Jogo do Povo
FC Alverca. Um ‘Cavani’ a desenhar golos nos ‘blaugrana’ do Ribatejo
2023-11-30 15:10:00
Entrevista a Rodrigo Freitas, avançado do FC Alverca B, do Campeonato de Portugal

A vida é uma prova de resistência e as transformações pautam os dias, evidenciam o bom e o mau, impondo leis e desafios, testando ao limite o sucesso e o insucesso de cada um. No futebol essa vertente é avaliada semana a semana, jogo a jogo. De heróis a vilões, dos que são criticados aos que prolongadamente são apaparicados, tudo pode mudar num instante. O futebol é também isto. Sabe-se que é assim. Convive-se com ele desta forma. Há anos.

E se é assim ao longo dos tempos, há dias em que um jogador é estrela, brilha que nem peça nas mais luxuosas exposições entre as luzes dos candeeiros, mas há também dias e momentos em que tudo parece mais escuro, de caminho apertado. Só que no bater dos ponteiros do relógio da vida, o futebol eterniza aqueles que lutam todos os dias, minuto a minuto para serem melhores, aqueles que sabem que se num dia as coisas correm pior, há sempre a possibilidade, ainda que sofregamente, de correr bem depois. 

Resta, pois, sustentar a vontade numa ambição gigante para, no fim, se soltar o grito do golo, quando o futebol se festeja e celebra, porque é ‘disto que o povo gosta’, como diria Jorge Perestrelo.

O golo, esse remédio para a felicidade no jogo, que esculpiu o rosto e a alma para sempre de tantas lendas e as fez, e faz, eternas do desporto. É por ele que se vai à bola, que se suspira a cada 90 minutos, que se carregam, como agora é tão atual, likes e coraçõezinhos nas redes sociais dos ídolos do futebol. 

Caminho livre para o golo mas com 'ticket' de goleador na 'portagem' de Alverca

O golo, razão e motivo. Por isso, diz-se que o golo ‘está caro’ e quem o marca é colocado num pedestal, engrandecido tantas vezes, destaque das bancadas e por entre quem acompanha o fenómeno.

O golo é o fim mas tem um princípio e meio de trabalho de muita gente, porque no futebol a equipa será sempre um todo e, dizem, é mais importante que o individual. É, pois, nessa lógica que Rodrigo Freitas encara a vida pelas bandas do ribatejo. Dez golos em outros tantos jogos do Campeonato de Portugal são um fator importante para se 'parar na portagem' de Alverca e conversar com o avançado que se vai descantando nos alverquenses, um clube que tem flashes históricos no futebol nacional.

"Um dos nossos centrais perdeu a cabeça e depois de ter sido amarelado e tentou rasgar o cartão do árbitro. Só que são de plástico. Ainda esteve uns 10 segundos a tentar rasgar o cartão"

Ao Jogo do Povo, Rodrigo Freitas admitiu que atravessa um bom momento e espera continuar a trabalhar diariamente com a mesma seriedade de até hoje para cumprir os objetivos coletivos e pessoais.

"Aquilo que eu sonho é manter uma vida digna e com valores morais definidos. Em termos profissionais, quero dar o máximo e ver onde chego, porque o resto já não controlo", afirmou Rodrigo Freitas, que ainda tendo uma curta carreira tem já alguns episódios caricatos para contar, como aquele em que um companheiro de equipa tentou rasgar o cartão ao árbitro mas não foi bem sucedido com o plástico.

"Era sub-15 e estava a jogar no Cova da Piedade e estávamos a jogar contra o Arrentela fora. Na altura, a nossa equipa estava a ganhar 3-0 e um dos nossos centrais perdeu a cabeça e depois de ter sido amarelado e tentou rasgar o cartão. Só que são de plástico e não só ele não conseguiu rasgar, como ainda ficou a tentar uns bons 10 segundos", revelou Rodrigo Freitas, lembrando que, na altura, o castigo foi 'pesado'.

"Ele acabou por ser suspenso durante seis meses. Foi, sem dúvida, das experiências mais engraçadas que já tive", confessou o jogador ao Jogo do Povo, no Bancada, dando conta também de que o futebol, por vezes, é "um mundo injusto", mas mesmo nos dias mais cinzentos acaba por ir para dentro de campo, até porque, confessa Rodrigo Freitas, não se iria perdoar se alguma vez "desistisse".

Para manter a forma e a confiança que têm ficado bem patentes nos 10 golos em outros tantos jogos, o jogador dos alverquenses explica que é preciso sair bem cedo da cama diariamente.

"Acordo às 7 da manhã, vou para o treino que começa as 9H30, volto para casa por volta do meio dia", explicou o avançado, realçando que em alguns dias ainda passa pelo ginásio para cuidar do físico para estar sempre pronto para os desafios no clube. Pelo meio, há sempre tempo para dedicar à namorada, para ler e jogar videojogos.

Os sacrifícios de um pai a trabalhar por turnos mas sempre na bancada no apoio

Mas o futebol ocupa grande parte da atenção do jogador que se tem vindo a destacar no Campeonato de Portugal, uma competição "muito física" mas também "equilibrada", sendo "uma grande rampa de lançamento para outros patamares devido à visibilidade que tem".

Fã de Mauro Icardi e Edinson Cavani, Rodrigo Freitas admitiu ao Jogo do Povo que as "movimentações ofensivas de génio que fazem" quer o uruguaio quer o argentino lhe despertam a atenção. Mas ídolo, ídolo é o pai de Rodrigo.

"O meu pai sempre deu tudo por mim, mesmo trabalhando por turnos quase nunca faltou a um jogo meu. Nunca me deixou estar muito em cima ou muito em baixo e por isso ele é um exemplo para mim", assegurou o avançado, que tem um desejo: "Espero um dia ser pelo menos metade daquilo que o meu pai é".

E o que Rodrigo Freitas espera também é continuar a aperfeiçoar a arte de balançar as redes. Por isso, está sempre atento aos avançados que se vão destacando como Erling Haaland, do Manchester City, figura que gostaria de ver ao vivo. "Adorava ver isso ao vivo", contou ao Jogo do Povo o jogador que nunca sai de casa "sem o relógio do avô", que o deixou de herança para um jovem que tenta acertar todos os ponteiros do futebol para que a carreira dê certo.

Aprender desenho e programação para lá do futebol

O futebol preenche a vida de Rodrigo Freitas, mas para lá dos relvados e da bola, o avançado tem ambições, algumas delas curiosas, ou talvez não. "No futuro gostaria de aprender a desenhar, programar e experimentar outros desportos que não tive oportunidade de experimentar", admitiu o jogador do Alverca, em declarações ao Jogo do Povo, ele que se ficou, para já, pelo 12.º ano, pois na altura em que poderia entrar para o Ensino Superior, a 'chamada' do futebol apareceu e assinou pelo Cova da Piedade.