Portugal
"Arbitragem infeliz. No Benfica não usamos 'roubar' ou 'campos inclinados'"
Redação
2021-05-07 21:35:00
Jaime Antunes reforça críticas das águias às decisões de Artur Soares Dias no clássico com o FC Porto

O Benfica não deixa cair as críticas à arbitragem de Artur Soares Dias no clássico com o FC Porto, para a 31.ª jornada da I Liga. Depois de Jorge Jesus, na 'flash' e na conferência de imprensa, e da newsletter oficial, ao final da tarde foi a vez do vice-presidente Jaime Antunes vir apontar o dedo ao árbitro, denunciando "erros importantes que influenciaram o desenvolver do jogo". Críticas num tom suave, pois "aqui no Benfica não usamos palavras como outros, palavras como 'roubar ou 'campos inclinados', essa não é a nossa linguagem, nem é a nossa postura".

"A arbitragem do jogo foi bastante infeliz. Olhamos para o que aconteceu e tiramos ilações. Todos viram o lance do Pepe, que deveria ver o segundo cartão amarelo e ir para a rua, toda a gente viu, foi evidente, o árbitro estava bem colocado, numa posição onde tinha de analisar. Aqui a responsabilidade é exclusiva do árbitro, não do VAR ou de alguém. Não só tem o erro na ação, mas também logo a seguir, interrompendo uma jogada que podia ser de golo", sustentou o dirigente, em declarações no programa 'Pontos nos Is', da BTV.

As críticas do Benfica à arbitragem são assim "uma reação legítima", no entender do dirigente encarnado. "Foram dois lances, nem vou falar de outros como o penálti sobre o Diogo Gonçalves, mas são dois exemplos claros de uma arbitragem que cometeu erros que penalizaram o Benfica de forma grave no jogo", reforçou, procurando mostrar como as decisões de Artur Soares Dias resultaram em "prejuízo" para o emblema da águia.

A propósito do árbitro do clássico para a 31.ª jornada, Jaime Auntes apelou a uma "reflexão", fazendo uma pergunta: "Por que é que nos jogos entre Benfica e FC Porto, sem pôr em causa a honestidade do árbitro, ele é nomeado sucessivamente? Quando sabemos que o árbitro em causa vive no Porto, tem um ambiente social onde se move e o Conselho de Arbitragem não pode ignorar essa envolvente que pode condicionar psicologicamente o seu desempenho nos jogos entre Benfica e FC Porto, dada a rivalidade e o que está em jogo".

A "dualidade de critérios" foi mais patente, de acordo com o Benfica, no critério disciplinar. "Se olharmos para o amarelo mostrado a Weigl, se o mesmo critério fosse aplicado aos jogadores do FC Porto, Sérgio Oliveira teria ido para a rua", apontou o vice-presidente, considerando que "houve alguma incoerência na forma como o árbitro geriu o jogo", o que terá acontecido por estar "condicionado psicologicamente", dado o "enquadramento social" e o local "onde vive".

"A responsabilidade principal nem é do árbitro, mas sim de quem o nomeia. Parece que só há um árbitro para o Benfica-FC Porto... Há mais árbitros com categoria e experiência para esse trabalho. Não é por acaso que Soares Dias, que todos reconhecem ser categorizado, nos jogos entre Benfica e FC Porto, em geral, tem sempre uma grande infelicidade, normalmente em prejuízo do Benfica", insistiu Jaime Antunes.

No entender dos responsáveis encarnados, a arbitragem no clássico foi apenas o exemplo mais recente de que o futebol português está a transformar-se na "lei da selva", com o vice-presidente a lembrar o caso do quinto amarelo de João Palhinha e as suspensões que Sérgio Conceição e Rúben Amorim contestaram em tribunal. Esta área da disciplina é má demais para ser aceitável numa atividade tão relevante como o futebol", comentou.

"Não é aceitável um jogador ter uma série de cartões amarelos e que devia ter um jogo de suspensão continuar a jogar impunemente, outros que têm treinadores sucessivamente expulsos e suspensos, mas a suspensão não vale e podem adiar castigos para quando lhes convém, para quando lhes interessa. É um castigo 'à la carte', onde cada um é mais habilidoso a gerir este tipo de recursos. O futebol português está neste estado lamentável e a opinião pública não entende esta arbitrariedade completa", finalizou Jaime Antunes.

Recorde-se que a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) apresentou queixa contra Benfica, Jesus, Grimaldo e Otamendi, na sequência de declarações visando a arbitragem de Artur Soares Dias no clássico. Um “procedimento normal” sempre que é “colocada em causa a honorabilidade e respeitabilidade dos árbitros”, explicou fonte do organismo.