Portugal
"Contra o Benfica eu nem precisava de aquecer. Só quem é portista percebe isso"
2020-12-04 09:50:00
"Por mim, jogava dez jogos contra o Benfica e podiam ser oito lá e dois cá"

Antigo jogador do FC Porto, Paulinho Santos é ainda hoje reconhecido entre os adeptos azuis e brancos como uma das figuras portadoras do ADN portista, de um atleta que nunca dava uma bola por perdida e que entrava sempre em campo com o 'fato de trabalho' e nunca a roupa de 'gala'.

Antigo médio, hoje com 50 anos, Paulinho Santos diz que ainda hoje sofre pelo FC Porto como quando era jogador e assume que não é uma frase feita quando se diz que o FC Porto para conquistar títulos tem de "correr mais que os outros".

"O FC Porto quando ganha é mesmo contra tudo e contra todos. Para ganhar temos que correr muito mais que os outros e jogar muito mais que os outros. É isso que temos feito", disse Paulinho Santos, satisfeito por ver o seu ex-colega e amigo Sérgio Conceição no comando técnico dos dragões.

"Só fico satisfeito com as vitórias do FC Porto", disse Paulinho Santos, ele que ao longo da carreira sempre defendeu com 'unhas e dentes' a camisola azul e branca às riscas verticais e lembra agora que "ali não havia desculpas, havia trabalhar e querer ganhar".

Mas o que Paulinho Santos não gosta é do rótulo de jogador agressivo/duro, até porque o antigo médio, que algumas vezes foi defesa-esquerdo, diz que antes como agora "no futebol a gente tem de levar e calar, dar e calar e siga".

"Para o FC Porto, eu tinha de dar o meu melhor. Dei sempre o meu melhor", recorda Paulinho Santos, não escondendo que jogar contra o Benfica foi sempre especial.

"Contra o Benfica eu nem precisava de aquecer. No início já me sentia muito quente. Por mim, jogava dez jogos contra o Benfica em que oito eram lá e dois cá", confessou Paulinho Santos, realçando que jogar no Estádio da Luz pelo FC Porto era algo que lhe dava "prazer".

"Todos os jogos que ganhamos ao Benfica deram-me prazer. Só quem é portista percebe isso", testemunhou Paulinho Santos, sublinhando a importância que sentia de vencer na casa do Benfica.

"Era melhor ganhar na Luz. Tinha mais sabor e prazer ganhar lá", referiu Paulinho Santos, contando ainda que, apesar de ter colecionado algumas polémicas dentro de campo com João Vieira Pinto, fora das quatro linhas refere que não havia rivalidades.

"O que eu tinha com o João Vieira Pinto era dentro de campo. Fora do campo não havia nada", realçou, dizendo que "ficava doente quando não ganhava".

Em conversa no Porto Canal, o ex-médio do FC Porto explicou ainda que nunca sentiu necessidade de deixar o clube e é por isso que ainda hoje faz parte da estrutura do clube.

"O FC Porto precisava de mim e o presidente achava que eu devia ficar. Nunca discuti contratos. Para mim só a palavra do presidente bastava", referiu Paulinho Santos, ele que participou nos anos de glória do FC Porto nos anos 90.

Mas desengane-se quem pensa que Paulinho Santos gostava de ser a 'estrela' das festas. "Eu fugia aos festejos. Eu gostava de estar no meu canto a descansar", disse, salientando a importância de vencer o penta mas não escondendo que o tri foi impactante pela importância que lhe notou para a construção de um FC Porto campeão em Portugal.

Vencedor de uma Taça UEFA e sete vezes campeão nacional, Paulinho Santos ajudou ainda os portistas a conquistarem por cinco ocasiões a Taça de Portugal, somando ainda ao seu currículo de dragão ao peito mais quatro Supertaças.