Prolongamento
"Aviários não são parceiros estratégicos. Benfica tem de fazer coisas com rigor"
2021-10-27 12:20:00
"Coisas têm de ser feitas de forma clara, sem negócios laterais e sem coisas, no mínimo, bizarras", diz Adão e Silva

Numa altura em que o tema do investimento externo nas sociedades que gerem os clubes vai tomando conta das discussões do futebol, alguns emblemas vão alinhando estratégias, abordando caminhos, percebendo lógicas e objetivos de possíveis investidores e abrindo, no fundo, um horizonte que, embora seja já comum em alguns emblemas internacionais, em Portugal, salvo uma ou outra exceção, ainda é uma espécie de 'mundo novo' na realidade desportiva.

O Benfica tem avançado nesse sentido, recentemente, sobretudo com as investidas de John Textor, um milionário norte-americano que, há pouco tempo, foi recebido no Estádio da Luz para explicar os objetivos que tem com o desejo de entrada no negócio encarnado. A SAD liderada por Rui Costa já fez saber que foi pedida mais informação a Textor para que o emblema lisboeta possa continuar a estudar possibilidades.

Pedro Adão e Silva, antigo candidato à vice-presidência do Benfica, recomenda "rigor, exigência e seriedade" no caminho que o Benfica fará no sentido de estudar a possibilidade de entrada de um investidor externo na sociedade que gere o futebol encarnado.

No entanto, avisa que é preciso detalhar tudo pois o Benfica tem de compreender que há parceiros com os quais não deveria trabalhar. "Os aviários não são parceiros estratégicos", disse, aludindo ao negócio de José António dos Santos, conhecido por 'rei dos frangos', que é o acionista individual com o maior número de ações na Benfica SAD.

"As coisas têm de ser feitas de forma clara, transparente, sem negócios laterais e sem coisas, no mínimo, bizarras", esclareceu Pedro Adão e Silva, dizendo que o clube encarnado está no início de uma conversa com eventuais investidores mas trata-se de uma conversa que é preciso "tê-la".

Porém, Adão e Silva lembra que os benfiquistas devem estar atentos e serem informados dos passos que a direção vai dando, seja em que sentido for, e também eles refletirem. "É uma conversa que os benfiquistas devem ter. Há muitas formas de se fazerem estas reflexões coletivas. Não estou a dizer que é preciso convocar uma Assembleia Geral para se discutir o tema. Mas é preciso que seja partilhada informação sobre qual é o objetivo estratégico do clube e o que é que o clube procura para a SAD".

Além disso, Pedro Adão e Silva entende que o Benfica deverá também explicar aos seus sócios como ficará a administração, se entrar um investidor, e como ficará a relação clube-SAD.

"É uma dimensão importante de transformação e que tem de estar ligada à eventual entrada de parceiros estratégicos. Há um dever de exigência em relação a quem são os parceiros estratégicos".

Em comentário na Sport TV, Pedro Adão e Silva disse ser útil que os benfiquistas saibam e conheçam se o dito parceiro estratégico que possa entrar tem ideias de "modernizar o negócio e procurar a internacionalização da marca Benfica" que é, a seu ver, "forte em Portugal, na lusofionia e na diáspora" mas "globalmente não é forte". Para o ser, Adão e Silva entende que as exibições na Liga dos Campeões são fundamentais.