tido uma entrada forte no jogo e uma quebra a meio da primeira parte, voltou do intervalo determinado em marcar cedo o segundo golo e resolver a questão do título, mas deu-se início ao festival de golos quase feitos falhados por Paulinho.

Aos 52 minutos, com a bola à mercê à entrada da pequena área, perdeu tempo à procura do pé esquerdo e acabou por rematar por cima da barra; aos 60, falhou uma finalização fácil de cabeça, após um cruzamento de Nuno Mendes da esquerda; aos 79, voltou a finalizar mal, em posição privilegiada na área, chutando por alto com tudo para bater Leo Jardim.

É verdade que o Boavista nunca chegou a ameaçar seriamente a baliza de Adan, nem mesmo nos derradeiros minutos da partida, e, que nada tinha a perder, mas Paulinho testou a saúde das coronárias dos sportinguistas que ansiaram quase uma hora pelo segundo golo que não chegou.

De destacar a boa exibição de João Mário, que hoje assumiu ‘a batuta' no ‘miolo', além da já referida sociedade dos Nunos, Mendes e Santos, e da solidez defensiva que a equipa voltou a revelar, graças à capacidade de marcação e recuperação de bolas de Palhinha e ao acerto dos centrais, que não deram hipóteses aos avançados do Boavista, que apenas obrigaram Adán a empregar-se a fundo à beira do intervalo, aos 40.

O Sporting quebrou assim um ‘jejum' no campeonato que durava há 19 anos, proeza da qual o grande obreiro foi o treinador Rúben Amorim, numa época atípica, sob uma pandemia que retirou o publico dos estádios e afetou quase todos os plantéis, contra todas as expectativas, que eram muito baixas à partida, mas foi indiscutivelmente a equipa mais regular da competição, como o atestam os 32 jogos que disputou sem uma única derrota, somando 25 vitórias e sete empates até ao momento.