Prolongamento
"Bomba" tinha de "rebentar". Mattamouros garante que há "provas" contra Vieira
2021-06-12 13:20:00
Associado que avança para tribunal contra Vieira explica o processo

Jorge Mattamouros, sócio do Benfica que decidiu avançar com uma ação judicial em tribunal para tentar a demissão imediata de Luís Filipe Vieira, recusa a ideia de ser um "pau mandado" e diz que a "bomba" tinha de "rebentar". Aos poucos vão sendo revelados dados da ação, agora pela voz do advogado que, ao jornal O Jogo, assegura que tem "provas" daquilo que o fez avançar para a justiça e diz que quer "libertar o Benfica de Luís Filipe Vieira".

Mattamouros deixa claro, desde logo, que a iniciativa "não é uma ação sobre as eleições" mas, sim, "para libertar o Benfica de Luís Filipe Vieira". "É contra ele, para proteger o Benfica e não contra os parceiros de negócio", referiu o associado encarnado, garantindo que se Vieira deixar o clube a ação será retirada.

Questionado sobre a altura em que esta ação foi conhecida, Mattamouros revela que achou que "faria sentido que esta bomba rebentasse logo a seguir ao final de uma época complicada" e salienta que usa apenas "formas jurídicas lícitas."

Em longa entrevista ao jornal O Jogo, neste sábado, o associado do Benfica faz explica detalhadamente os fundamentos da ação que leva contra Luís Filipe Vieira para tribunal.

"Há duas alegações principais, uma em que dinheiro saiu das contas do Benfica em numerário por via de contratos fictícios, que foi feita pelo Ministério Público, está escrito numa nota de 2018, na qual está escrito que a única preocupação destes contratos é retirar dinheiro das contas do Benfica. Não há surpresa nenhuma para ninguém".

Mattamouros revela que tem em sua posse provas que de que saiu dinheiro da Luz para a Promovalor, empresa liderada por Luís Filipe Vieira. "Se desvendar agora, o Benfica vai fazer trinta por uma linha até ao julgamento. O que posso dizer é que a prova existe."

O associado revela ainda que informou o cunhado João Noronha Lopes sobre a ação que ia levar contra Vieira mas destaca que apenas o fez "por cortesia" e admite que o familiar, que se candidatou no último ato eleitoral contra Vieira, nada tem que ver com esta iniciativa.

"Ele disse-me que não era a via que preconizava e eu aceito", assegurou Jorge Mattamouros, destacando que vive o Benfica há vários anos e não decidiu avançar contra Vieira agora por ser familiar de Noronha Lopes, candidato derrotado nas últimas eleições no Benfica.

Mattamouros destaca ainda que o universo benfiquista está "capturado" e fala da Benfica TV, por exemplo. "Todo o clube está capturado, desde a BTV à Direção, à comunicação", disse, admitindo que "se estiver errado", a ação morrerá.

Em relação a eventuais consequências que esta ação possa ter na sua carreira de associado do Benfica, Jorge Mattamouros não se mostra preocupado pois acredita que está a conduzir tudo pela legalidade.

O associado diz ainda que a sua função "não é atirar postas de pescada" e em relação às eleições diz que provas de que as coisas não terão sido conduzidas de forma como deveria ser.

"O que eu digo é que o processo eleitoral foi fraudulento, foi desenhado do princípio ao fim para assegurar a manutenção de poder de Luís Filipe Vieira. Digo isto sem reserva nenhuma e tenho prova abundante e pública."

Luís Filipe Vieira ainda não comentou toda esta situação, sendo que a única reação até ao momento conhecida a nível oficial por parte do clube da Luz foi assumida na quinta-feira.

A direção do Benfica manifestou-se “profundamente indignada” com a ação judicial interposta no Tribunal da Comarca de Lisboa. "Para agredir o Benfica, por via judicial, basta ter papel, lápis, advogado e pagar as custas. Como se vê, toda a calúnia pode chegar a Tribunal, mesmo que desprovida de qualquer fundamento”, reagiu o clube, em comunicado.