Portugal
“Comemoro um aniversário em setembro porque afinal de contas eu ressuscitei”
2021-07-26 22:25:00
Pinto da Costa recorda operação ao coração no ano da “saída intempestiva” de André Villas-Boas

O presidente do FC Porto, Pinto da Costa, viveu inúmeros sucessos desportivos ao longo dos 39 anos que leva na liderança dos dragões, mas nesta caminhada há outras vitórias que foram conquistadas fora dos relvados. No ano de 2012, o dirigente teve de ser submetido a uma cirurgia ao coração.

Em quase quatro décadas, o mês que durou a recuperação foi o período mais longo em que Pinto da Costa se afastou do FC Porto. A decisão de marcar de marcar a cirurgia foi complicada porque nesse mesmo ano o técnico André Villas-Boas deixou “a cadeira de sonho”, com o Chelsea a bater a cláusula de rescisão e a obrigar os dragões a procurarem um treinador.

“Fomos apanhados um bocado de surpresa com a saída do André, porque ele tinha contrato e a saída foi assim um pouco intempestiva”, admitiu Pinto da Costa, no episódio de hoje da série biográfica ‘Ironias do Destino’, sobre os 39 anos na presidência do FC Porto.

A cirurgia acabou por ser realizada a 4 de setembro, aproveitando uma “folga” no campeonato, que parou por duas semanas. E desde então que Pinto da Costa, nascido a 28 de dezembro de 1937, celebra um aniversário no início de setembro.

“Todos os anos, nesse dia junto os médicos que me operaram e fazemos um jantar comemorativo do meu aniversário, porque afinal de contas eu ressuscitei”, explicou.

Há já “alguns anos” que o presidente dos dragões sabia que precisava dessa intervenção cirúrgica, pois tinha a aorta dilatada. Mas foi em 2012 que, numa consulta com Filipe Macedo, Pinto da Costa ficou convencido da “necessidade urgente de fazer a operação”.

“Não senti medo porque foi-me posto como um facto irreversível”, garantiu: “Lembro-me que na véspera estive a trabalhar até às sete horas da tarde e só então é que disse às pessoas que não iria trabalhar no dia seguinte porque tinha de ser operado. Ao fim de oito dias já estava em casa e ao fim de um mês ja estava no Dragão. Mas estive sempre em contacto, mesmo no hospital as pessoas iam lá tratar de assuntos, só desliguei dois dias em que fiquei a dormir, só via estrelas. Já julgava que estava no céu, mas não estava”.

Nesse início de setembro, o dirigente já estava mais tranquilo quanto ao banco do FC Porto, pois tinha apostado no adjunto de André Villas-Boas para dar “continuidade ao projeto”, embora “com um estilo diferente”. E Vítor Pereira viria a ganhar o bicampeonato, mostrando que "foi importante essa continuidade".

"Naquela emergência de encontrar um substituto entendemos que o melhor seria a continuidade do trabalho. O Vítor Pereira era o número dois do André, mas muito perto dele, com muita influência e que os jogadores respeitavam. Foram dois anos de sucesso, porque ganhámos dois campeonatos”, recordou.

O primeiro campeonato com Vítor Pereira no banco ficou bem mais perto depois da vitória em casa do Benfica, numa partida em que brilhou James Rodríguez, que horas antes tinha chegado a Portugal depois de ter atuado pela Colômbia.

“Punha-se muito em causa o James, que não teria condições de jogar. Fomos buscá-lo ao aeroporto e ele, que vinha cansado da viagem da Colômbia e de ter jogado na véspera, disse que queria jogar. Estabeleceu-se um plano e ele foi imediatamente dormir quando chegou ao hotel, só o acordámos à hora de sair para a Luz, não fosse adormecer no intervalo. Não entrou logo, até porque seria demasiado esforço, mas quando entrou virou o jogo, marcou e deu outro a marcar, foi a consumação de que íamos ser campeões. Era um jogo decisivo e ele foi fantástico, mudou radicalmente o jogo em 20 minutos”, salientou.

O Benfica empataria depois com o Rio Ave, com o FC Porto a sagrar-se campeão no sofá. “Não foi a primeira vez, mas não é a mesma coisa, não dá o mesmo gosto. Ainda recentemente aconteceu isso, quando íamos jogar com o Feirense e o Benfica empatou com o Sporting. Naturalmente que é bom sermos campeões, mas no campo com golos e com a participação do público é outra coisa”, concluiu Pinto da Costa.