Portugal
Convocatória pode motivar futura impugnação da AG do Sporting
2020-09-16 18:05:00
Decisão final da Direção-Geral de Saúde vai evitar ou criar um problema aos dirigentes leoninos

A Assembleia Geral (AG) do Sporting, convocada para 26 de setembro, poderá vir a ser alvo de pedidos de impugnação, uma vez que a convocatória não prevê a discussão do relatório e contas da última época e do orçamento para a nova temporada.

A convocatória refere que a reunião magna "será exclusivamente para votação de orçamento e contas", o que colide com os estatutos do Sporting.

Em causa está a obrigação, contemplada nos estatutos, de ser aberto um período de análise e debate (neste caso, do relatório e contas e do orçamento) antes da votação dos documentos.

A não existência dessa discussão poderá ser evitada por motivo de força maior, como o contexto pandémico em que vivemos.

A 'resposta' está, para já, nas mãos da Direção-Geral da Saúde (DGS), que terá de emitir as orientações para a realização da AG.

Caso a DGS determine que, perante a possibilidade de contágios, a AG deverá contemplar unicamente a votação, tal diretriz terá precedência sobre os estatutos do Sporting.

No caso das orientações nada referirem, está aberta a porta a mais uma crise interna em Alvalade.

Em declarações ao jornal Leonino, um ex-dirigente e um putativo candidato já manifestaram reservas quanto à legalidade da convocatória.

"Se a AG do Sporting não se puder realizar por colocar em risco a saúde dos participantes, estará justificado. No entanto, se a mesma for autorizada pela DGS, e espero que o seja, então nesse caso acho um abuso e um atropelo à história do Sporting e ao próprio Regulamento que não se respeitem as mais elementares regras da democracia participativa", defendeu Bruno Mascarenhas, antigo vogal da direção de Bruno de Carvalho.

Nuno Sousa, que tem mantido no ar a hipótese de ser candidato nas próximas eleições, acrescentou que a convocatória "exclusivamente para votação" está a negar aos sócios "os direitos de colocar questões e de as verem esclarecidas".

"Não são os órgãos sociais que têm a competência de escolher os temas que são ou não incluídos em AG", acrescentou o putativo candidato.

Nuno Sousa apontou de seguida "mais uma violação estatutária", referindo-se à não inclusão da votação eletrónica (I-Voting) na AG leonina.

Neste ponto em particular, Bruno Mascarenhas manifestou uma posição contrária.

"Há uma rejeição clara, e parece-me generalizada, dos associados a essa medida que promove o afastamento e alheamento na vida do clube e que não garante que as regras democráticas de verificação e apuramento das votações sejam asseguradas", explicou.

 

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